6 principais desafios da gestão em saúde

A busca pelo tratamento e bem-estar do paciente abrange não apenas o trabalho direto do time de médicos, enfermeiros e demais profissionais da unidade de saúde, mas também do quadro de gestão em saúde.

Desde o momento em que os pacientes entram na recepção até o momento em que deixam as instalações, a administração na área da saúde deve garantir que todos recebam cuidados de alta qualidade para assegurar o bom funcionamento dos processos que envolvem o cuidado com esses pacientes.

Claro que tratar desses aspectos é sempre um grande desafio para líderes de diferentes níveis hierárquicos, sobretudo em um cenário de crise econômica, com constantes cortes de gastos. Além disso, as inúmeras inovações no mercado podem deixar dúvidas sobre como escolher a melhor solução. Pensando nisso, preparamos este artigo com os principais desafios da gestão de saúde. Acompanhe a leitura e confira!

‍O que faz o gestor em saúde?  

Antes de conhecer os desafios da administração na área da saúde, é importante destacarmos o papel do gestor em saúde.

De uma maneira geral, o profissional é responsável por administrar recursos humanos, financeiros, sanitários e logísticos de hospitais, laboratórios de análises clínicas, policlínicas, casas de saúde para idosos, operadoras de plano de saúde e pastas de administração pública.

Em outras palavras, ele é a pessoa que precisa tomar decisões capazes de influenciar os processos internos do estabelecimento. Ou seja, seu papel é fazer com que todo o processo funcione de maneira eficaz e completa.

Isso pode ser aplicado em muitas vertentes e assumir novas aplicações conforme a área de atuação do profissional. Entre suas responsabilidades mais relevantes estão:

 

  • fazer avaliação financeira como ferramentas para a gestão e tomada de decisão;
  • gerir projetos;
  • pensar, desenvolver e aplicar processos para inovação em saúde;
  • desenvolver uma unidade para melhoria contínua de processos;
  • capacitar outros profissionais para a gestão em serviços de saúde, desenvolvendo equipes e talentos para o alcance dos resultados organizacionais.

Portanto, o gestor de saúde tem um papel estratégico dentro da organização em que atua. Ele deve desenvolver planos de ação e políticas que sejam vantajosas para todos os setores e permita enfrentar os desafios com soluções eficazes e adequadas ao momento atual e futuro. Assim, é possível garantir um serviço de qualidade e um ambiente interno organizado.

Quais são os principais desafios de gestão em saúde?

Cada vez mais, os desafios na área da saúde crescem e se diversificam no Brasil. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), boa parte dos investimentos em saúde no planeta — que representa entre 20 a 40% do total investido — é mal gerenciado e desperdiçado.

A gestão financeira da saúde está entre as principais causas dos desajustes do sistema, segundo o órgão. Esses problemas influenciam diretamente na saúde coletiva da população.

Mas, muito além dos recursos financeiros, é notável ainda a carência de profissionalização da gestão dos diversos equipamentos de saúde, a falta de treinamentos do pessoal, a educação continuada, a aferição de qualidade, o estabelecimento de metas, índices, hierarquia, os processos definidos...

É neste cenário que o profissional de gestão em saúde entra, de modo a trazer ferramentas para a profissionalização e melhoria dos índices da unidade de saúde e/ou de todo o sistema. A seguir, listamos com mais detalhes os principais desafios de gestão na saúde, confira!

1. Custos crescentes

Uma das principais preocupações na gestão da saúde são os custos crescentes e a forma de como deixar isso sob controle. A ineficiência e a resistência da equipe em evitar o desperdício é um dos aspectos que contribui para a alta de custos e, como consequência, reduz as margens de lucro.

Outro fato preocupante é a má administração financeira dos recursos financeiros, causada, sobretudo, devido à falta de preparo e experiência dos gestores. Assim, diante da escassez, não conseguem otimizar as atividades e oferecer um serviço adequado para pacientes e profissionais.

2. Atendimento desumanizado

Na maioria das vezes, o paciente chega ao estabelecimento de saúde porque está apresentando dor ou alguma doença — o que o deixa fragilizado, não só fisicamente, como também no nível emocional. É nesse aspecto que entra a importância do atendimento humanizado e a capacitação dos profissionais, desde a recepção até a alta do paciente.

Para garantir o atendimento humanizado, no entanto, é preciso disponibilizar capacitações constantes da equipe, que devem ser contabilizados dentro da administração financeira.

3. Segurança de dados

Atender as normas de regularização e acompanhar a lei vigente é um dos grandes desafios da gestão em saúde. Os líderes precisam, constantemente, adequar os processos dentro da instituição conforme as resoluções atuais.

Recentemente, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) tornou ainda mais complexo esse trabalho. Afinal, a adoção de medidas para atualizar os sistemas e proteger os dados é urgente, sob pena de multas altas para quem descumprir as regras. Por isso, o papel das lideranças se torna ainda mais evidente.

4. Implementação de tecnologias

Ao mesmo tempo em que a tecnologia cria novas oportunidades no mercado, ela também lança desafios, principalmente para os profissionais que são responsáveis por tornar a gestão em saúde mais eficiente.

De um modo geral, os sistemas e ferramentas otimizam os processos, tornando o atendimento mais seguro, eficaz e qualificado.

Porém, é preciso levar em conta os custos de implementação, que podem ser altos, justamente porque exigem profissionais e instalações altamente especializadas. Além disso, a cultura mais tradicional ainda é resistente em aceitar tantas mudanças.

5. Mão de obra qualificada

No processo de gestão em saúde, as instituições enfrentam uma crescente escassez de colaboradores qualificados. Embora as pessoas tenham mais acesso à educação atualmente, sobretudo devido aos recursos de ensino a distância (EAD), ainda há muitos profissionais despreparados, especialmente aqueles que se formam em faculdades que não oferecem o suporte educacional e equipamentos necessários.

Além disso, muitos profissionais acomodam-se e não realizam cursos de atualização ou especialização em suas áreas para melhorar a qualidade dos atendimentos.

Essa carência impacta no crescimento da instituição e no atendimento, além de afetar os custos por causa do mercado de trabalho competitivo. Por isso, é importante avaliar a experiência do profissional adquirida em outros serviços ao contratá-lo, pois isso agregará nas funções que serão executadas no seu estabelecimento.

6. Jornada do paciente

A jornada do paciente é um dos fatores críticos da gestão em saúde. Afinal, grande parte das reclamações dos pacientes é relacionada ao atendimento oferecido pelas instituições.

Resumidamente, a jornada do paciente consiste na experiência do paciente ao longo de um atendimento médico, que leva em consideração desde o momento em que o sintoma é percebido até a interação pós-alta.

Ou seja, toda a cadeia de eventos que ocorrem antes, durante e após a interação com o paciente em um determinado estabelecimento de saúde.

Para que a experiência do paciente se torne positiva, é essencial avaliar a efetividade de alguns pontos, como a alta variabilidade, a tomada de decisão complexa, a rede de especialistas, a necessidade de informações e a experiência do paciente.

O que fazer para superar cada um desses desafios?

Embora não exista uma fórmula simples para superar os desafios, é importante que os líderes encarem a gestão em saúde como um negócio. Isso requer do líder uma postura proativa, pois, muitas vezes, é preciso resiliência para superar uma cultura organizacional mais arcaica significativa.

De forma prática, cada tipo de desafio apresenta uma solução específica, uma delas é a implementação de programas de treinamento, educação continuada e conformidade legal. Manter a equipe sempre atualizada possibilita uma mudança de mentalidade dentro das empresas.

Além disso, cabe aos líderes atuarem ativamente para promover uma conscientização por meio da comunicação clara e objetiva entre líderes e seus colaboradores. E, quando falamos isso, estamos nos referindo a gestores que optam pela transparência e buscam compreender o fluxo de comunicação institucional.

Vale lembrar que os estabelecimentos de saúde devem garantir agilidade no tratamento ao longo de todo o processo, identificando e eliminando ineficiências no fluxo de pacientes.

Esse cuidado traz maior qualidade ao atendimento, melhora a experiência e reduz eventos adversos. Nesse caso, contar com tecnologias que minimizem os desafios, proporcionam mais qualidade ao trabalho dos profissionais.

Quem pode atuar como profissional da área?

Médicos e demais profissionais da saúde com perfil para atividades gerenciais e boa capacidade de liderança podem seguir a carreira de gestão em saúde. Perfis variados de profissionais da saúde podem ocupar espaços gerenciais, entre eles:

  • Médicos;
  • Enfermeiros;
  • Fisioterapeutas;
  • Nutricionistas;
  • Farmacêuticos;
  • Psicólogos;
  • Assistentes Sociais;
  • Outros.

Pessoas que conheçam em profundidade o sistema de saúde e já tenham passado por diversos setores se destacam. Indivíduos com gosto por inovação, atualização constante e bem informados, em geral, tornam-se gestores de bastante sucesso. São características desejadas para a carreira gerencial e administrativa na saúde:

  • Criatividade;
  • Boa capacidade de comunicação;
  • Facilidade em liderar;
  • Atenção;
  • Resiliência;
  • Bons relacionamentos interpessoais;
  • Capacidade de trabalhar sob pressão;
  • Busca por atualização constante;
  • Gosto por negócios, logística, processos, desenvolvimento de pessoas;
  • Rigor ético.

Quanto ao salário dos profissionais, podemos dizer que se trata de carreira de excelente remuneração, com valores que podem chegar a R$ 18.000, dependendo da posição e da instituição a que o profissional estiver vinculado.

Como funciona a gestão de clínicas e consultórios?

Uma ótima oportunidade para quem deseja se tornar gestor na área da saúde é abrir sua própria clínica ou consultório. É necessário estudar sobre empreendedorismo, marketing, inovação, entre outras matérias, mas ter seu próprio negócio significa atender pacientes da forma que você acredita ser a melhor.

Você se torna dono da sua agenda, pode oferecer o atendimento humanizado que sempre desejou e criar um espaço atrativo para o seu público-alvo.

Para conciliar responsabilidades como cuidar de pacientes, gerir a clínica e ter tempo para sua família, o ideal é contar com a ajuda de inovações tecnológicas que automatizam processos e otimizam seu tempo, como um software médico.

Assim, você consegue administrar seu negócio, ser uma referência em sua área de especialização e atuar na gestão em saúde com excelência.

Como se qualificar para a carreira de gestor de saúde?  

Uma gestão em saúde eficiente traz soluções descomplicadas e facilitadoras para a maioria dos problemas recorrentes. Isso torna a área muito atrativa e incentiva os profissionais a buscarem atualização e formação específica.

Em geral, os médicos e os demais profissionais da saúde que se interessam pela carreira administrativa e gerencial podem optar por uma Pós-graduação em Gestão da Saúde, que oferece a base necessária para atuar na área e superar os desafios existentes no setor.

O curso aborda os princípios administrativos contemporâneos, como aferir qualidade na assistência de saúde por meio de auditorias e gestão do cuidado ao paciente.

Inclui ainda a gestão administrativa de uma unidade de saúde ou pasta especializada, financiamento das atividades, trabalho em equipes interdisciplinares e o gerenciamento de inovações em saúde.  

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