X Fechar
Em breve você receberá uma confirmação da assinatura da nossa newsletter por e-mail!
Oops! Algo deu errado, tente novamente.
Sem spam. Cancele a inscrição a qualquer momento.
Blog
Valvopatias e gestação: entenda a relação e os riscos

Valvopatias e gestação: entenda a relação e os riscos

A doença cardíaca é uma das complicações mais importantes da gestação e, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, além de ser a principal causa de morte materna não-obstétrica no mundo durante a gravidez e puerpério, acomete cerca de 4,2% das gestantes no Brasil.

Entre as mulheres do ciclo gravídico-puerperal que apresentam problemas relacionados a valvopatias e gestação, mais da metade (55%) sofre de doença reumática, provocada por estenose mitral, que é a valvopatia mais recorrente nestes casos. O objetivo deste artigo é, portanto, esclarecer como esse e outros problemas valvares estão relacionados à fase de concepção e desenvolvimento fetal na mulher. Continue a leitura!

Compreendendo as valvopatias

As valvopatias ou valvulopatias, como também são chamadas, consistem em doenças que levam a alguma das valvas cardíacas a apresentarem estenose ou insuficiência (denominada, ainda, de regurgitante ou incompetente). Esse problema leva a alterações hemodinâmicas do organismo, que ocorrem independentemente do surgimento de qualquer sintoma.

Entre as doenças valvares mais comuns estão:

  • Regurgitação aórtica
  • Estenose aórtica
  • Regurgitação mitral
  • Estenose mitral
  • Prolapso da valva mitral
  • Regurgitação pulmonar
  • Estenose pulmonar
  • Regurgitação tricúspide 
  • Estenose tricúspide

Leia também: Cardiologia avançada: saiba como seguir na carreira

Fisiologia da gravidez e impactos na doença valvar

O aumento do débito cardíaco, que ocorre na 8ª semana de gestação, é a maior manifestação hemodinâmica durante a gravidez. Esse aumento tem, em geral, um incremento até a 32ª semana, às custas do volume sanguíneo. É esse incremento que leva à intolerância das estenoses valvares e à desadaptação do organismo no segundo trimestre, gerando uma queda da resistência vascular dessas mulheres, conforme esclarecido pela Dra. Walkiria Samuel Avila, médica-chefe do Setor de Cardiopatia e Gravidez da Unidade de Cardiopatias Valvares do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (INCOR/HC), da FMUSP, em videoaula de colaboração editorial da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP) ao Medscape.

É necessário considerar ainda que, desde o início até a metade da gestação, é possível observar a redução da pressão arterial (PA), provocada pela diminuição de resistência vascular secundária à própria atividade hormonal gestacional. Outro fator de extrema importância a ser considerado é o aumento do risco de tromboembolismo decorrente da hipercoagulabilidade a partir do segundo trimestre gestacional. Isso pode ocorrer especialmente em mulheres que apresentam próteses mecânicas, valvopatia mitral e fibrilação atrial.

Há associação ainda de risco maior quando a gestante apresenta doença valvar associada à doença vascular. Isso ocorre porque estrógeno, elastase circulante e relaxina levam a um enfraquecimento da parede dos vasos. Isso porque esses fatores levam à predisposição da dissecção arterial.  É em razão desses fatores que mulheres com problemas de valva bicúspide, doenças hereditárias da aorta e Síndrome de Ehlers Danlos são desaconselhadas a passar por uma gestação. 

Leia também: Ginecologia e obstetrícia: o que você precisa saber!

Riscos das valvopatias e gestação

O Departamento de Cardiologia Clínica da Sociedade Brasileira de Cardiologia preconiza, na Atualização das Diretrizes Brasileiras de Valvopatias, que haja estratificação do risco valvar antes do planejamento familiar e eventual concepção. Neste sentido, é importante reconhecer se o risco gestacional relacionado à valvopatia encontrada seria alto, intermediário ou aceitável, conforme o quadro a seguir:

Talvez você tenha interesse: Tratamento de hipertensão: como engajar o paciente?

Observando-se os riscos, deve-se considerar ainda na fase de planejamento familiar, a intervenção percutânea ou cirúrgica em mulheres que apresentem alto risco valvar. Já entre aquelas liberadas para a gestação, devem ser priorizadas medidas gerais de acompanhamento gestacional, além de adoção de “fármacos não teratogênicos com doses ajustadas à idade gestacional”, conforme recomendação da Atualização das Diretrizes Brasileiras de Valvopatias. Seguir tais recomendações é fundamental, sobretudo para evitar riscos de complicações e morte para mãe e para o bebê. 

Veja, a seguir, as recomendações para conduta em doença valvar nativa no planejamento familiar e durante a gestação.

Os cuidados devem ser mantidos ainda durante o parto e puerpério, com programação do parto a partir da 34ª semana de gestação e preferência ao parto vaginal, em razão da menor perda sanguínea.

Gostou desse artigo? Compartilhe com outros colegas. Aproveite o momento e continue a navegação pelo nosso blog para ler outros conteúdos semelhantes.

Tem interesse em valvopatias? Na IPEMED, você pode aprimorar seus conhecimentos na área de doenças valvares, tema de grande interesse técnico científico. Conheça nosso curso de pós-graduação.