Complicações da gravidez na adolescência e desfechos indesejados

As complicações da gravidez na adolescência são resultado direto do início da vida sexual cada vez mais precoce. E os números registrados pelo Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc) impressionam. Apenas em 2019, o órgão contabilizou, em todo o território nacional, o nascimento de 58.270 bebês de mães com faixa etária de 10 a 19 anos, que estiveram presentes em consultas de pré-natal de quatro a seis vezes e cujas gestações tiveram duração de 37 a 41 semanas.

Comparando ao número de bebês nascidos de mães nas mesmas condições, mas com faixa etária entre 25 e 34 anos, a situação é alarmante. Foram 117.810 nascimentos dessas mães, o que indica que crianças e adolescentes estão dando à luz metade do número de bebês que mulheres em idade mais propensa à concepção geraram e trouxeram ao mundo.

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Complicações mais comuns da gestação na adolescência

Um artigo publicado pela Revista Residência Pediátrica escrito pela professora da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (Unb), Marílucia Rocha de Almeida Picanço, detalha que grande parte das complicações da gravidez na adolescência estão associadas ao risco biológico para a mãe e para o bebê. Estudiosos acreditam que, em razão de a mãe adolescente também ainda estar em formação, haveria uma competição entre nutrientes destinados à mãe e ao bebê, levando a um quadro de saúde negativo para gestante adolescente e para a criança em formação dentro do útero, podendo até mesmo provocar aborto.

Outras possíveis complicações são:

  • Anemia ferropriva materna;
  • Toxemia (eclampsia e pré-eclâmpsia);
  • Infecção urinária;
  • Baixo ganho de peso materno;
  • Prematuridade do bebê;
  • Baixo peso ao nascer;
  • Baixo índice de Apgar;
  • Desmame precoce.

Em uma outra revisão de literatura, Azevedo et al trazem ainda riscos como: síndrome hipertensiva da gravidez (SHG) e diabetes gestacional. O Ministério da Saúde acrescenta à lista riscos comportamentais, como maior chance de exposição materna a medicamentos, álcool, tabaco e outras drogas. Há ainda que se considerar que a gestação precoce, sobretudo em menores de 15 anos, eleva os riscos de morte materna.

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) chamou a atenção, durante a última campanha da Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, para o fato de que problemas na gravidez ou no parto geram 70 mil mortes de meninas com menos de 14 anos no mundo a cada ano. Já os bebês, mesmo quando nascidos vivos, ficam mais suscetíveis a atrasos de desenvolvimento neuromotor, além de problemas psíquicos. Muitas vezes, a associação de uma gravidez indesejada, de depressão pós-parto e de inabilidade para cuidar do recém-nascido também colocam o desenvolvimento e a segurança dessa criança em risco.

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Desfechos obstétricos em grávidas adolescentes

Um artigo publicado pela revista Femina apresentou a avaliação de desfechos obstétricos entre meninas gestantes e mulheres grávidas adultas. Para isso, foi feito um estudo transversal não randomizado entre os dois públicos-alvo em uma maternidade pública de Marabá-Pará. Entre os fatores de complicações físicas associadas à gestação na adolescência observaram-se ocorrência de episiotomia, baixo peso do recém-nascido ao nascer e menor perímetro cefálico em comparação a mulheres adultas avaliadas.

Como os profissionais podem atuar para evitar a gestação na adolescência?

A falta de acesso à informação é apontada como uma das principais causas de gravidez precoce. Sendo assim, o esforço dos profissionais é voltado a ações preventivas e educativas que envolvam educação sexual, tais como:

  • Planejamento familiar;
  • Métodos contraceptivos adequados;
  • Orientação sobre riscos de gestação precoce e aborto espontâneo;
  • Esclarecimento sobre riscos da indução de aborto;
  • Chances de mortalidade materna;
  • Índices de mortalidade fetal e infantil;
  • Consequências de nascimento prematuro.

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