Obesidade mórbida infantil: como o pediatra deve agir na prevenção?

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, em 2025, cerca de 75 milhões de crianças sejam classificadas com obesidade no mundo. Em 2020, a organização já havia registrado cerca de 39 milhões de crianças, com menos de 5 anos, com sobrepeso ou obesidade. Somente no Brasil, o Ministério da Saúde estima que uma em cada três crianças, com idades entre 5 e 9 anos, esteja obesa, com grandes chances para a classificação de obesidade mórbida infantil, caso nada seja feito.

Como a obesidade mórbida infantil é definida?
A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) define como situação de obesidade infantil quando o Índice de Massa Corporal (IMC) da criança, entre 5 e 10 anos, está acima de 30 kg/m². Contudo, quando o IMC supera os 40kg/m², a classificação já pode ser feita como obesidade mórbida infantil.

A OMS, por outro lado, considera para fatores de obesidade os seguintes critérios:


Obesidade quando há peso para altura maior que três desvios-padrões acima da mediana dos Padrões de Crescimento Infantil do órgão.

  • Crianças de 5 a 19 anos:
    Excesso de peso quando o IMC está acima de um desvio-padrão da mediana da Referência de Crescimento da OMS.


Obesidade quando o IMC é superior a dois desvios-padrões da mediana da Referência de Crescimento definida pelo órgão.

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Contudo, tão importante quanto compreender como classificar a criança com obesidade é entender e educar a população sobre o fato de que o problema é, na realidade, uma doença crônica. Ou seja, é preciso fazer com que a família da criança compreenda que o acúmulo de gordura corporal pode afetar o funcionamento saudável do organismo, levando a morbidades como:

  • Hipertensão arterial
  • Dislipidemia
  • Intolerância à glicose/ diabetes
  • Doenças cardiovasculares
  • Esteatose hepática
  • Depressão

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Causas da obesidade infantil e o papel do pediatra na prevenção
Os estudiosos das questões quem envolvem sobrepeso e obesidade têm o entendimento consensual de que o problema é multifatorial. Para se ter ideia, um estudo realizado alguns anos atrás pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com 2.826 crianças em idade escolar (7 a 14 anos) revelou que a influência familiar tem um grande papel no desenvolvimento do sobrepeso e obesidade. Segundo o levantamento, filhos e filhas de pais com sobrepeso e/ou obesidade têm, respectivamente, 80% e 150% de probabilidade de sofrerem do mesmo problema. Ou seja, a hereditariedade é, sim, um dos fatores de risco.

No entanto, outros fatores têm influência no sobrepeso e obesidade, seja ela mórbida ou não, e não devem ser desprezados. Hábitos socioculturais, alimentação inadequada e sedentarismo têm grande peso na lista das causas da doença. Além disso, há a dificuldade de pais e cuidadores admitirem o sobrepeso na infância, em razão da crença de que a criança perderá peso ao crescer. Nesse sentido, caberá ao pediatra que faz o acompanhamento do crescimento infantil e da saúde desse indivíduo em formação orientar os responsáveis sobre a importância de observar tais aspectos relacionados ao controle de peso.

Isso pode ser feito com a seguinte conduta durante as consultas:

  • Demonstração da curva de peso X crescimento de acordo com a faixa etária da criança;
  • Esclarecimento de que crianças obesas, em geral, tornam-se adolescentes obesos e, no futuro, adultos obesos;
  • Orientações quanto a importância de restringir o consumo de açúcares e produtos ultraprocessados e industrializados, principalmente na infância;
  • Orientações sobre a importância da adoção de uma alimentação saudável por parte de toda a família, para que a criança aprenda pelo exemplo;
  • Compreensão da rotina da criança com relação à prática de atividade física e recomendação de aproveitamento do tempo com programas familiares ou infantis que promovam gasto calórico;
  • Introdução de mudanças de hábitos alimentares e atividade física, caso o sobrepeso já esteja sendo observado;
  • Encaminhamento para acompanhamento multidisciplinar com nutrólogo, nutricionista e psicólogo, principalmente em situações em que aspectos comportamentais de compulsividade alimentar forem observados.


Por que o tratamento da obesidade mórbida infantil é um desafio?
A Abeso entende que o tratamento da obesidade mórbida infantil pode ser um desafio ainda maior do que a intervenção com um adulto. E isso pode ocorrer porque, em geral, a criança está mais suscetível ao meio em que vive e, comumente, sofre com o isolamento social promovido pela falta de identificação com outras crianças da mesma faixa etária que ela. Esse fator, por sua vez, acaba se tornando um agravante para o aumento de peso uma vez que a criança fica envolta em falta de motivação, depressão, maior inatividade e maior consumo de alimentos altamente calóricos como forma de compensação. Por isso, além de tratar a criança, os profissionais de saúde envolvidos nos cuidados da obesidade mórbida infantil precisam, essencialmente, tornar os pais e/ou responsáveis aliados no processo de emagrecimento dos filhos e/ou tutelados.

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