Insuficiência ovariana prematura: qual o papel do médico?

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A insuficiência ovariana prematura ocorre quando os ovários param de funcionar como deveriam antes dos 40 anos de idade. Segundo a Associação Médica Brasileira (AMB), afeta 1% das mulheres e o médico tem um papel essencial no diagnóstico e tratamento da condição. Isso principalmente porque muitas vezes esta condição leva a complicações, como infertilidade e osteoporose, e pode ser confundida com outras doenças. 

Diagnóstico da insuficiência ovariana prematura

O diagnóstico da insuficiência ovariana prematura é feito baseado na história clínica e níveis elevados do hormônio folículo estimulante (FSH), de acordo com artigo publicado na Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia. Portanto, o médico examina a paciente e faz perguntas sobre o ciclo menstrual, exposição a toxinas como de tratamentos quimioterápicos e sobre cirurgia ovariana anterior.

Segundo a Mayo Clinic, na investigação para realizar o diagnóstico, o médico pode pedir alguns testes, como de:

·         Gravidez;

·         Níveis hormonais;

·         Alterações cromossômicas.

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Insuficiência ovariana x menopausa prematura

Neste processo para identificar a doença, é muito importante que o profissional tenha muito claro as diferenças entre algumas condições, como menopausa prematura e insuficiência ovariana. Segundo a Mayo Clinic, as mulheres com insuficiência ovariana primária podem ter períodos irregulares de menstruação ou ocasionais por anos e podem até engravidar. Já as mulheres com menopausa prematura param de menstruar e não podem engravidar.

Após o diagnóstico, a paciente deve ser avaliada anualmente.

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Tratamento da insuficiência ovariana prematura

Até o momento, não existe um tratamento efetivo que restaure a função ovariana. Por isso, grande parte do tratamento se baseia em reposição hormonal. De acordo com a AMB, o principal objetivo da reposição hormonal nas pacientes portadoras de FOP é aliviar os sintomas da deficiência estrogênica e a manutenção da massa óssea.

Mas caso a paciente seja jovem, é necessário identificar a causa primária da doença, além de orientar com reposição adequada de estrógeno e progesterona. E caso ainda queira engravidar, é necessário introduzir a paciente a um programa de fertilização assistida.

De acordo com a The American College of Obstetricians and Gynecologists, como as pacientes com insuficiência ovariana primária apresentam deficiência de estrogênio, as mulheres jovens diagnosticadas com esta condição podem precisar de doses mais altas de estrogênio do que mulheres na menopausa para garantir reposição adequada e saúde óssea ideal.

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Fertilidade

Segundo a The American College of Obstetricians and Gynecologists, a fertilidade pode persistir mesmo quando poucos folículos funcionais estão presentes. Portanto, há uma chance de 5 a 10% de gravidez espontânea, apesar do diagnóstico de insuficiência ovariana prematura. Por isso, o médico deve orientar a paciente sobre métodos contraceptivos e sobre métodos de fertilização, como a in vitro.

Monitoramento de complicações

A insuficiência ovariana primária aumenta o risco de perda óssea, doença cardiovascular e distúrbios endócrinos. Portanto, é necessário monitorar a densidade óssea, a tireoide e o coração. A reposição hormonal pode ajudar, mas em alguns casos o médico pode prescrever suplementos de cálcio e vitamina D, além de um estilo de vida saudável com prática regular de exercícios físicos.

Apoio psicológico

Além do tratamento dos sintomas, é muito importante que o médico oriente muito bem a paciente sobre o prognóstico da doença. Pois, esta condição pode comprometer a fertilidade, o que para muitas é um grande choque e tem grande impacto emocional. Por isso, é recomendado que aconselhe a paciente para que tenha um acompanhamento psicológico.

Uma maior compreensão da biologia reprodutiva feminina e do efeito fisiológico da insuficiência ovariana prematura é essencial para que os profissionais de saúde orientem bem suas pacientes.

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