Saúde da mulher: principais queixas do público feminino

As mulheres representam 51,8% da população no Brasil, segundo dados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) 2019. Logo, seria esperado que a saúde da mulher obtivesse maior atenção.

Mas, embora as mulheres sejam as maiores usuárias do sistema de saúde, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2019) - enquanto 82,3% das mulheres procuram os serviços, apenas 69,4% dos homens utilizam a porta de entrada da Atenção Básica -, os hábitos de consultas preventivas (como pré-natal, vacinação e outros) não são realidade para a maioria. Isso porque, cerca de 50% dos entrevistados usuários do SUS buscam atendimento por motivos de doença.

Ou seja, ainda que o público feminino dê mais atenção ao bem-estar, comparado ao masculino, a saúde da mulher não é tratada de forma preventiva muitas vezes, o que acarreta adoecimento.

Compreendendo o conceito de saúde da mulher

O conceito de saúde da mulher, em geral, é visto sob dois aspectos. O primeiro deles é restrito ao gênero, ou seja, biologia e anatomia do corpo feminino, enfatizando muito mais os aspectos ginecológicos e reprodutivos. O segundo, por sua vez, engloba questões de sexualidade e reprodução humana, mas também o bem-estar físico, mental e social da figura feminina dentro de um contexto que é, muitas vezes, também cultural.

Assim sendo, a saúde feminina passa a ser vista como resultado de fatores que envolvem sociedade, economia, cultura e histórico pessoal e familiar de cada mulher atendida. Há ainda que considerar que as mulheres estão mais suscetíveis a agressões e outros tipos de violência doméstica, o que pode interferir em muitos aspectos da saúde.

Principais demandas no cuidado com a saúde feminina

A PNS 2019 revela que além de a proporção de mulheres que buscam os serviços de saúde ser maior quando comparada à dos homens, esse número também cresce à medida que a faixa de rendimento domiciliar per capita se eleva, indo de 67,7% para classe de até 1/4 de salário mínimo a 89,6% quando o valor é superior a cinco salários mínimos.

E, apesar da pesquisa não trazer dados detalhados sobre o tipo de especialidade consultada pelo público feminino, sabe-se que grande parte dos atendimentos (46,8%) ocorreram nas Unidades Básicas de Saúde, que oferecem serviços que contemplam desde a saúde ginecológica até saúde mental.

Também em 2019, uma pesquisa feita pelo Datafolha e pela Febrasgo apontou que 58% das mulheres que haviam se consultado com um ginecologista haviam recebido atendimento por meio do SUS. O levantamento também indicou que o hábito de ir ao especialista era mais comum entre mulheres das regiões metropolitanas, e crescia conforme escolaridade e posição econômica – de maneira semelhante ao que avaliou o contexto geral indicado pela PNS.

De modo geral, entre os protocolos para Atenção Básica com a saúde da mulher, um documento elaborado pelo Ministério da Saúde e pelo Instituto Sírio Libanês de Ensino e Pesquisa traz um panorama sobre problemas/queixas mais comuns em saúde das mulheres. São eles:

  • Sangramento uterino anormal
  • Atraso menstrual e amnorreias
  • Ausência de menstruação, descartada gestação
  • Amnorreia secundária sem causa evidente na avaliação clínica
  • Sintomas pré-menstruais
  • Avaliação inicial da queixa de lesão anogenital
  • Corrimento cervical e cervicite
  • Mastalgia
  • Descarga papilar
  • Dor pélvica
  • Miomas
  • Perdas urinária
  • Queixa urinária
  • Prevenção de câncer de colo de útero
  • Prevenção de câncer de mama
  • Atenção ao climatério
  • Atenção às mulheres em situação de violência sexual e/ou doméstica/intrafamiliar

Outros aspectos da saúde feminina que devem ser considerados

Dados do Boletim Epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, que avaliou a mortalidade proporcional por grupos de causas em mulheres no Brasil em 2010 e 2019, indicam que, no Brasil, foram a óbito 464.243 e 583.896 mulheres, respectivamente, com 10 ou mais anos de idade.

Em ambos os períodos, as principais causas de morte foram as mesmas: doenças do aparelho circulatório/DAC (183,3/100 mil, 184,9/100 mil), neoplasias (97,5/100 mil, 119,8/100 mil), doenças do aparelho respiratório (64,6/100 mil, 84,5/100 mil), doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (45,5/100 mil, 47,6/100 mil).

Isso indica que o grupo de doenças que podem levar a problemas coronarianos também constituem um cuidado importante para a saúde feminina, assim como os tumores (principalmente da mama e do colo do útero). Portanto, é necessário estar alerta também aos conhecimentos envolvendo prevenção e cuidados com problemas como diabetes, hipertensão, dislipidemias, no contexto das DACs e também aos protocolos preventivos de neoplasias (no caso das mamas), além de ISTs que podem elevar os riscos de câncer de colo do útero.

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