Tratamentos para HIV e saúde mental devem ser conjuntos na medida em que tanto pessoas com HIV estão mais suscetíveis à depressão e ansiedade, quanto pessoas com distúrbios psiquiátrico
Se receber o diagnóstico de uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) tão importante quanto o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) provoca danos emocionais ao paciente, o caminho inverso também é verdadeiro. Ou seja, pessoas com transtornos mentais estão potencialmente mais sujeitas a várias condições de saúde, inclusive a contaminação por ISTs, entre elas, o HIV. Assim sendo, o cuidado prestado ao tema HIV e saúde mental deve compreender uma abordagem ampla e que considere as associações entre ambos os problemas como uma via de mão dupla. É sobre isso, portanto, que trataremos neste artigo.
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Por que pacientes com transtornos mentais são mais vulneráveis às ISTs?
Há um conjunto de fatores que contribuem para isso, de acordo com a literatura explorada e citada pelo documento Prevenção e Atenção às ISTs/Aids na Saúde Mental no Brasil, elaborado pelo Ministério da Saúde. Entre eles estão:
- Dificuldade cognitiva para negociar sexo seguro;
- Uso de drogas ilícitas;
- Falta de informação e conceitos errados sobre a transmissão do HIV;
- Comportamento de risco sexual para contaminação por ISTs;
- Uso inconsistente de preservativo;
- Múltiplos parceiros.
Há ainda que se considerar que não é apenas ao HIV que esses pacientes são mais suscetíveis. De acordo com o mesmo documento, pacientes psiquiátricos graves têm expectativa de vida 10 anos menor que a da população geral. Além disso, as taxas de mortalidade entre esse público são pelo menos duas vezes maiores quando comparadas às da população geral.
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Como o transtorno mental afeta o paciente que vive com HIV?
Como já vimos, além do paciente que vive com transtorno mental estar mais suscetível à contaminação por HIV por uma série de fatores, por outro lado, quem tem HIV também enfrenta as consequências de desequilíbrios emocionais.
Primeiramente, é preciso considerar que pessoas que vivem com HIV podem ter transtornos mentais como ansiedade ou depressão, o que além de prejudicar a qualidade de vida por si só ainda pode agravar o quadro de saúde integral desse paciente e dificultar a adesão correta ao tratamento com medicamentos antirretrovirais, por exemplo.
Um segundo ponto é que o tratamento com antirretrovirais também pode levar a prejuízos no sistema nervoso central provocados por efeitos colaterais. Esses danos podem levar a manifestações como depressão, irritação, alucinações, euforia e psicose.
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Publicação da Unaids e da OMS fomenta assistência ao HIV e saúde mental de forma conjunta
Estatísticas globais sobre o HIV em 2021 indicavam que 37,7 milhões de pessoas, no mundo, viviam com o vírus em 2020. Desse total, cerca de 36 milhões eram pessoas adultas e 53% eram mulheres e meninas, de acordo com a Unaids.
Diante de tantas pessoas vivendo com o HIV, a entidade e a Organização Mundial da Saúde (OMS) se uniram para criar um documento que fomenta que ações de saúde mental e HIV sejam adotadas pelos serviços de saúde de maneira integrada. O objetivo é registrar diretrizes que contribuam para que essa integração seja possível. Sendo assim, algumas das recomendações são:
- Promover a integração de serviços de modo a oferecer cuidados e oportunidade de prevenção e tratamentos baseados nos direitos humanos, sensíveis ao gênero, específicos para a idade, equitativos e centrados na pessoa;
- Garantir a integração nos diferentes estágios do atendimento clínico, incluindo promoção em saúde, triagem, detecção e tratamento de problemas de saúde;
- Oferecer aconselhamento para o risco comportamental, assim como fazer o gerenciamento de condições de saúde mental ou neurológicas existentes, bem como de uso de substâncias;
- Promover programas de prevenção do HIV, testagem, tratamentos e cuidados terapêuticos e também de sistemas de apoio psicológico para o paciente e parceiro;
- Integrar os serviços de Atenção Primária em Saúde voltados para saúde mental ao de prevenção e redução de danos do HIV.
Além de fazer as recomendações de integração a fim de melhorar a qualidade de vida de pacientes que possam ser afetados tanto pelo HIV quanto por transtornos mentais, a Unaids e a OMS orientam que outras abordagens integradas sejam adotadas com objetivo de melhorar o bem-estar dessas pessoas. Sendo assim, elas precisam envolver serviços sociais, educacionais e até mesmo legais, quando necessário.
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