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Infectologia e os novos desafios: o que mudou na área após a pandemia de Covid-19?

1/7/2025
10
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por:
equipe afya educacao médica
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A infectologia e os novos desafios impostos pela pandemia do novo coronavírus devem nortear o trabalho de infectologistas. Entenda 9 deles.

Também chamada de Doenças Infecto-Parasitárias, a infectologia é a área que se ocupa de doenças provocadas por vírus, bactérias, microbactérias, fungos e outros patógenos causadores de enfermidades que vem acometendo a população ao longo da história da humanidade.

Embora a área tenha contabilizado inúmeros avanços no decorrer do tempo, como a descoberta de antibióticos por Fleming (1946), a vacinação por Koch e Pasteur até o avanço da vacinação profilática, como conta o portal History of Vaccines, é necessário compreender que o próprio comportamento da sociedade, a exemplo das lacunas em campanhas de vacinação, implica novos desafios à infectologia. E é sobre isso que trataremos neste texto!

Infectologia e uma breve contextualização sobre a evolução da área

O surgimento do vírus da imunodeficiência humana (HIV) e da síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids) no final do século 20 podem ser considerados marcos importantes para a infectologia porque renovaram, em certa medida, o interesse pelas doenças infecciosas e suas consequências para a população e para a sociedade como um todo.

Contudo, além do HIV e Aids, existem diversos patógenos que se tornaram foco de preocupação como os vírus Zika, Ebola (EBOV), Nipah, vírus da febre de Lassa, malária, sarampo e ainda os responsáveis por surtos de síndromes respiratórias agudas graves (SARGs) como Influenza H1N1, Influenza A H7N9, H5N1, H3N2 e os coronavírus em si, desde o surto de MERS, no Oriente Médio, até o surgimento do novo coronavírus (SARS-CoV-2), em 2019, e suas variantes.

Parte dessa preocupação se deve à baixa cobertura em saúde, mas outra parte pode ser atribuída à ineficiência de autoridades em saúde em elevar a conscientização da população sobre a segurança e necessidade de vacinação preventiva e profilática, como é o caso do sarampo, que voltou a estar presente em muitas regiões depois de ter sido praticamente erradicado.

Assim sendo, o infectologista tornou-se protagonista de estudos de modelos que pudessem jogar luz sobre o aparecimento, transmissão e controle desses agentes infecciosos e também um contribuinte da geração de informações que favoreçam a formulação de políticas públicas adequadas para combater tais agentes.

A infectologia e os novos desafios impostos pela Covid-19

Um dos maiores esforços da comunidade científica, sobretudo de infectologistas, diante do surgimento do novo coronavírus (SARS-CoV-2) foi compreender como se dava a transmissão e propagação do vírus. Essa é uma medida importante para contenção da disseminação da doença (Covid-19) e criação de protocolos eficazes.

E apesar da rápida ação dos cientistas, e alerta sobre o potencial pandêmico da Covid-19, não foi possível conter a pandemia global em razão da falta de preparo dos países de lidarem com doenças infecciosas do tipo. Esse poderia ser apontado, portanto, como o primeiro desafio.

Outros que poderiam ser listados ainda no âmbito de gestão ou comprometimento social são:

  • Financiamentos de pesquisas básicas que pudessem elevar a velocidade de resposta a pandemias;
  • Melhores condições de diagnóstico e prevenção, como testagem disponível a todos os pacientes;
  • Ampla cobertura vacinal, que pudesse ser administrada de maneira simultânea, a fim de minimizar o surgimento de variantes;
  • Capacidade de conscientizar a população sobre a importância de aderir orientações com base científica;

Já no campo da infectologia em si, os desafios para evitar que outros agentes infecciosos alcancem esferas pandêmicas são outros.

Conheça 9 desafios da infectologia

  1. Ter melhor compreensão molecular das interações hospedeiro-patógeno de diversos agentes microbianos, virais, parasitários e zoonóticos que continuam sem respostas;
  2. Traçar melhores rotas de infecção, transmissão, tempo de latência, progressão, imunidade de hospedeiros de inúmeros desses patógenos;
  3. Compreender melhor o potencial adaptativo de determinados patógenos a fim de desenvolver terapias mais eficientes;
  4. Compreender melhor a capacidade imunológica do hospedeiro em caso de coinfecções;
  5. Ter visão mais clara e abrangente de interações epigenéticas, fatores ambientais, predisposições genéticas e outros fatores;
  6. Promover pesquisas de forma interdisciplinar a fim de facilitar a identificação de denominadores comuns na imunidade do hospedeiro a vários patógenos;
  7. Entender melhor como a vigilância imunológica do hospedeiro molda e conduz a coevolução de patógenos com hospedeiros, especialmente no caso de patógenos oportunistas e zoonóticos;
  8. Observar como o aumento da diversidade química em medicamentos pode gerar impacto adverso na imunidade e consequente evolução de patógenos;
  9. Melhorar o tempo de produção de medicamentos anti-infecciosos assim como ter maior compreensão sobre a segurança de tais medicamentos.

Além disso, é necessário estar atento ao contexto ambiental, climático, cultural e social que estamos vivendo, que afetarão amplamente a suscetibilidade de doenças infecciosas.

Leia também: Medicina Moderna: 5 tecnologias que vão impactar a medicina em 2022

Microbioma: um desafio à parte

Compreender a fundo a microbiota humana é um dos desafios a serem superados também pelos infectologistas, uma vez que há evidências importantes de que a microbiota desregulada pode contribuir ou provocar o surgimento de inúmeras doenças.

E isso deverá ser feito por meio do entendimento dos impactos dos microbiomas de barreira dinâmica na saúde. Esse pode, inclusive, um enigma bastante complexo, visto que o microbioma de barreira engloba milhares de espécies bacterianas e fúngicas em um equilíbrio metabólico.

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