Surto de hepatite aguda em crianças: o que você precisa saber

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Em todo o mundo, estima-se que cerca de 345 milhões de pessoas vivam com os vírus das hepatites B e C, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O assustador é que grande parte dessas pessoas não foram testadas para a doença e, portanto, não receberam tratamento. Além desse dado alarmante, recentemente, um surto de hepatite aguda em crianças voltou a acender a preocupação em torno da doença.

Alertas feitos pela OMS, pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) norte-americano e outras instituições de saúde indicam que os mais de 200 casos contabilizados em crianças, em mais de 12 países, podem estar ligados particularmente a um adenovírus, vírus do resfriado comum, o tipo 41, que foi detectado em mais das 70 crianças doentes.

O primeiro aviso sobre a gravidade da hepatite em crianças foi dado em 21 de abril, depois que lesões hepáticas passaram a ser vistas em pacientes pediátricos, desde então, o problema vem sendo classificado como “hepatite aguda de causa desconhecida”. Vale reforçar que, mesmo depois da possível relação entre o adenovírus e a hepatite aguda no público infantil, as investigações sobre o agente causador desse surto da doença continuam.

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Adenovírus 41 e hepatite no público infantil

Em entrevista ao Medical News Today, a infectologista pediátrica do Hospital Infantil de Minnesota, em Minneapolis (EUA), Dra. Anupama Kalaskar, afirmou que embora a cepa do adenovírus 41 tenha sido identificada na maioria das crianças com lesões no fígado, ainda não se sabe exatamente como se dá essa correlação, ou seja, como o adenovírus desencadeou a hepatite. 

O mais comum é que o adenovírus 41, assim como o tipo 40, esteja associado a quadros como diarreia e mortalidade por diarreia, sobretudo em crianças. Portanto, para tentar compreender a existência de uma relação, ou não, entre o adenovírus e as causas da hepatite em crianças serão precisos novos testes.

No que a hepatite aguda em crianças se difere das demais?

A principal diferença entre a hepatite que vem acometendo o público infantil e as demais já conhecidas está no fato dela se manifestar, justamente, de forma aguda. Entre os sintomas rapidamente perceptíveis estão: febre, fadiga, perda de peso ou de apetite, náuseas, vômito, dor abdominal, urina escurecida, fezes de cor clara, dores nas articulações e icterícia.

As hepatites virais comuns, por sua vez, mesmo quando em crianças, costumam ser assintomáticas. É característica das hepatites virais, por sinal, serem silenciosas e, por isso, acabam tornando-se crônicas. Um artigo publicado na Revista Médica de Minas Gerais destaca que, como regra geral, a infecção tende a ser menos aparente quanto mais jovem for o paciente. Além disso, cerca de 85% dos pacientes com menos de 2 anos de idade costumam ser assintomáticos.  

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Hepatites virais e seus diferentes tipos

As hepatites são definidas como um grupo de doenças que provocam inflamação no fígado e se caracterizam por serem silenciosas. Quando ocorrem, contudo, os sintomas são os mesmos que vêm sendo observados nos casos de hepatite aguda em crianças. 

Sendo assim, conhecer as hepatites é essencial para adotar as condutas necessárias de orientação à população para fins de evitação da doença. 

Hepatite A

Tem como principais meios de transmissão as formas fecal-oral, contato entre indivíduos ou por meio de água e alimentos contaminados. Pode ser prevenida por meio de vacinação. Deve-se ainda orientar a população sobre a manutenção de boas condições de higiene e de saneamento básico, consumo de água tratada e evitação do contato com fontes de água desconhecidas.

Hepatite B

Transmitida por meio do contato com fluídos corporais de alguém infectado, como o esperma, sangue ou leite materno. Pode se tornar crônica em 10% dos casos. Assim como a hepatite A, pode ser evitada por meio de vacinação, que o bebê pode receber ao nascer, conforme previsto no calendário vacinal do Ministério da Saúde.  Outras medidas que devem ser orientadas são quanto ao uso de preservativos em todas as relações sexuais, a esterilização de materiais (e não compartilhamento) de uso pessoal, como cortadores de unha e lâminas de barbear, e descarte de materiais cirúrgicos.

Hepatite C

Tem como forma de contágio mais comum o contato com o sangue contaminado, que costuma se dar pelo uso de drogas injetáveis ou a má esterilização de materiais que envolvem o contato com sangue (objetos de manicure, piercings, materiais cirúrgicos).  Se torna crônica em 80% dos casos, em média. Como não existe vacina contra a hepatite C, as medidas de prevenção da doença são semelhantes às da hepatite B e tem o objetivo de diminuir a possibilidade de contato com sangue infectado.

Hepatite D

Como o agente infeccioso da hepatite D é dependente do vírus da hepatite B no organismo para que ocorra a infecção, prevenir a contaminação primária é o foco principal para evitar este tipo da doença. Por outro lado, quando a hepatite D infecta um portador de hepatite B crônica, pode ocorrer dano grave ao fígado, formas fulminantes de hepatite e até desenvolvimento rápido de cirrose.

Hepatite E

Raramente ocorre no Brasil, mas tem como principal forma de transmissão o meio fecal-oral, assim como o contato com água ou alimentos contaminados. A transmissão interpessoal não é comum. Além disso, não há vacina contra hepatite do tipo E, e as formas de prevenção a serem orientadas são as mesmas aplicadas contra a hepatite A.

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