Revisão de otites, sinusites, vertigens, amigdalites, apneia do sono e desvio de septo. Sinais clínicos para o encaminhamento adequado ao otorrino.
O otorrinolaringologista é um médico especializado no diagnóstico e tratamento de problemas que afetam o ouvido, o nariz, a garganta, os seios da face e outras estruturas relacionadas.
Isso significa que a atuação desse profissional impacta diretamente o bom desempenho de algumas das funções mais importantes do corpo, como fala, audição, olfato e respiração.
1. Otite
Trata-se de uma inflamação do ouvido que costuma ser dolorosa devido à infecção e ao acúmulo de secreção no local, ocasionando sintomas como febre, dor na região, secreção amarelada, apetite reduzido e dor de cabeça.
Além disso, o acúmulo de líquido pode provocar problemas de audição e sensação de pressão no ouvido. Em geral, ela pode ser causada por bactérias ou vírus, sendo classificada da seguinte forma:
- Externa: normalmente acontece por traumas decorrentes do uso excessivo de cotonetes;
- Média: costuma aparecer durante ou após resfriados, gripes ou infecções respiratórias;
- Interna: a mais grave, podendo causar diminuição da audição e tontura intensa.
As otites são diagnosticadas por meio do histórico de saúde, de um exame físico e de um exame auditivo. Outros testes incluem:
- Timpanometria;
- Timpanocentese;
- Exames de sangue, quando há suspeita de alterações imunológicas.
O tratamento é feito com o uso de antibióticos (quando indicado) e analgésicos, além de cuidados básicos. A drenagem de líquido ou a remoção da adenoide também podem ser indicadas em alguns casos.
2. Sinusite e rinite
Embora tenham alguns sintomas em comum, as duas condições apresentam causas e formas de tratamento diferentes. A rinite é uma inflamação da mucosa das cavidades nasais, podendo ser aguda ou crônica, e é bastante comum na população. Suas causas são, sobretudo, alérgicas ou virais (como resfriados e gripes).
Já a sinusite é a inflamação do revestimento interno das cavidades paranasais (seios da face). Na forma aguda, pode ter origem viral ou bacteriana. É comum o paciente apresentar dor na região frontal da cabeça, além de sintomas como pressão facial e congestão nasal, que podem se intensificar no inverno.
O otorrinolaringologista realiza a avaliação clínica e pode solicitar endoscopia nasal (nasofibroscopia flexível ou rígida) para análise detalhada da cavidade nasal.
O tratamento, na maioria dos casos, visa o controle dos sintomas e a melhora da qualidade de vida. Podem ser utilizados anti-histamínicos orais, lavagens nasais com soro fisiológico e corticoides intranasais.
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3. Apneia
A apneia do sono é uma doença crônica caracterizada pela obstrução das vias aéreas superiores durante o sono, causando pausas repetidas na respiração. Isso ocorre devido ao colapso das vias aéreas, impedindo a passagem adequada do ar.
O tratamento varia conforme a gravidade. Entre as principais recomendações estão a redução de fatores de risco (como obstrução nasal), perda de peso e evitar o consumo de álcool, especialmente antes de dormir.
Principais sintomas:
- Ronco;
- Sonolência diurna;
- Sensação de sufocamento;
- Dores de cabeça;
- Dificuldade de concentração;
- Irritabilidade, entre outros.
O diagnóstico é feito por meio da polissonografia, exame que avalia respiração, frequência cardíaca e padrões do sono.
4. Distúrbios do labirinto
O labirinto é uma estrutura do ouvido interno responsável pelo equilíbrio corporal, captando e transmitindo informações ao cérebro.
Além da labirintite, existem outras condições que podem afetar essa região, causando vertigem, perda auditiva, desequilíbrio, zumbido, náuseas e vômitos. As principais condições incluem:
- Cinetose;
- Neurite vestibular;
- Doença de Ménière;
- VPPB (Vertigem Posicional Paroxística Benigna).
O otorrinolaringologista realiza a avaliação do sistema vestibular, utilizando testes específicos para diagnóstico. O tratamento geralmente envolve medicamentos para controle das crises, reduzindo tonturas e sintomas associados.
5. Amigdalite
Consiste na inflamação das amígdalas, estruturas localizadas no fundo da garganta que fazem parte do sistema imunológico. Os principais sintomas incluem dor de garganta, febre, dor ao engolir, presença de placas nas amígdalas, alteração na voz e aumento dos gânglios.
Embora seja mais comum em crianças, pode ocorrer em qualquer idade.
Na maioria dos casos, é autolimitada, com melhora entre cinco e sete dias.
O diagnóstico é clínico. Nas formas bacterianas, é comum a presença de pus e aumento das amígdalas. Nas virais, os sintomas tendem a ser mais leves, podendo haver aumento dos gânglios.
O tratamento pode incluir analgésicos, anti-inflamatórios e antibióticos (quando indicado). Em casos recorrentes, pode-se considerar a cirurgia (amigdalectomia).
6. Faringite
É uma inflamação da faringe, estrutura que conecta a boca e o nariz aos sistemas respiratório e digestivo.
Pode ter origem infecciosa (viral ou bacteriana) ou estar associada a irritações, alergias ou condições como refluxo gastroesofágico, mononucleose e gonorreia.
Os sintomas mais comuns são dor de garganta e dificuldade para engolir, geralmente com duração de cinco a sete dias. O tratamento envolve medidas para alívio dos sintomas, controle da inflamação e cuidados gerais para suporte à recuperação.
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FAQ
O que causa a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) e qual é o seu tratamento mecânico?
A VPPB é causada pelo deslocamento de otólitos (cristais de carbonato de cálcio) para dentro dos canais semicirculares do ouvido interno, interferindo na percepção do equilíbrio.
O tratamento é mecânico e consiste em manobras de reposicionamento, como a manobra de Epley, realizadas em consultório para reposicionar esses cristais e aliviar os sintomas.
Como diferenciar clinicamente uma rinossinusite aguda de etiologia viral de uma bacteriana?
A rinossinusite viral costuma apresentar sintomas mais leves, com duração de até 7 a 10 dias e melhora progressiva.
Já a bacteriana tende a persistir por mais de 10 dias sem melhora, ou piorar após um quadro inicial (piora bifásica), além de apresentar sinais mais intensos, como dor facial importante, secreção nasal purulenta e febre alta.
Quais são os critérios clínicos para indicação cirúrgica de amigdalectomia em crianças com infecção de repetição?
A indicação cirúrgica geralmente segue critérios como: sete ou mais episódios de amigdalite em um ano, cinco episódios por ano durante dois anos consecutivos ou três episódios por ano durante três anos. Também se considera a gravidade dos quadros, complicações associadas e impacto na qualidade de vida da criança.
Como o otorrinolaringologista conduz o diagnóstico e o manejo da síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS)?
O diagnóstico é feito com base na história clínica, exame físico e confirmação por polissonografia. O tratamento depende da gravidade e pode incluir medidas comportamentais (como perda de peso), uso de CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas) e, em alguns casos, intervenção cirúrgica para correção de obstruções anatômicas.
Qual é a conduta médica indicada diante de um quadro de otite média aguda purulenta na infância?
A conduta pode variar conforme a idade e a gravidade. Em muitos casos, indica-se analgesia e observação inicial.
Quando há sinais de infecção bacteriana mais evidente, dor intensa ou febre persistente, pode ser necessário o uso de antibióticos, conforme avaliação médica.
Quando o desvio de septo nasal deixa de ser anatômico e passa a ter indicação cirúrgica (septoplastia)?
A septoplastia é indicada quando o desvio causa sintomas relevantes, como obstrução nasal persistente, dificuldade respiratória, sinusites de repetição ou impacto na qualidade de vida, e não responde ao tratamento clínico.
Quais são as principais causas de perda auditiva neurossensorial súbita e como conduzir a urgência?
As causas podem incluir infecções virais, alterações vasculares, doenças autoimunes ou serem idiopáticas. Trata-se de uma urgência médica, e o tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível, geralmente com corticosteroides, para aumentar as chances de recuperação auditiva.
Como é feito o diagnóstico clínico e terapêutico do zumbido crônico no ouvido (tinnitus)?
O diagnóstico envolve anamnese detalhada, exame físico e avaliação audiológica. O tratamento depende da causa e pode incluir reabilitação auditiva, uso de aparelhos auditivos, terapia sonora e abordagens comportamentais para reduzir o incômodo.
Quais os riscos associados ao uso crônico e indiscriminado de sprays nasais vasoconstritores descongestionantes?
O uso prolongado pode levar à rinite medicamentosa, caracterizada por efeito rebote e piora da obstrução nasal. Também pode causar dependência, irritação da mucosa e redução da eficácia ao longo do tempo.
Como diferenciar a labirintite inflamatória verdadeira de outras causas de tontura e tontura posicional?
A labirintite verdadeira geralmente está associada a um quadro inflamatório ou infeccioso, com vertigem intensa e sintomas auditivos.
Já outras causas, como a VPPB, apresentam tontura desencadeada por movimentos específicos da cabeça, sem sinais inflamatórios sistêmicos. A avaliação clínica e testes específicos ajudam no diagnóstico diferencial.
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