Esquizofrenia: entenda os sintomas, causas e tratamento desse grave transtorno psicótico

A esquizofrenia é um entre diversos transtornos psicóticos reconhecidos pela American Psychiatric Association (APA) e com forte estigma social desde a época dos grandes manicômios.

O paciente diagnosticado como esquizofrênico sofre de uma forte desorganização mental, muitas vezes chamada simplesmente de “loucura”, um termo pejorativo e carregado de preconceitos.

Contudo, a esquizofrenia é um transtorno sério, que pode causar grande dor psicológica para o indivíduo, família e sociedade e carece de atenção multiprofissional para conter os sintomas e promover uma vida com relativo bem-estar.

Quer saber mais sobre a esquizofrenia e os principais tratamentos? Então, fique por aqui e leia o conteúdo que fizemos para você!

‍O que é a esquizofrenia?

Os transtornos esquizofrênicos são caracterizados por distorções fundamentais das características do pensamento, alucinações visuais e auditivas, de percepção e por afetos inapropriados ou embotados.

Em geral, os pacientes mantêm alguma clareza de consciência e capacidade intelectual, mas apresentam déficits cognitivos que podem evoluir em diferentes graus com o tempo, principalmente quando não estiver em tratamento.

O surgimento do transtorno é notado primeiramente pela família e amigos, que percebem uma mudança no comportamento da pessoa. Ela passa a ter mau rendimento em áreas da vida cotidiana, como na escola, no trabalho ou nas relações sociais e familiares.

A evolução dos transtornos esquizofrênicos pode ser contínua, episódica e ainda incluir um ou vários episódios seguidos de remissão completa ou incompleta, intercalados por crises que necessitam de internação hospitalar.

Cerca de 1% da população é acometida pela esquizofrenia, geralmente, iniciada antes dos 25 anos. É extremamente raro o aparecimento do transtorno antes dos 10 anos ou após os 50 anos. A incidência é semelhante entre homens e mulheres.

‍Quais são sintomas da esquizofrenia?

Os sintomas da esquizofrenia podem ser agrupados em dois tipos: positivos e negativos. Os positivos são mais visíveis e exuberantes. Os negativos são, em maior parte, classificados por alguns déficits.

Os sintomas positivos são:

  • alucinações (mais comuns auditivas e visuais e, menos comuns, táteis e olfativas);
  • delírios (persecutórios, de grandeza, de ciúmes, somáticos, místicos, fantásticos);
  • perturbações da forma e do curso do pensamento, como incoerência, prolixidade, desagregação;
  • comportamento desorganizado, bizarro;
  • agitação psicomotora;
  • negligência dos cuidados pessoais.

Os sintomas negativos incluem:

  • ‍falta de repertório do pensamento e da fala;
  • embotamento ou rigidez afetiva;
  • prejuízo do pragmatismo;
  • incapacidade de sentir emoções e prazer;
  • isolamento social;
  • diminuição de iniciativa e da vontade.

Quais são os tipos de esquizofrenia?

‍Existem alguns tipos de esquizofrenia agrupadas conforme os sintomas apresentados pelos pacientes. A classificação do subgrupo auxilia no diagnóstico e, consequentemente, na estratégia terapêutica a ser utilizada.

Os tipos de esquizofrenia são:

  • paranoide — o paciente apresenta ideias delirantes com frequência, de caráter persecutório, na maioria das vezes acompanhadas de alucinações auditivas e de perturbações das percepções;
  • hebefrênica — as ideias delirantes e as alucinações são fugazes e fragmentárias, o comportamento é irresponsável e imprevisível e há, com frequência, maneirismos;
  • catatônica — é dominada por distúrbios psicomotores proeminentes que podem alternar entre extremos, como hipercinesia e estupor, ou entre a obediência automática e o negativismo;
  • indiferenciada — afecções psicóticas que preenchem os critérios diagnósticos gerais para a esquizofrenia, mas que não correspondem a nenhum dos subtipos incluídos em outros diagnósticos, chamada também de atípica.
  • residual — estágio crônico da evolução de doença esquizofrênica, com progressão nítida de um estágio precoce para um tardio.

‍Quais são as causas da esquizofrenia?

Embora não seja possível determinar a origem do transtorno psicótico, há evidências científicas de que existe uma forte contribuição de fatores genéticos na determinação do risco para esquizofrenia.

De toda forma, a questão genética não é determinante, porém é um indicativo para monitoramento, principalmente se já tiver histórico familiar. O mais aceito hoje é que o transtorno é resultado de uma combinação de fatores genéticos, cerebrais e ambientais.

Sobre os fatores ambientais, os estudos mostram associação entre complicações na gestação e no parto, doenças identificadas no período de formação do sistema nervoso do feto com o desenvolvimento da esquizofrenia.

O que se sabe é que a esquizofrenia é uma doença relacionada a um desequilíbrio neuroquímico, com hiperexcitabilidade em algumas regiões do cérebro e inatividade de outras, o que justificaria os sintomas apresentados pelos pacientes.

Como fazer o diagnóstico da esquizofrenia?

O diagnóstico deve ser feito com base no histórico psiquiátrico, pela observação dos familiares e no exame do estado mental do paciente. As perturbações características da esquizofrenia duram pelo menos 6 meses e incluem sintomas da fase ativa e da fase negativa.

Para tanto, é fundamental buscar ajuda clínica especializada, que fará o diagnóstico diferencial, descartando outras possibilidades patológicas que apresentam similaridade nos sintomas apresentados pelos pacientes.

Além disso, o médico psiquiatra faz um prognóstico, considerando a evolução e o tipo da doença, a histórica clínica e medicamentosa pregressa, além dos episódios de crise que necessitaram de intervenção hospitalar.

‍Qual é o tratamento da esquizofrenia?

O tratamento da esquizofrenia consiste no uso de antipsicóticos em monoterapia ou em associação com outros medicamentos e psicoterapia. Esse processo envolve a reversão dos sintomas positivos do transtorno, mais facilmente revertidos com o uso de medicamentos do que os negativos. Em casos mais graves pode ser necessária internação.

Para tanto, o médico deve explicar detalhadamente o tratamento, como usar os medicamentos (horário, se necessita de jejum etc.), alertar sobre as possíveis reações adversas e quais exames devem ser feitos para monitorização da terapia.

É fundamental que nessa etapa se estabeleça uma relação terapêutica de confiança, a fim de garantir a adesão medicamentosa, reduzir as crises e os sintomas positivos e negativos e melhorar a condição de vida.

Sendo assim, o médico psiquiatra deve estabelecer visitas de acompanhamento periódico do tratamento do paciente para identificar a evolução, a tolerabilidade aos medicamentos e modificar o esquema proposto em casos de necessidade.

‍Você já tratou ou teve contato com uma pessoa diagnosticada com esquizofrenia?

A esquizofrenia é uma doença relativamente comum e ainda bastante estigmatizada, porém, com o tratamento personalizado, é possível assistir o paciente e reintegrá-lo ao cotidiano familiar e profissional.

Além disso, é fundamental que haja acolhimento e compreensão por parte da equipe multiprofissional e acompanhamento familiar, pois é uma doença que não tem cura, mas tem controle.

Diante disso, se você já tratou ou teve contato com alguma pessoa diagnosticada com esquizofrenia, é possível observar que cada uma apresenta sintomas diferentes e necessita de abordagens diferenciadas.

Portanto, a chave para o tratamento humanizado, efetivo e seguro para o paciente com esquizofrenia é buscar oferecer a estratégia que minimiza os riscos de crise e facilite a adesão medicamentosa.

A esquizofrenia é uma doença psiquiátrica relativamente frequente nos dias de hoje, devido à clareza no diagnóstico. Por isso, é importante instituir medidas terapêuticas efetivas, seguras e convenientes ao paciente e à família, esclarecendo sobre os riscos e benefícios do tratamento instituído. Além disso, a relação terapêutica deve ser fortalecida e confiável para evitar má adesão ao tratamento.

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