As diretrizes para o manejo de pacientes com demência que manifestam sintomas de agitação ou psicose foram atualizadas pela American Psychiatric Association (APA). As novas recomendações se baseiam em estudos científicos e evidências, com o objetivo avaliar os riscos e benefícios da utilização de antipsicóticos nesse contexto.
Diante de uma população idosa que cresce exponencialmente na maioria dos países, naturalmente o número de pacientes com demência aumenta. E uma parcela significativa dos cidadãos adultos que hoje apresentam esse tipo de problema tem grandes chances de experimentar sintomas de agitação ou psicose quando na idade senil. Durante muito tempo, os fármacos mais utilizados para tratar os sintomas da demência foram os antipsicóticos. No entanto, efeitos adversos consideráveis e pouca significância no tratamento clínico foram observados em relação ao uso desses medicamentos. A partir das evidências encontradas para analisar a efetividade e segurança do uso antipsicóticos, a APA desenvolveu novas diretrizes para o manejo desses sintomas. Continue conosco e sabia tudo sobre as atualizações neste artigo que preparamos!
Como os antipsicóticos agem no tratamento da demência?
Antes de explanar sobre as novas diretrizes, vamos relembrar como é a ação farmacológica dos fármacos antipsicóticos no organismo. Segundo um estudo publicado pela Revista Brasileira de Psiquiatria, para o tratamento de sintomas da demência podem ser administrados antipsicóticos típicos e atípicos.
Mecanismo de ação dos antipsicóticos típicos
Esses fármacos são considerados de primeira geração e apresentam grande afinidade a receptores dopaminérgicos D2, com ação antagonista. Entretanto, a partir do bloqueio desses receptores, sintomas adversos, como reações extrapiramidais, podem surgir no decorrer da administração crônica. O haloperidol e a clorpromazina são exemplos de antipsicóticos típicos.
Mecanismo de ação dos antipsicóticos atípicos
Os antipsicóticos atípicos representam a segunda geração e demonstram maior afinidade para receptores serotoninérgicos 5HT2 do que para os dopaminérgicos D2. Dessa maneira, a manifestação de sintomas extrapiramidais é diminuída e esses medicamentos são mais bem tolerados. Exemplos dessa classe são a clozapina, a olanzapina, a risperidona e a quetiapina. Pesquisas começaram a ser desenvolvidas para a avaliação do uso desses medicamentos no tratamento dos pacientes com demência. E a partir de evidências encontradas, como a publicação no JAMA Psychiatry em 2015, sabe-se que esses fármacos podem causar um aumento de alguns efeitos adversos, como prejuízos cognitivos, e podem elevar as taxas de mortalidade em pacientes idosos com demência.
O que dizem as diretrizes da American Psychiatric Association?
As diretrizes focam diretamente no uso de antipsicóticos para o tratamento dos sintomas de agitação e psicose em pacientes com demência, sem avaliar ou focar em evidências relacionadas a outros sintomas ou intervenções farmacológicas. As recomendações têm o intuito de auxiliar médicos, cuidadores, farmacêuticos e outros profissionais da saúde na tomada de decisão e maneira de administração desses medicamentos. Confira abaixo as principais atualizações publicadas:
Uso de antipsicóticos não emergenciais
Quando os sintomas de demência e psicose forem graves, causarem potencial perigo e/ou danos ao próprio paciente ou pessoas ao seu redor, os antipsicóticos não emergenciais devem ser utilizados. Nesses casos é fundamental avaliar importantes aspectos do tratamento e determinar a frequência e severidade dos sintomas, assim como as consequências que a agitação ou psicose causam na qualidade de vida dos indivíduos com demência. Dessa maneira, ao observar as causas e natureza dos sintomas, é possível reavaliar alternativas não farmacológicas e farmacológicas, decidindo quais intervenções são as mais adequadas para o paciente de acordo com suas necessidades.
Intervenções não farmacológicas
Intervenções não farmacológicas devem ser avaliadas antes da implementação da terapia medicamentosa com antipsicóticos não emergenciais. De acordo com a APA, intervenções não farmacológicas podem apresentar inúmeras vantagens no tratamento desses pacientes. Essas alternativas têm como principal objetivo desenvolver as habilidades dos indivíduos com demência, prezar pelo bem-estar e reduzir a percepção do peso da doença.
Progressão do tratamento medicamentoso
Se a avaliação de riscos e benefícios justificarem o tratamento medicamentoso, este deve iniciar com doses mais baixas do que as usuais e aumentar gradualmente até que a dose mínima efetiva seja atingida. Nesse ponto, é muito importante observar a resposta clínica e como cada paciente tolera as doses administradas. Desse modo, os efeitos adversos são geralmente minimizados, mas os indivíduos devem ser acompanhados de perto caso ocorram sintomas e manifestações emergenciais devido à subdose da medicação durante o início.
Descontinuação dos antipsicóticos
A APA também recomenda que, se os pacientes com demência não apresentarem respostas clínicas significativas após 4 semanas de tratamento com a dose terapêutica adequada, a medicação deverá ser descontinuada. É importante levar essa questão em consideração, uma vez que é irracional arriscar por um tratamento que tem chances consideráveis de causar potenciais efeitos adversos sem que nenhum benefício clínico seja observado. Ainda, se os sintomas graves que causam perigo ou danos aos pacientes e pessoas próximas persistirem, o indicado é que outros antipsicóticos sejam utilizados, sendo que sua eficácia e segurança também devem avaliados de perto.

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