Tecnologia nos avanços das imunizações e seus benefícios

As vacinas são substâncias biológicas introduzidas no corpo dos indivíduos a fim de que eles desenvolvam uma resposta imunológica a determinada doença. Segundo o portal  History of Vaccines, esse conceito surgiu ainda em 1798, quando o médico inglês Edward Jenner decidiu testar um soro criado a partir de material coletado das feridas de varíola dos úberes das vacas de ordenha e testá-lo em um garoto.

De lá para cá, o avanço das imunizações foram muitos e seus efeitos sociais vão desde economia em razão da eficácia e do excelente custo-benefício gerado pelas vacinas até impedimento ou contenção de epidemias/pandemias, como se viu recentemente com a Covid-19. São esses avanços que serão abordados neste conteúdo.

Engenharia genética e impulsionamento das vacinas

O investimento na descoberta de imunizantes eficientes foi responsável pela erradicação de doenças como a varíola e poliomielite e controle efetivo de outras doenças como difteria, sarampo, caxumba, rubéola e tétano, por exemplo.

Essas vacinas, no entanto, foram desenvolvidas a partir do mesmo tipo de mecanismo durante anos e, só de algumas décadas para cá esse campo vem ganhando novas linhas de atuação com a inserção da engenharia genética no desenvolvimento dos imunizantes.

A primeira mudança significativa em torno da produção de um imunizante se deu com a vacina contra hepatite B. Por meio da tecnologia recombinante, cientistas puderam reproduzir o antígeno fora do ambiente original, de modo que nenhum agente infeccioso vivo ou componente tóxico desse agente precisasse ser manuseado. Além de gerar mais segurança, a quantidade de antígeno obtida e a pureza do produto foram melhoradas por meio da técnica, o que levou a efeitos colaterais minimizados e menor custo de produção dos imunizantes.

Outro exemplo do efeito da engenharia genética sobre os imunizantes pode ser visto na criação de vacinas à base de polissacarídeos conjugado a um carreador toxóide, que é capaz de converter antígenos T-independentes (que afetam a imunogenicidade) em antígenos T-dependentes. Foi essa abordagem, por exemplo, que levou ao desenvolvimento da vacina conjugada de polissacarídeo pneumocócica 7-valente conhecida como Prevnar (Wyet), aprovada nos Estados Unidos nos anos 2000, assim como da Menactra (Sanofi-Pasteur), meningocócica quadrivalente desenvolvida também nos Estados Unidos, em 2004.

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Pesquisa genômica e avanço das vacinas

A pesquisa genômica levou o estudo e desenvolvimento das vacinas a um novo nível, uma vez que é possível clonar genomas inteiros tanto em vetores bacterianos quanto em leveduras, permitindo maior amplitude da manipulação desses agentes infecciosos. Isso significa que a técnica permite um design muito mais rápido e personalizado do organismo estudado para uso em imunizantes.

As vacinas contra a gripe são exemplos de como isso é feito. A partir da clonagem das proteínas das superfícies das cepas circulantes em plasmídeos, é possível fazer a coexpressão delas em um conjunto de genes backbone, responsável por alto crescimento em ovos, mas atenuado em humanos, o que faz com que as vacinas tenham alto rendimento e segurança.

Outra evolução fica por conta do uso de adjuvantes. De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), uma vez adicionado à vacina, o adjuvante tem o papel de potencializar a resposta imunológica ao antígeno. Vale observar ainda que os adjuvantes não agem apenas quantitativamente. A análise qualitativa deles mostra que são capazes de induzir diferentes frentes do sistema imunológico e ampliar o escopo dos imunógenos cobertos. Esse tipo de avanço significa menor custo, gerado tanto pelo uso de doses mais baixas quanto pela eliminação de doses de reforço.

O avanço das imunizações na corrida contra a Covid-19

O desenvolvimento das vacinas contra a Covid-19 deixou claro como o contexto de produção de imunizantes se modificou ao longo dos anos. E não foi apenas a velocidade da “descoberta” da vacina que surpreendeu. Além do esforço multissetorial de pesquisa, as diferentes frentes em que elas foram coordenadas permitiu a chegada a respostas mais rápidas e diferenciadas.

Apenas para que se tenha ideia dessas frentes, vale destacar alguns dos procedimentos de pesquisa coordenados por diferentes laboratórios durante o processo das vacinas contra a Covid-19, conforme destaque do Centro de Pesquisa em Ciência, Tecnologia e Sociedade (IPEA) à época da corrida pelas vacinas.

  • Vacinas virais – tipo de tecnologia usada em muitas vacinas desde 1950. Nesses casos, elas são criadas a partir de vírus atenuados ou inativados.

  • Vacinas de vetores virais – criada a partir da modificação genética de um vírus não causador da doença para que ele funcione como um carreador ou vetor, com genes capazes de codificar a produção de proteína antigênica e a resposta imune.

  • Vacinas de ácidos nucleicos – desde os estudos iniciais se mostraram bastante promissoras por serem de fácil produção. Essas são as vacinas compostas por tecnologia de DNA ou RNA mensageiro (mRNA) que dá instruções ao organismo para que proteínas encontradas na superfície do novo coronavírus sejam produzidas e, assim, estimulam a resposta imune.

  • Vacinas proteicas – essas vacinas seriam produzidas a partir de fragmentos do vírus. No caso da Covid-19, a proteína S (Spike) seria esse fragmento e então, a partir dessas partículas, o organismo perceberia a presença do agente estranho e desencadearia a resposta imunológica.

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Como se viu, o avanço das vacinas de ácidos nucleicos tem beneficiado muitas pessoas durante a pandemia de Covid-19, graças a seu alto nível de proteção contra morbidade e mortalidade.

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