Carreira médica: o papel da medicina genômica na prevenção e combate ao câncer

Nosso passado explica muito sobre o nosso presente e o nosso futuro. Na saúde, essa máxima é bastante real. Muitas condições, doenças e características que marcam a nossa saúde ao longo da vida já foram impressas no código fonte da nossa existência, o DNA. O aparecimento de algumas doenças já estão marcadas no nosso código genético. Até mesmo tumores e neoplasias podem ocorrer por questões que remetem ao DNA.

Neste artigo, vamos explorar como a medicina genômica pode auxiliar médicos no diagnóstico e tratamento de doenças, em especial aquelas oncológicas.

O que é a medicina genômica?

Cientistas e profissionais clínicos da medicina genômica se debruçam sobre o código genético para investigar a saúde dos pacientes. Por meio de dados obtidos em análise do DNA, esses profissionais são capazes de detectar diversas doenças que já se manifestaram no paciente ou ainda podem surgir ao longo de sua vida. Podem, também, entender melhor uma doença por meio da análise de material genético do tecido atingido, entre outras possibilidades.  

Os dados obtidos em um exame genético oferecem informações sobre a rede de predisposições genéticas de uma pessoa, permitindo que o médico geneticista monitore a saúde de um paciente.  

A medicina genômica é tão relevante na atualidade que já é entendida também como uma terceira vertente da medicina diagnóstica, que se une às abordagens tradicionais por imagem.

Medicina genômica e oncologia

A medicina genômica serve ao combate ao câncer pois pode ser utilizada para estudar a estrutura do genoma das células cancerígenas. Ou seja, a análise do DNA ou RNA das células tumorais. Esse método de análise é uma ferramenta poderosa para ajudar médicos na tomada de decisões sobre diagnóstico, tratamentos e terapias.  

Especialistas em oncologia lembram que a medicina genômica pode servir ao tratamento do câncer como os métodos diagnósticos por imagem servem a outras especialidades, como a ortopedia e a neurologia.  

Nos últimos 10 anos, a análise do genoma de tumores se tornou uma ferramenta fundamental para profissionais da oncologia e pacientes em tratamento contra o câncer. Os principais objetivos deste exame estão relacionados a:  

  • Auxílio diagnóstico
  • Estratificação prognóstica
  • Definição terapêutica

O exame deve ser realizado utilizando uma amostra do tumor do paciente. Os testes em laboratório são utilizados neste para pesquisa de mutações em genes específicos. Quando presentes, essas mutações podem indicar maior ou menor probabilidade de resposta a tratamentos específicos.  

Um bom exemplo diz respeito a pesquisa de mutações no gene BRAF. Quando identificada, essa mutação pode indicar a presença de melanoma metastático. Isso confere sensibilidade a tratamentos com inibidores de BRAF.  

Outros genes frequentemente estudados são o KRAS, NRAS, EGFR, KIT, entre outros. Estes genes podem ser avaliados individualmente ou em painéis multigênicos, a critério do oncologista responsável pelo paciente.  

Diversos testes genômicos podem ser utilizados na prática da oncologia. Por exemplo, testes que fazem a pesquisa de mutação nos genes BRCA1, BRCA2, TP53.  

Todos os testes para tumores e neoplasias devem ser solicitados com o apoio de um geneticista clínico, que ajudará na interpretação dos resultados e no aconselhamento genético do paciente e sua família.  

Pós-graduação em Medicina Genômica

O curso de pós-graduação em Medicina Genômica da Afya Educação Médica, ex-IPEMED tem como objetivo capacitar o aluno para a compreensão do conhecimento sobre genômica no diagnóstico e tratamento em doenças cardíacas, neurológicas e neoplasias.  

A formação é especialmente interessante para médicos especialistas em oncologia clínica ou cirúrgica, mastologia, coloproctologia, dermatologia, cardiologia, neurologia interessados na compreensão dos fenômenos genéticos e sua relação com o câncer, doenças neurológicas e doenças cardiovasculares. O curso é oferecido em parceria com BP Educação e Pesquisa.

O que você pensa sobre as possibilidades da medicina genômica?

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