Entenda o diagnóstico e o manejo terapêutico de doenças como candidíase, dermatofitoses, histoplasmose e paracoccidioidomicose.
As principais doenças causadas por fungos incluem candidíase, pitiríase versicolor, esporotricose e onicomicose. Elas podem afetar pele, unhas, boca, vagina e até órgãos internos, especialmente em pessoas com imunidade baixa. Entender os sintomas e o tratamento ajuda a identificar o problema cedo e evitar complicações.
O que são fungos?
Fungos são organismos eucarióticos pertencentes ao reino Fungi. Eles não produzem seu próprio alimento, por isso são classificados como heterotróficos. Em vez de realizar fotossíntese, absorvem nutrientes do ambiente em que vivem.
Esses organismos podem ser unicelulares, como as leveduras, ou multicelulares, como bolores e cogumelos. Sua parede celular é composta por quitina, o que os diferencia das plantas, que possuem celulose.
Os fungos exercem papel essencial nos ecossistemas, pois participam da decomposição da matéria orgânica e da ciclagem de nutrientes. Além disso, podem estabelecer relações simbióticas com outros organismos, como plantas e algas.
Como os fungos se desenvolvem?
Os fungos se desenvolvem a partir da absorção de nutrientes de materiais orgânicos. Para isso, utilizam estruturas chamadas hifas, filamentos finos e ramificados que exploram o ambiente e captam substâncias essenciais para o crescimento.
O conjunto de hifas forma o micélio, que corresponde à parte vegetativa do fungo. Esse micélio se espalha sobre o substrato e permite que o organismo cresça rapidamente em condições favoráveis.
A reprodução pode ocorrer de forma sexuada ou assexuada. Na reprodução assexuada, há produção de esporos ou fragmentação do micélio. Na reprodução sexuada, ocorre fusão de estruturas fúngicas, com formação de diferentes fases do ciclo de vida, dependendo da espécie.
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Como os fungos são classificados?
A classificação dos fungos se baseia principalmente em suas estruturas reprodutivas, formas de dispersão e características microscópicas. Entre os principais grupos estão:
- Chytridiomycota, associados a ambientes aquáticos;
- Zygomycota, grupo tradicional relacionado à decomposição de matéria orgânica;
- Ascomycota, que inclui leveduras, bolores e algumas espécies de cogumelos;
- Basidiomycota, que reúne muitos cogumelos macroscópicos;
- Glomeromycota, associado à formação de micorrizas com plantas;
- Neocallimastigomycota, fungos anaeróbios encontrados no trato digestivo de herbívoros;
- Blastocladiomycota, com espécies saprotróficas e parasitas.
Essa diversidade mostra que os fungos podem viver em diferentes ambientes e exercer funções benéficas ou patogênicas.
Relações simbióticas e nutrição
Os fungos podem viver como sapróbios, parasitas ou simbiontes. Os sapróbios obtêm nutrientes de matéria orgânica morta e atuam como decompositores.
Os parasitas retiram nutrientes de hospedeiros vivos e podem causar doenças em plantas, animais e seres humanos.
Entre as associações simbióticas mais conhecidas estão as micorrizas, que envolvem fungos e raízes de plantas, e os líquens, que resultam da associação entre fungos e algas ou cianobactérias.
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Fungos fazem mal à saúde?
Nem todos os fungos causam doenças. Muitos são úteis para a produção de alimentos, bebidas e medicamentos.
Algumas espécies são usadas na fermentação de pão, cerveja e vinho, além da fabricação de queijos e de produtos à base de soja. Outros fungos são importantes na produção de antibióticos.
Por outro lado, algumas espécies podem causar infecções cutâneas, mucosas, subcutâneas ou sistêmicas. A gravidade depende da espécie do fungo, da via de contágio e do estado de saúde da pessoa infectada.
Pessoas com imunidade preservada costumam apresentar infecções localizadas e mais leves. Já pacientes imunossuprimidos podem desenvolver quadros mais extensos e graves.
Quais são os principais fatores de risco?
As infecções fúngicas podem afetar qualquer pessoa, mas alguns fatores aumentam o risco de adoecimento:
- Uso prolongado de antibióticos;
- Uso de corticosteroides;
- Quimioterapia;
- HIV e outras condições que reduzem a imunidade;
- Diabetes;
- Suor excessivo;
- Ambientes quentes e úmidos;
- Roupas muito justas ou pouco ventiladas;
- Contato frequente com solo, plantas ou animais contaminados;
- Lesões na pele ou nas unhas;
- Higiene inadequada de objetos de uso pessoal.
Esses fatores favorecem a proliferação de fungos em áreas abafadas, úmidas ou com defesa imunológica reduzida.
Quais são doenças causadas por fungos?
As principais doenças causadas por fungos incluem candidíase, pitiríase versicolor, esporotricose e onicomicose. Elas podem afetar pele, unhas, boca, vagina e, em casos mais graves, órgãos internos, especialmente quando há queda da imunidade.
Quais são as principais doenças de fungos e o que causam?
As principais doenças causadas por fungos incluem candidíase, pitiríase versicolor e esporotricose. Elas podem provocar sintomas na pele, nas mucosas e, em alguns casos, em outras partes do corpo, variando de manchas e coceira a lesões mais graves.
Candidíase
A candidíase é uma infecção causada por fungos do gênero Candida, que fazem parte da microbiota normal de muitas pessoas. Em condições habituais, esses microrganismos convivem com o organismo sem provocar sintomas.
Quando há desequilíbrio, eles podem se multiplicar e causar infecção. A candidíase pode atingir diferentes partes do corpo, mas os quadros mais conhecidos são a candidíase vaginal e a candidíase oral.
Candidíase vaginal
A candidíase vaginal costuma provocar:
- Coceira intensa;
- Corrimento branco e espesso;
- Ardor ao urinar;
- Desconforto durante a relação sexual;
- Vermelhidão e inchaço na região genital.
Entre os fatores que favorecem o quadro estão gravidez, diabetes, uso de antibióticos, alterações hormonais e imunidade baixa. O diagnóstico é geralmente clínico e pode ser complementado por exame microscópico ou cultura.
O tratamento é feito com antifúngicos tópicos ou orais, como fluconazol e nistatina, conforme orientação médica.
Candidíase oral
A candidíase oral, também chamada de sapinho, pode aparecer na boca, língua, gengivas, céu da boca e garganta. Os sintomas incluem:
- Placas brancas na mucosa;
- Dor ao engolir;
- Sensação de boca seca;
- Vermelhidão;
- Fissuras nos cantos da boca.
Em pessoas com imunidade comprometida, a infecção pode atingir o esôfago. O tratamento também envolve antifúngicos e controle dos fatores predisponentes.
Pitiríase versicolor
A pitiríase versicolor, conhecida como pano branco, é uma infecção superficial da pele associada a fungos do gênero Malassezia. Ela é mais comum em regiões quentes e úmidas e costuma ficar mais evidente no verão.
As lesões aparecem como manchas arredondadas, esbranquiçadas, amareladas ou acastanhadas, com descamação fina. As áreas mais afetadas incluem tronco, pescoço, ombros, braços e, em alguns casos, couro cabeludo.
O diagnóstico costuma ser clínico, mas pode ser confirmado por avaliação dermatológica. O tratamento geralmente é feito com antifúngicos tópicos e, em quadros extensos, pode ser necessário uso oral.
Esporotricose
A esporotricose é uma infecção causada por fungos do gênero Sporothrix. Esses fungos vivem no solo, em matéria vegetal, feno, musgo e outras fontes orgânicas.
A transmissão costuma ocorrer quando o microrganismo entra pela pele por pequenos ferimentos, arranhões ou cortes.
A doença também pode ser transmitida por gatos infectados, o que torna importante a atenção em pessoas que trabalham com jardinagem, agricultura, manejo de solo e cuidado com animais. Os sintomas mais comuns incluem:
- Nódulo pequeno e geralmente indolor;
- Ferida que cresce lentamente;
- Ulceração da lesão;
- Aparecimento de novas lesões ao longo dos vasos linfáticos;
- Vermelhidão, dor e inchaço;
- Febre e tosse em casos pulmonares.
Em formas graves, a infecção pode atingir articulações, ossos, pulmões ou sistema nervoso central.
O tratamento costuma ser feito com itraconazol. Em casos mais graves, pode ser necessária anfotericina B, especialmente quando há comprometimento sistêmico. A duração da terapia depende da forma clínica e da resposta do paciente.
Infecções fúngicas nas unhas
As infecções fúngicas das unhas, chamadas onicomicoses, são muito frequentes e podem atingir unhas dos pés e das mãos.
Em geral, são causadas por dermatófitos, como Trichophyton rubrum, embora outros fungos também possam estar envolvidos. Essas infecções costumam provocar:
- Espessamento da unha;
- Alteração de cor;
- Fragilidade;
- Descolamento da lâmina ungueal;
- Rachaduras;
- Deformidade;
- Às vezes, dor.
A transmissão pode ocorrer em ambientes úmidos, locais públicos, compartilhamento de instrumentos e uso prolongado de calçados fechados.
Quais são os fatores que aumentam o risco de fungo?
A onicomicose é mais comum em pessoas com:
- Diabetes;
- Má circulação;
- Insuficiência venosa;
- Trauma repetido nas unhas;
- Idade avançada;
- Imunidade reduzida;
- Sudorese excessiva;
- Contato frequente com ambientes úmidos.
Como é o diagnóstico e o tratamento?
O diagnóstico deve ser confirmado por exame laboratorial antes do início do tratamento, porque nem toda alteração ungueal é causada por fungos. O médico pode solicitar exame direto, cultura ou testes específicos.
O tratamento pode ser tópico, oral ou combinado. Em casos mais graves, pode ser necessário uso sistêmico por período prolongado. Mesmo após a melhora, a doença pode recidivar.
Como prevenir infecções por fungos?
Algumas medidas ajudam a reduzir o risco de infecção e recorrência:
- Manter a pele limpa e seca;
- Trocar roupas úmidas com frequência;
- Evitar permanecer muito tempo com roupa de banho molhada;
- Não compartilhar toalhas, calçados, alicates ou cortadores;
- Usar chinelos em vestiários, banheiros e piscinas públicas;
- Secar bem os pés após o banho;
- Preferir roupas íntimas de algodão;
- Controlar doenças como diabetes;
- Seguir corretamente o tratamento prescrito;
- Procurar avaliação médica ao surgir lesão persistente.
Quando procurar atendimento médico?
Procure avaliação médica quando houver:
- Manchas na pele que não melhoram;
- Coceira persistente;
- Alterações nas unhas;
- Feridas que aumentam;
- Corrimento vaginal recorrente;
- Placas brancas na boca;
- Febre com tosse ou perda de peso;
- Suspeita de esporotricose após contato com plantas ou gatos;
- Infecções repetidas ou de difícil controle.
Entender as principais doenças causadas por fungos é essencial para reconhecer sinais de alerta, iniciar o tratamento correto e evitar complicações.
Na prática clínica, esse conhecimento faz diferença em atendimentos de atenção primária, dermatologia, infectologia e outras áreas da saúde.
Por isso, aprofundar esse tema em uma pós-graduação em Dermatologia da Afya pode ser um passo estratégico para quem deseja ampliar a atuação profissional com mais segurança e precisão.
FAQ
Fungos sempre causam doença?
Não. Muitos fungos são benéficos e essenciais para o meio ambiente, para a produção de alimentos e para a medicina. Eles só causam doença em certas condições, como desequilíbrio do organismo ou baixa imunidade.
Candidíase é uma infecção sexualmente transmissível?
Na maioria dos casos, não. A candidíase ocorre principalmente por desequilíbrio da microbiota e por fatores de risco locais ou sistêmicos.
Pano branco passa de pessoa para pessoa?
A pitiríase versicolor não costuma ser considerada uma doença altamente contagiosa. Seu aparecimento está mais relacionado ao crescimento excessivo de fungos já presentes na pele.
Esporotricose pode ser transmitida por gatos?
Sim. Gatos infectados podem transmitir a doença por arranhões ou mordidas, o que exige atenção especial em áreas com casos registrados.
Micose de unha tem cura?
Sim. No entanto, o tratamento pode ser longo e depende da gravidade da infecção, da extensão da lesão e da adesão ao tratamento.
Fungos podem atingir órgãos internos?
Sim. Em pessoas com imunidade comprometida, algumas infecções fúngicas podem se tornar sistêmicas e atingir pulmões, ossos, fígado, cérebro e outros órgãos.
Antibiótico causa fungo?
O antibiótico não causa fungo diretamente, mas pode desequilibrar a microbiota e favorecer o crescimento excessivo de Candida.
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