Formar-se médico ou médica é realmente uma enorme conquista. Acontece que, mesmo com o diploma em mãos, uma série de novos desafios tem início. Um exemplo disso é seguir a carreira de medicina no interior.
Sabemos que os grandes centros, normalmente, possuem mais recursos e, consequentemente, boas oportunidades de emprego. Mas não é por isso que a profissão não pode ser promissora para quem está longe das grandes cidades.
Já pensou sobre isso? Confira o post a seguir para ficar por dentro desse assunto tão importante e conheça algumas alternativas para ser um médico de sucesso morando no interior.
1. O campo da medicina no interior
Como é o campo da medicina no interior é uma dúvida pertinente e comum a muitos médicos que têm interesse na área, mas não querem se mudar da sua região ou até mesmo desejam fugir da correria das cidades maiores em busca de um pouco de tranquilidade.
A realidade é que existe uma escassez desse tipo de profissional nos municípios do interior do Brasil. As capitais e regiões metropolitanas é que concentram a grande maioria dos médicos formados, ressaltando essa desigualdade de médicos por número de habitantes.
De acordo com o estudo Demografia Médica no Brasil (volume 04, de 2018), realizado pela Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), a conclusão dessa concentração é de que 55,1% dos profissionais estão à disposição de 23,8% da população — que vive nas maiores cidades brasileiras.
Nesse cenário, as 27 capitais nacionais apresentam 55,1% dos registros de médicos, sendo que apenas 23,80% das pessoas vivem nelas. Esses números indicam que realmente o interior é carente desse tipo de profissionais, já que mais da metade dos médicos está onde vivem menos de um quarto da população do país.
Por um lado, é uma boa perspectiva para quem pretende procurar trabalho nessas regiões — especialmente nos estados do Norte e Nordeste, onde há baixa concorrência. Por outro, mostra a grande competitividade existente nas grandes cidades.
Tal fato acaba gerando uma série de possíveis consequências. Uma delas é que, para enfrentar essa escassez, as ofertas podem ser bastante atrativas.
No estado de Alagoas, por exemplo, já houve um período em que foram noticiados, como atrativos, folgas e redução de carga horária para os médicos de algumas cidades do interior. Outro resultado são os grandes salários para tentar manter o profissional em determinado município.
Mas existem, também, os pontos negativos que contrabalanceiam tudo isso. Muitas vezes, o problema está na falta de estrutura da cidade, que não oferece muitas opções de lazer ou gastronomia.
Ou, então, a dificuldade é justamente a rotina médica em hospitais sem tantos recursos e funcionários, o que traz muita responsabilidade para o médico. Sem profissionais especialistas em determinada área, às vezes é preciso fazer de tudo um pouco — o que é cansativo, mas não deixa de ser uma oportunidade de aprendizado.
Enfim, ainda que seja um caminho desafiador, pode-se concluir que o interior brasileiro é carente de profissionais formados na área da saúde, o que torna o campo muito promissor nessas localidades.
Contudo, para se dar bem, vale a pena preparar-se antes de tomar essa decisão. Veja, a seguir, algumas dicas que podem ser úteis para isso.
2. Busque uma área de interesse
Um dos primeiros passos do médico recém-formado é buscar uma área de interesse para dar continuidade à sua carreira. Muitas vezes, é difícil fazer essa escolha, mas o ideal é que, durante a faculdade, cada um fique atento aos temas que pareçam mais atraentes.
Embora sejam muitos os campos de conhecimento — atualmente são mais de 50 possibilidades de carreiras da medicina — podemos destacar alguns dos mais conhecidos, como:
- Alergologia;
- Anestesiologia;
- Cirurgia;
- Cardiologia;
- Dermatologia;
- Ginecologia;
- Genética;
- Infectologia;
- Medicina do Trabalho;
- Medicina Legal;
- Neurologia;
- Obstetrícia;
- Oftalmologia;
- Ortopedia;
- Otorrinolaringologia;
- Pediatria;
- Psiquiatria;
- Radiologia;
- Urologia.
Com tantas opções, fica difícil escolher apenas uma especialidade. Entretanto, essa é uma etapa importante para ter uma carreira médica de sucesso, já que o mercado é muito competitivo e a especialização ajuda a adquirir um diferencial — e, consequentemente, melhores oportunidades de trabalho.
Pensando nisso, separamos algumas dicas para tentar facilitar esse momento repleto de dúvidas e incertezas.
Dicas para fazer a sua escolha
1. Uma boa indicação é fazer um teste vocacional específico para médicos. Ao responder uma série de perguntas, você conseguirá ter um perfil traçado e que pode ajudá-lo a optar por uma área ou outra.
Basta pesquisar na internet para encontrar testes online gratuitos. Ao final do questionário, eles vão apresentar os percentuais de afinidade que você possui com cada especialidade médica.
No entanto, se preferir um acompanhamento mais personalizado, uma outra opção é procurar um profissional que trabalhe com isso — como um coach de carreira.
2. Fazer pesquisas e ler sobre o assunto é outra maneira de se informar sobre todas as suas possibilidades, refletindo os prós e contras de cada ramo. Há diversos sites, blogs e livros que servem de referência para isso.
3. Considere o mercado de trabalho e como anda a remuneração de cada especialidade. Sua decisão não precisa ser baseada apenas nessa questão, mas isso também tem um peso considerável para sua segurança financeira e realização de sonhos pessoais.
4. Não fique preso às opiniões de outras pessoas. Apesar dos familiares e amigos quererem o seu bem, nem sempre os conselhos coincidem com as suas preferências e expectativas. Procure ouvir, por exemplo, o ponto de vista de pessoas que já atuam na sua área de interesse.
5. Pense no seu público, pois pode ser que os procedimentos lhe agradem, mas que você não tenha tanto jeito ou intenção de lidar com determinado perfil de paciente. Por exemplo, se não se sente tão confortável com o cuidado de idosos, é melhor não optar pela Geriatria. Da mesma forma, se você não tem aptidão para lidar com as crianças, a Pediatria não é o mais recomendado.
6. Analise o seu orçamento e faça uma pesquisa de valores. Alguns campos exigem maiores investimentos, tanto para formação quanto para os equipamentos e tecnologias que precisam ser adquiridos. Logo, é melhor estar ciente dos gastos aproximados com certa antecedência.
7. Enquanto não se decidir, saiba que a prática clínica, como generalista, é capaz de trazer boas contribuições para esse processo. Não tenha pressa e não tome decisões precipitadas — o mais importante é que a escolha final seja cuidadosa e consciente.
3. Faça uma pós-graduação nas áreas mais procuradas
Outra decisão de peso, que provavelmente o estudante formado em medicina terá que tomar, é fazer um curso de pós-graduação em medicina ou partir para a residência médica. Muitas pessoas acham que elas são a mesma coisa, mas é importante saber diferenciá-las.
Embora sejam experiências diferentes, os dois caminhos contribuem para capacitar melhor um médico que deseja se especializar. No caso da pós-graduação, trata-se de um curso que ajuda a aprimorar o conhecimento técnico do aluno.
Geralmente, professores com alto grau de especialização oferecem um aprofundamento da área escolhida, como Psiquiatria, Endocrinologia ou Gastroenterologia.
Ao final do curso de pós-graduação, o estudante não tem automaticamente o seu título de especialista, porém, tem o conhecimento teórico e prático para adquiri-lo. Para conquistar uma certificação reconhecida pela Associação Médica Brasileira é preciso fazer a prova de título de especialista.
Algumas instituições exigem a realização de um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), que é mais uma chance da pessoa se aprofundar no tema. De forma geral, fazer uma pós-graduação é uma boa pedida para quem quer se qualificar, tem como meta atuar como professor ou pesquisador ou não fez a prova de residência.
No caso de quem tem o desejo de trabalhar no interior, essa também é alternativa interessante. Como já vimos que a disponibilidade de profissionais nessas regiões é menor, o ideal é fazer uma boa pesquisa de quais são as áreas de trabalho mais requisitadas em cada local.
A grande vantagem é que esse tipo de curso normalmente ocorre aos finais de semana, o que permite que o médico consiga conciliar a vida profissional e acadêmica.
Então, durante o exercício da sua profissão, você poderá identificar (talvez com a ajuda de seus colegas) quais áreas oferecem melhores oportunidades. Em uma cidade com uma grande concentração de empresas, por exemplo, apostar na pós em Medicina do Trabalho pode ser bastante atraente.
Por esse motivo, também existem diversos casos de médicos que acabam dando novos rumos para suas carreiras. Cardiologistas que começam uma pós em Psiquiatria e se apaixonam pelo tema, residentes em Pediatria que depois se dedicam à Endocrinologia e definem uma nova especialidade.
Isto é, não há regras e o conhecimento é sempre bem-vindo, sobretudo quando conseguimos aliar um interesse verdadeiro a um bom espaço no mercado de trabalho local.
Por outro lado, fazer essa pesquisa de campo ajudará a diagnosticar quais áreas estão saturadas e quais não oferecem boas perspectivas. Imagine que o sonho de um estudante é trabalhar com genética avançada — parece claro que ele precisará de uma infraestrutura adequada para isso, certo? Ou seja, é preciso ter consciência de que provavelmente ele não encontrará isso nos interiores.
4. Aposte nos atendimentos de baixo custo
Ainda que existam municípios interioranos com bons índices de renda per capita, ao menos no começo da carreira é difícil garantir estabilidade sem ter um nome tão reconhecido. Isso se constrói com o tempo e, sendo assim, apostar nos atendimentos de baixo custo pode ser mais interessante nesse momento.
Embora seja uma estratégia que não proporcione grandes retornos financeiros a curto prazo, aos poucos é possível adquirir experiência e se tornar mais conhecido na região. Depois, outros caminhos mais independentes começam a surgir, como investir em um consultório próprio.
Mas, de forma geral, as clínicas populares são capazes de oferecer uma boa oportunidade de aprendizado — e de emprego mesmo, visto que há muitos médicos sem uma ocupação no mercado de trabalho.
Como o Sistema Público nem sempre consegue atender à demanda da população, quem não tem um plano de saúde ou não pode pagar muito acaba recorrendo aos serviços de baixo custo. Tanto é que esse é um tipo de negócio em expansão e com grande potencial de crescimento em muitas regiões.


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