Você sabe o que é a Síndrome da Invulnerabilidade Médica?

Certamente você já ouviu falar que para cuidar do outro é preciso se cuidar e estar bem em primeiro lugar. E esse fato é especialmente importante na área médica, uma vez que a base da profissão é o cuidado assistencial aos pacientes.

Construir uma carreira na medicina não é somente uma escolha — é um compromisso perante a sociedade. Porém, a pressão em tomar decisões vitais para o paciente, a rotina estressante e a necessidade constante de manter um padrão de excelência nas consultas pode trazer consequências psicológicas, e cada profissional reage de maneira individual.

A Síndrome da Invulnerabilidade Médica é, por vezes, uma das maneiras que os médicos encontram de enfrentar o dia a dia, encarando as relações e atividades com uma perspectiva relativamente distorcida da realidade.

E você? Já ouviu falar sobre a Síndrome da Invulnerabilidade Médica? Sabe quem é propenso a manifestar os sinais e como lidar com essa situação? Então, continue conosco e compreenda as principais características desse quadro!

O que é a Síndrome da Invulnerabilidade Médica?

Antes de abordarmos as principais características da Síndrome, precisamos entender do que ela se trata. E para isso é necessário considerar o contexto em que os profissionais da medicina estão inseridos desde a época da graduação.

O estudo de disciplinas como microbiologia, patologia, infectologia, práticas de diagnósticos e escolha de tratamentos se faz presente a partir do ciclo básico da faculdade, quando os discentes começam a se aprofundar no vasto universo das doenças humanas.

Ademais, na medicina é imperativo aperfeiçoar os conhecimentos de forma constante mesmo após a graduação, se dedicando cada vez mais às áreas específicas de maior aptidão e afinidade.

Esses fatores propiciam aos médicos um maior contato com morbidades complexas e situações clínicas mais graves, assim como a necessidade de lidar com os pacientes e seus familiares, buscando adotar uma postura que transmita credibilidade.

E é nesse cenário que a Síndrome de Invulnerabilidade Médica se configura. Diante da vivência contínua com todos esses aspectos, pode-se desenvolver a convicção de que as complicações patológicas, problemas familiares e pessoais que normalmente afetam os pacientes, não afetam os médicos.

Assim, esses profissionais se sentem invulneráveis e acabam negligenciando cuidados importantes à própria saúde, como a prática de exercícios físicos, a alimentação saudável e a realização de exames de rotina.

Quem pode sofrer da Síndrome da Invulnerabilidade Médica?

A Síndrome da Invulnerabilidade Médica é um tanto quanto paradoxal. Curiosamente, os profissionais da saúde que prezam pelo cuidado e prevenção de doenças acabam se descuidando. Mas quais são os médicos mais propensos a desenvolver esse quadro?

Geralmente os indivíduos que lidam com uma rotina estressante e episódios de ansiedade podem sofrer impactos psicológicos negativos, se sentindo mais frágeis diante da pressão do cotidiano. Assim, características arrogantes se manifestam como um mecanismo de defesa do ego para esconder a insegurança de identidade e fragilidade emocional.

Outro fator importante que pode promover a Síndrome da Invulnerabilidade Médica é o contato frequente com situações de vida e morte dos pacientes. Isso pode ocasionar a sensação de onipotência, quando o profissional idealiza a imortalidade de maneira excessiva, contribuindo para a falsa ideia de que eles são imunes às morbidades e suas complicações.

Recém-formados que ainda não apresentam uma experiência clínica profunda, mas que são expostos a rotinas maçantes de plantões e tensões também têm predisposição para a Síndrome.

Existe relação com a Síndrome de Burnout e depressão?

A Síndrome de Burnout se caracteriza pela sensação de esgotamento físico e emocional devido ao excesso contínuo de estresse ocupacional. Os impactos afetam diretamente o desempenho acadêmico ou profissional e podem propiciar quadros graves de instabilidade psicológica.

Existe certa relação entre a Síndrome de Burnout e a invulnerabilidade médica, uma vez que ambas as condições contribuem para a ocorrência de transtornos mentais. Ocorre uma distorção das expectativas idealistas da profissão, principalmente durante os primeiros anos da carreira.

Esses fatores contribuem consideravelmente para a incidência dos casos de stress, ansiedade, depressão e até mesmo a ideação suicida. Recentemente alguns casos e tentativas de suicídio foram retratados em escolas de medicina e a fadiga e exaustão emocional são possíveis causas para o falecimento das vítimas.

Como prevenir o quadro?

Algumas práticas podem ser determinantes na prevenção da Síndrome e suas complicações, sendo que todas estão relacionadas à busca por uma melhor qualidade de vida e intervenções que melhorem a saúde mental. Elas se baseiam na prática regular de atividades físicas, alimentação saudável e boa qualidade do sono.

Considerando que um dos motivos mais importantes para a manifestação da Síndrome é a rotina estressante e atribulada, uma ótima alternativa é organizar as tarefas e gerir o tempo com antecedência.

O planejamento é fundamental para executar as atividades do cotidiano médico, tornando mais fácil o agendamento de plantões e consultas. Dessa forma, é mais viável priorizar o que é realmente importante e conciliar o trabalho com as necessidades pessoais.

Qual é o tratamento ideal?

Embora os profissionais com a Síndrome da Invulnerabilidade Médica apresentem como principal estigma a convicção de que as doenças não são capazes de os atingir, o tratamento ideal se baseia em procurar por auxílio psicoterapêutico para que esses conflitos internos sejam exteriorizados.

O olhar para si mesmo ajuda os médicos a se compreender melhor, enfrentando as expectativas da carreira profissional e, sobretudo, considerando que é natural se sentir vulnerável ou inseguro em certas situações.

Além de diminuir a credibilidade e qualidade do atendimento prestado aos pacientes, a Síndrome da Invulnerabilidade Médica pode reduzir a percepção dos próprios profissionais diante de tantos benefícios que essa classe proporciona à sociedade.

Normalmente as competências intelectuais são bastante consideráveis e os médicos conseguem atingir certa realização profissional e financeira em um período satisfatório. Entretanto, o que se observa é uma imaturidade emocional significativa, promovendo os quadros mencionados anteriormente como ansiedade, depressão, Síndrome de Burnout e prejuízo dos serviços prestados.

E então, qual a sua opinião sobre a Síndrome da Invulnerabilidade Médica? Você tem alguma experiência em relação a essa condição? Compartilhe este conteúdo em suas redes sociais e discuta com seus colegas para que eles também fiquem cientes do assunto!

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