Vitiligo: causas e tratamentos

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O vitiligo é uma doença cutânea comum adquirida, de causa desconhecida, caracterizada pela perda dos melanócitos da epiderme. Ela resulta em manchas brancas ou sem coloração que, frequentemente, crescem e se tornam confluentes. A incidência é calculada em 1% a 2 % da população geral. Afeta pessoas de todas as raças, tendo um predomínio para as de pele escura, com pico de incidência maior entre os 10 e 30 anos. Entre 25% a 40% dos casos têm história familiar da doença, sendo este um caráter multifatorial e poligênico. A progressão da doença é geralmente lenta e simétrica, iniciando nas áreas expostas à luz solar.

O estresse emocional é um fator desencadeante bem estabelecido. Podem ter formas de apresentação clínicas – localizado, segmentado, ocorrer nas mucosas oral e genital, e generalizado. Em pelo menos um terço dos casos está associado a várias doenças autoimunes, sendo a associação mais comum com doenças da tireoide.

Patogênese do Vitiligo

A patogênese da doença é  decorrente de inúmeros fatores. A teoria mais aceita como causa da doença, porém, é de um fenômeno autoimune onde células imunológicas, principalmente os linfócitos, destroem os melanócitos. Estas são as células responsáveis pela produção de melanina e também por um mecanismo ainda pouco conhecido de estresse oxidativo, onde os próprios melanócitos são destruídos por uma alteração na melanina que eles mesmos produzem.

O vitiligo tem, pelo seu aspecto inestético, um grande impacto emocional na qualidade de vida dos pacientes. Muitos deles desenvolvem quadros de ansiedade e depressão associados à evolução da doença. Muitas vezes, há necessidade de tratamento complementar e coadjuvante com psicólogos ou psiquiatras.

Tratamento do Vitiligo

O tratamento é bastante eficaz na infância e principalmente nas formas localizadas, sendo desanimador nas formas generalizadas e de longa evolução nos adultos. A terapêutica deve incluir vários aspectos, baseando-se na fisiopatologia da doença. Ou seja, um tratamento combinado onde se tenta bloquear o aspecto autoimune de destruição dos melanócitos e dar um estímulo aos melanócitos remanescentes, para que produzam melanina para uma a re-pigmentação. Podemos usar vários recursos de medicamentos na dependência da extensão do quadro e do tipo de apresentação clínica.

Formas de Tratamento Tópico:

  • Tacrolimus pomada 0,03% ou 0,1%
  • Corticosteróides Tópicos
  • Óleo de essência de Bergamota - 25%
  • Terapia Física
  • Exposição solar
  • Fototerapia com raios UVB de banda estreita ( narrow band )
  • Laserterapia – Excimer Laser

Terapia Sistêmica:

  • Corticoterapia em pulsos

Terapia Cirúrgica:

  • Micro-enxertos cutâneos

Terapia Despigmentante:

Nos casos muito graves, generalizados e resistentes aos tratamentos convencionais pode-se despigmentar uma área pigmentada para se igualar às áreas despigmentadas e melhorar o aspecto inestético.

Exemplos do Vitiligo em pacientes diversos

Vitiligo localizado nas mucosas e pelos.

Criança com vitiligo generalizado. Apesar da extensão do quadro, há uma boa resposta ao tratamento.

Vitiligo generalizado autoimune.

Vitiligo generalizado resistente ao tratamento, onde há indicação do uso de despigmentantes.

Diagnóstico diferencial

Várias doenças hipo ou despigmentantes podem ser muito semelhantes ao vitiligo, como micoses superficiais (tinea corporis) ou Hanseníase Indeterminada, geralmente representa um quadro inicial ainda indeterminado dessa doença.

Criança com dermatofitose hipocrômica simulando Vitiligo.

Criança portadora de Hanseníase Indeterminada. Forma inicial da doença com distúrbio de sensibilidade local da pele, alteração que não ocorre no vitiligo.

Criança com boa resposta ao tratamento do vitiligo, apresentando ilhotas de re-pigmentação. Paciente em uso de mini-pulsoterapia com corticosteroides sistêmicos e fototerapia com Bergapteno e exposição solar.

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