Vasculite: entenda como ocorre a inflamação dos vasos sanguíneos

Quando o assunto é vasculite, muitos médicos generalistas podem se sentir inseguros no que diz respeito ao diagnóstico e tratamento da condição. Afinal, quando suspeitar que você está diante de um paciente com alguma vasculite?

De fato, são quadros muito variados. Embora possa parecer simples o conceito de inflamação de vasos, devemos nos lembrar que existe uma grande variedade deles, seja no local de irrigação, seja no calibre envolvido.

Por esse motivo, é importante entender que existe uma ampla gama de vasculites, as quais vão se manifestar de acordo com o vaso acometido. Chega de dúvidas! Continue a leitura e entenda melhor!

Entenda o que é vasculite

De modo geral, a vasculite retrata a inflamação dos vasos sanguíneos. Porém, como dito, este é um conceito da angiologia abrangente, que deve ser esmiuçado de acordo com as características de cada vaso.

Partindo desse pressuposto, sabe-se que a estrutura de uma veia não é a mesma daquela que forma uma artéria. Da mesma forma, os grandes vasos são diferentes dos pequenos vasos e até mesmo artérias e vênulas se divergem de capilares.

Isso porque a estrutura está totalmente associada à função daquele vaso. Por isso, diante de uma vasculite, embora haja a invasão da parede por células imunes, cada uma vai se manifestar de uma forma.

Uma vez que o processo inflamatório se instaura, podemos observar estenose ou oclusão do vaso. Complementando, também há o risco de aneurismas e hemorragias. Seja o que for, vai reduzir o fluxo e prejudicar no aporte sanguíneo.

Saiba quais as principais causas

Mas, afinal, o que vai acarretar o processo inflamatório nas paredes dos vasos? Bem, as causas podem ser primárias ou secundárias.

No primeiro caso, estamos lidando com condições raras, cuja doença é a própria vasculite. São situações de causas pouco conhecidas e as manifestações vão depender bastante do vaso acometido.

Já no caso das vasculites de causa secundária, existe uma outra condição base cuja manifestação resulta na inflamação de um vaso. Geralmente, são doenças autoimunes, como é o caso do lúpus.

Porém, nem tudo se resume a isso. Outras situações podem provocar um quadro de vasculite secundária, como outras infecções e exposição a drogas. Vale lembrar que a presença de vasos em todo o organismo pode dificultar o diagnóstico da vasculite, já que resulta nas mais diversas manifestações.

Conheça os diferentes tipos de vasculite

Falando então nas manifestações, elas vão acompanhar o tipo de vasculite e, consequentemente, o tipo de vaso. Além da classificação por causas, elas podem ser divididas de acordo com o calibre acometido.

Grande calibre

Como exemplo, temos a arterite temporal e a arterite de Takayasu. Na primeira, o acometimento da artéria temporal gera cefaleia e claudicação mandibular. Já na segunda, há predileção por afetar a aorta e seus ramos, com claudicação de membros superiores.

Médio calibre

Aqui, a poliarterite nodosa tem grande destaque. Ela está relacionada com a infecção pelo vírus da hepatite B e tende a poupar pulmões e rins. Já a doença de Kawasaki deve ser rapidamente tratada, uma vez que pode evoluir para aneurisma de coronárias.

Pequeno calibre

Agora, estamos lidando com as famosas ANCA positivo: poliangeíte, granulomatose de Wegener e Síndrome de Churg Strauss. Aqui, a característica principal é autoimunidade.

Outros tipos

Não podemos deixar de citar a famosa púrpura de Henoch-Schönlein. Geralmente, surge após uma infecção de vias aéreas e causa púrpuras, hematúria e dor abdominal.

Veja como é feito o diagnóstico

O primeiro passo para diagnosticar uma vasculite é suspeitar da condição. Nem sempre isso é fácil pois, como visto, as manifestações podem acometer qualquer vaso sanguíneo, de acordo com o tipo de doença.

Portanto, a avaliação clínica cuidadosa vai ajudar a classificar a condição, bem como direcionar para a propedêutica. Assim, o básico consiste em uma avaliação laboratorial completa, que foque, ainda, nos marcadores inflamatórios.

Vale a pena estender a investigação para buscar doenças autoimunes, solicitando, por exemplo, os famosos anticorpos anticitoplasma de antineutrófilos — ANCA. Não se esqueça que até infecções podem desencadear vasculites. Logo, inclua as principais sorologias.

Tão importante quanto o diagnóstico é a avaliação do grau de comprometimento. Dessa forma, avalie bem todos os sistemas e, se necessário, solicite exames de imagem para melhores esclarecimentos.

Por fim, o que pode auxiliar no diagnóstico definitivo é justamente a avaliação citopatológica. Então, não deixe de solicitar biópsias — é essa a abordagem mais específica!

Por mais que outros exames sejam inespecíficos para fechar diagnóstico, eles são essenciais para corroborar as suspeitas e avaliar a gravidade do quadro. Veja, assim, que o diagnóstico é complexo e exige uma extensa propedêutica.

Descubra se há tratamento

O tratamento de uma vasculite consiste em dois tempos: induzir a remissão da doença e, na sequência, realizar a manutenção. Esse primeiro período é muito importante pois, em algumas situações, trata-se de uma doença potencialmente fatal.

Existe uma ampla gama de medicações que podem ser utilizadas, mas o grande foco consiste nos anti-inflamatórios — incluindo corticoides — e imunossupressores. A escolha vai depender, claro, da gravidade da doença.

Vale lembrar que as vasculites secundárias apresentam uma doença de base. Logo, a resolução de tal doença pode ser crucial para reverter o quadro da vasculite. Atenção, portanto, com infecções e demais doenças autoimunes.

BÔNUS: saiba como se prevenir

Por fim, vamos para um detalhe a mais: como prevenir a vasculite? Bem, vimos que as condições primárias muitas vezes não têm causas definidas e que as secundárias podem estar associadas a várias doenças.

Sendo assim, a prevenção da vasculite essencialmente não é fácil. É necessário, ainda, prevenir o surgimento de outras doenças vasculares como a formação de trombos e ateromas. Assim, em alguns casos indica-se a anticoagulação e, no geral, acompanhe de perto o perfil lipídico do paciente.

Durante o tratamento, atenção também para monitorar se não vai acontecer nenhum tipo de agravo no quadro. Uma vez que são utilizados imunossupressores, é preciso redobrar o cuidado com infecções oportunistas.

Agora você sabe um pouco mais sobre a inflamação dos vasos sanguíneos

Vimos, acima, o básico sobre vasculite. De fato, trata-se de uma doença ampla e complexa, que requer bastante estudo acerca de fisiopatologia, diagnóstico e tratamento. Para o médico generalista, é fundamental suspeitar da doença e iniciar a propedêutica básica. Já ao especialista, cabe fazer todo o manejo da condição, desde o momento de fechar o diagnóstico até tratar, de fato, o quadro.

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