Trombose Venosa Profunda: 25% dos casos pelo mundo são fatais

A Trombose Venosa Profunda é uma doença grave que causa a morte de uma a cada quatro pessoas no mundo, segundo a Sociedade Internacional de Trombose e Hemostasia. No Brasil, a cada ano, surgem cerca de 180 mil novos casos dessa doença que também pode causar embolia pulmonar. Apesar disso, muitas pessoas ainda desconhecem a sua gravidade, seus principais sintomas e como ela pode ser prevenida. 

A doença afeta, em maior parte, os membros inferiores e um dos principais fatores de risco está, justamente, no fato de ficar muito tempo com as pernas para baixo, estáticas, sem qualquer movimento. É uma doença ligada à formação de um coágulo sanguíneo em uma ou mais veias grandes das pernas e das coxas. 

Trata-se, assim, de uma questão de saúde vascular, já que o coágulo formado pode bloquear o fluxo de sangue e causar inchaço e dor na região. A doença pode se agravar no momento em que um coágulo se desprende e se movimenta pela corrente sanguínea, gerando uma embolia. Neste caso, a embolia pode se alojar em órgãos vitais, como cérebro, pulmões e coração e causar lesões graves. 

Uma vez nos pulmões, dependendo do tamanho do coágulo – ou do trombo, como é chamado - pode-se ter a ocorrência de uma embolia, complicação grave que pode ser fatal. 

Por isso, é fundamental ficar atento a qualquer sinal de edema ou inchaço em uma perna apenas, acompanhado ou não de dor. Outro alerta é quando há um empastamento muscular da panturrilha, ou seja, quando a batata da perna fica dura, levando a uma dificuldade de movimento. 

16 de setembro: Dia Nacional de Prevenção à Trombose

Em 16 de setembro é celebrado o Dia Nacional de Combate e Prevenção à Trombose. A data foi instituída para aumentar a conscientização sobre a doença, reduzir o número de casos não diagnosticados, incrementar medidas para prevenção baseada em evidências e incentivar sistemas de cuidados da saúde. A ideia é criar estratégias para garantir “melhores práticas” para a prevenção, diagnóstico e tratamento, além de recursos adequados destas ações e o apoio à pesquisa para reduzir a carga da doença trombótica.​

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu uma meta global para reduzir em 25% o número de mortes prematuras por doenças não infecciosas até 2025. Para isso, é fundamental focar em medidas para redução da trombose, bem como no esclarecimento à população das suas causas e, principalmente, prevenção.

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Sintomas, causas e fatores de risco da trombose venosa profunda

1) Sintomas: há casos em que a trombose venosa profunda é totalmente assintomática, mas quando ela se manifesta, as principais demonstrações do corpo são:

  • dor
  • edema (inchaço) unilateral
  • vermelhidão na pele
  • cianose (coloração azul arroxeada)
  • dilatação do sistema venoso superficial
  •  aumento da temperatura local
  • empastamento muscular (rigidez da musculatura da panturrilha)
  • dor à palpação.

2) Causas: a trombose ocorre com mais mais frequência em pessoas portadoras de certas condições predisponentes, como:

  • gravidez e puerpério
  • imobilidade ou paralisia
  • câncer
  • reposição hormonal
  • AVC prévio
  • infeções graves
  • quimioterapia
  • obesidade
  • varizes
  • cigarro
  • anticoncepcionais
  • trombofilias (doenças do sangue que já levam a predisposição)
  • predisposição genética
  • cirurgias
  • traumatismos
  • infarto do miocárdio (outra relação entre trombose e a saúde do coração) 

Outras situações que também podem desencadear a trombose venosa profunda, são infecções graves, câncer, traumatismo, idade avançada, pacientes com anormalidade genética do sistema de coagulação e qualquer outra situação que obrigue a uma imobilização prolongada (paralisias, infarto agudo do miocárdio, etc).

3) Fatores de risco: na questão da incidência entre homens e mulheres, a trombose parece não mostrar predileção por um sexo ou outro. Alguns estudos mostram a razão de 1,2:1 homem para mulher, enquanto outras pesquisas trazem exatamente o inverso. 

Já em relação à idade dos pacientes, a trombose venosa profunda é mais comum após os 40 anos de idade, havendo aumento exponencial com a idade. 

Desta forma, entre 25 e 35 anos a incidência de trombose é de cerca de 30 casos a cada 100 mil pessoas ao ano. Já entre as idades de 70 a 79 anos, os números chegam a até 500 casos a cada 100 mil pessoas anualmente.

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Como prevenir a trombose?

Muito embora não seja possível evitar alguns dos fatores de risco, pequenos cuidados como adotar um estilo de vida saudável podem prevenir a trombose. A seguir, estão alguns cuidados fundamentais:

  • para quem trabalha por muito tempo na mesma posição, é importante se movimentar ou usar meias de compressão
  • caso tenha histórico de trombose na família ou apresente algum sintoma, agende uma consulta médica
  • prática frequente de exercícios físicos
  • alimentação equilibrada
  • não fumar
  • evitar o consumo de bebidas alcoólicas
  • manter o peso ideal
  • ingerir bastante água
  • usar meias elásticas no caso de insuficiência venosa, sempre com orientação médica
  • durante viagens longas, usar roupas e calçados confortáveis e movimentar as pernas mesmo sentado

Se o paciente já foi diagnosticado com trombose, precisa aderir a esses hábitos para evitar o aparecimento de novos trombos.

Portanto, ficar atento aos sintomas logo nas primeiras ocorrências é fundamental para o diagnóstico precoce e o sucesso do tratamento, além de evitar possíveis complicações, como vimos nos casos de embolia. 

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