O câncer de mama está entre as doenças mais comuns em mulheres. Segundo projeção do Instituto Nacional do Câncer (INCA) em seu relatório de estimativas para o período de 2023 a 2025, teremos 74 mil novos casos anuais de câncer de mama até 2025, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Em vista disso, a prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado do câncer de mama são de suma importância para a sobrevida das mulheres.
A estimativa é que entre 2023 a 2025, teremos 74 mil novos casos anuais de câncer de mama. Como os profissionais da saúde podem lidar com essa doença


Na segunda metade do século 20, William Halstead, grande cirurgião Americano, referiu:
“Só existe uma maneira de combater a doença: ser mais agressivo que ela”.
Assim, propõe a primeira cirurgia de Mastectomia radical com retirada da pele, músculos peitorais maior e menor e linfonodos em blocos. Cirurgia agressiva, descrita por outros cirurgiões como cirurgias intermináveis. Em 1948, dois outros cirurgiões realizam mastectomias radicais modificadas, com a proposta de preservação dos músculos peitorais. A mastectomia de Patey mantém o músculo peitoral maior e a de Madden, o peitoral maior e menor.
A mastectomia radical modificada foi o principal e único tratamento cirúrgico do câncer de mama durante muito tempo. Atualmente, o tratamento não é apenas baseado em cirurgia, tendo outros procedimentos associados, como a quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia e terapias-alvo. Os fatores determinantes para a escolha do tratamento serão o estadiamento, a idade da paciente, o tipo histológico do tumor, o painel imuno-histoquímico, as comorbidades e características genéticas. Além disso, o tratamento deve ser multidisciplinar realizado pelo mastologista, oncologista clínico, radioterapeuta e oncogeneticista.
Atualmente, a cirurgia conservadora deve ser realizada, sempre que possível, levando em consideração a relação entre o tamanho da mama e o do tumor. Algumas características da doença podem contraindicar à cirurgia conservadora, como: presença difusa de microcalcificações na mamografia e margens cirúrgicas comprometidas. O tratamento da axila deve ser considerado parte do tratamento do câncer de mama. Estudos recentes demonstram que a linfadenectomia axilar não precisa ser realizada em todas as pacientes, em razão do risco de linfedema. A ressecção do linfonodo sentinela pode ser suficiente, mesmo no caso de sentinela positivo para metástase, em casos específicos.
A mastectomia pode ser associada a técnicas de reconstrução mamária, chamada de oncoplastia, sendo possível a conservação do complexo aréolo-papilar, chamada de mastectomia nipple-sparing, considerada técnica segura com grande impacto na qualidade de vida da paciente.
Associado à terapêutica cirúrgica conservadora no tratamento loco-regional, temos a radioterapia, que tem como objetivo diminuir a recidiva local. Portanto, quando realizada preservação da mama, deve-se associar radioterapia.
O tratamento sistêmico pode ser feito com hormonioterapia, quimioterapia e terapias-alvo, com o objetivo de evitar o surgimento de doença metastática a distância. A decisão do tipo de tratamento depende do subtipo molecular da doença e do estadiamento local inicial.
A hormonioterapia é chamada de adjuvante quando realizada após cirurgia, neoadjuvante quando realizada antes da cirurgia e paliativa no tratamento de metástases. É indicada para tumores luminais com receptores hormonais positivos. O tratamento adjuvante em mulheres na pré-menopausa é realizado com tamoxifeno durante cinco anos, podendo associá-la à supressão ovariana, dependendo de cada caso.
Em mulheres no climatério, é possível utilizar tamoxifeno ou inibidor de aromatase por cinco anos. Os efeitos colaterais da hormonioterapia com tamoxifeno são espessamento endometrial associado à hiperplasia endometrial, podendo chegar ao câncer de endométrio e risco de trombose, além de sintomas de fogachos. Os inibidores de aromatase podem causar artralgia, sintomas musculoesqueléticos, osteoporose e risco de fraturas. Portanto, essas pacientes precisam ser monitoradas quanto à densidade óssea.
A indicação da quimioterapia é avaliada caso a caso, com a possibilidade de usar assinaturas genômicas para decisão. Os tumores de biologia adversa, triplo-negativos (TN) ou HER2, geralmente são tratados com quimioterapia neoadjuvante e terapias-alvo associadas. Os principais fármacos utilizados atualmente na quimioterapia do câncer de mama inicial são antracíclicos, taxanos, ciclofosfamida e platinas, e as terapias-alvo consistem em trastuzumabe, pertuzumabe e T-DM1.
Algumas mulheres com mutações genéticas de alta penetrância (BRCA 1 e 2, TP53, STK11, CHD1, PALB2, PTEN) com câncer de mama unilateral pode ter tratamento conservador ou mastectomia uni ou bilateral. A melhor abordagem deve ser discutida por uma equipe multidisciplinar considerando a história familiar, a idade do diagnóstico do tumor, o estadiamento e o desejo da paciente.
Em conclusão, o tratamento do câncer de mama é cada vez mais complexo, envolve equipe multidisciplinar para um tratamento efetivo e a necessidade de individualização de cada paciente. O tratamento conservador da mama associado à pesquisa de linfonodo sentinela já está bem estabelecido no câncer de mama inicial, com as taxas de sobrevida determinadas pela mastectomia radical. A avaliação dos receptores hormonais, tipo histológico, tamanho do tumor e idade da paciente determinará a necessidade de tratamento com hormonioterapia e quimioterapia.
Referencias bibliográficas
INCA, 2022 - Instituto Nacional de Câncer (Brasil). Estimativa 2023: incidência de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer – Rio de Janeiro: INCA, 2022.
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Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Tratamento do câncer de mama. São Paulo: FEBRASGO, 2021 (Protocolo FEBRASGO-Ginecologia, n. 76/ Comissão Nacional Especializada em Mastologia).
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