Teledermatologia: modalidades e vantagens

As primeiras formas de telemedicina foram descritas já nos séculos XVIII e XIX. Neste período, os indivíduos doentes escreviam históricos médicos e enviavam cartas detalhando seus sintomas por mensageiro aos médicos, que respondiam com um diagnóstico, plano de tratamento e receita por escrito.

Esta forma histórica de telemedicina ''pré-eletrônica'' permitiu a consulta remota entre o paciente e o médico e estabeleceria as bases para a telemedicina moderna. Desde então, a telemedicina evoluiu intimamente com os avanços na tecnologia audiovisual e de telecomunicações.

A história da evolução da teledermatologia

O desenvolvimento de compressores digitais, a internet e o e-mail na década de 1990 possibilitaram uma nova forma de telemedicina, fornecendo uma "estrada de informações". Imagens de alta resolução podiam ser compartilhadas junto com históricos clínicos entre provedores e especialistas em todo o mundo por meio de nova técnica de armazenar e encaminhar.

Esses avanços mais recentes em tecnologia e telemedicina estabeleceram as bases para a teledermatologia moderna, que foi desenvolvida, em parte, pela necessidade de ajudar a fornecer diagnóstico, orientação e tratamento a lugares distantes dos centros de especialidades dermatológicas. Avanços mais recentes nas tecnologias de comunicações móveis e digitais do novo milênio capacitaram uma nova geração de aplicações de teledermatologia e despertaram interesse nesse campo.

A literatura sobre teledermatologia tem crescido constantemente desde o final da década de 1990 e na década de 2000, com Brewer et al. relatando um total de 229 aplicativos móveis relacionados à dermatologia até 2013. À medida que os telefones celulares e seus aplicativos se tornam cada vez mais acessíveis e poderosos, o mercado de aplicativos de teledermatologia móvel continua a prosperar, a impulsionar pesquisas e inovações contínuas, além de expandir o acesso a especialização e cuidados dermatológicos.

Modalidades de teledermatologia

As três principais plataformas de prestação de serviços de teledermatologia são síncronas (ou seja, ao vivo; teledermatologia em tempo real), assíncronas e híbridas (ou seja, mistas, com recursos de formas síncronas e assíncronas). A teledermatologia síncrona geralmente emprega videoconferência ao vivo entre o paciente e o teledermatologista.

Embora o consenso geral seja que a qualidade da imagem do vídeo transmitido é inferior à das imagens capturadas, a interação ao vivo permite ao clínico esclarecer aspectos da história e do exame teledermatológico e fornecer educação direta ao paciente e instruções de tratamento. Para realizar a teledermatologia síncrona com segurança e qualidade, é preciso contar com uma ferramenta de Teleconsulta, normalmente presente em sistemas médicos.

Uma ferramenta de qualidade costuma contar com diferenciais como: termo de consentimento para pacientes, alta qualidade de imagem e som, gravação do atendimento, integração ao prontuário eletrônico e compartilhamento de tela.

A teledermatologia assíncrona é tipificada pela técnica de armazenamento, onde as imagens clínicas dermatológicas digitais são enviadas a um especialista para análise. Essa modalidade é a mais utilizada e geralmente fornece imagens dermatológicas de maior resolução do que seria possível por meios síncronos.

Além disso, permite uma prática eficiente que pode ser realizada em vários fusos horários. No entanto, essa modalidade é limitada pela capacidade do teledermatologista de obter história clínica adicional enquanto avalia o caso, o que exigiria um ponto adicional de contato com o paciente-consumidor solicitante ou consulta ao médico, o que potencialmente geraria ineficiências.

Finalmente, as modalidades de teledermatologia mista ou híbrida combinam as duas formas anteriores. Apesar de ser a menos usada, esta modalidade supera as limitações de ambos e técnicas assíncronas, permitindo a entrevista ao vivo entre paciente e consumidor e avaliação de imagens de alta resolução. Estudos isolados têm favorecido a acurácia diagnóstica superior da teledermatologia.

As vantagens da teledermatologia

Mundialmente, as doenças da pele e anexos são causas comuns da procura de atendimento na atenção primária em saúde (elevada prevalência global de 52%), e os médicos não dermatologistas respondem por quase 60% desses atendimentos. Em geral, a maioria desses atendimentos é referenciada, resultando em aumento do custo, devido à elevada procura na atenção secundária em saúde (ou pelo especialista).

Ou os casos não são adequadamente diagnosticados e, dessa forma, são conduzidos de maneira equivocada, gerando elevado ônus ao sistema de saúde e à sociedade. Particularmente no Brasil, a distribuição dos dermatologistas é bastante irregular, visto que 63,5% deles se concentram na Região Sudeste, que tem apenas 41,6% da população brasileira.

Há 5.058 dermatologistas em atividade, que assistem mais de 190 milhões de pessoas numa área de 8.514.876,599 km. Esse cenário se torna importante num país com as proporções do Brasil, ocasionando, em algumas regiões, dificuldade de acesso à consulta especializada em dermatologia.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define telemedicina como a prática de cuidados em saúde que utiliza a interação por áudio, visual e comunicação de dados. A teledermatologia é definida como a prática de dermatologia que usa tecnologias de informação e sistemas de comunicação para a troca de informações médicas de um paciente entre médico não dermatologista e um dermatologista (teledermatologia secundária) – nos mesmos ou em diferentes momentos e em diferentes localizações geográficas.

À medida que o mercado de plataformas de teledermatologia móvel continua a crescer, o número de aplicativos móveis que utilizam algoritmos automatizados para diagnosticar, triar ou avaliar o risco de lesões cutâneas também aumenta. É necessário, no entanto, que sejam submetidos a validação, para não induzir ao erro de diagnóstico e risco para o consumidor.

Nesse mesmo formato, há outros aplicativos móveis que fornecem educação sólida ao paciente baseada em evidências sobre a prevenção da exposição à radiação ultravioleta, bem como estratégias de autoexame, e outros que podem tirar e armazenar imagens de lesões para automonitoramento ou revisão por dermatologista.

A teledermatologia é uma subespecialidade líder da telemedicina que continua a evoluir com os avanços nas telecomunicações e na tecnologia de telefonia móvel. As evidências, até o momento, apoiam a precisão e a relação custo-benefício da teledermatologia e sua capacidade de facilitar e agilizar os cuidados dermatológicos.

A teledermoscopia, com as várias modalidades de prestação de cuidados teledermatológicos, continuarão a melhorar a qualidade dos cuidados prestados pela teledermatologia. As plataformas de teledermatologia apresentam a organização dos fluxos, protocolos e ferramentas específicas para o diagnóstico.

Texto escrito pela Dra. Maria De Fátima Maklouf Amorim, Coordenadora e professora do curso de pós-graduação em Dermatologia da IPEMED.

Referências:

  1. DOI 10.1007/s40257-017-0317-6
  2. Porter DP, Porter R. Patient’s progress: doctors and doctoring in eighteenth-century England. Cambridge: Polity Press and Basil Blackwell; 1989.
  3. Thrall JH. Teleradiology. Part I. History and clinical applications. Radiology. 2007;243(3):613–7.
  4. Mullick FG, Fontelo P, Pemble C. Telemedicine and telepathol- ogy at the Armed Forces Institute of Pathology: history and current mission. Telemed J. 1996;2(3):187–93.
  5. Vidmar DA. The history of teledermatology in the Department of Defense. Dermatol Clin. 1999;17(1):113–24 (ix).
  6. Brewer AC, Endly DC, Henley J, Amir M, Sampson BP, Moreau JF, Dellavalle RP. Mobile applications in dermatology. JAMA Dermatol. 2013;149(11):1300–4. doi:10.1001/jamadermatol. 2013.5517.
  7. https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-55022017000200346&script=sci_arttext

Autor(a)

Os médicos que leram esse post, também leram:

Todos os Posts