Surto psicótico: o que é e como conter um paciente neste estado

A população do Brasil e do mundo vem sofrendo com questões de saúde mental. Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), isso inclui diversos transtornos de personalidade, depressão, ansiedade e outras alterações que podem desencadear até um surto psicótico.

Essas são condições com as quais um médico pode se deparar em sua rotina profissional e precisa saber como lidar com elas. Uma das mais preocupantes é quando há um paciente em surto psicótico.

É sobre essa questão que abordaremos neste artigo. A seguir, entenda melhor o conceito de surto psicótico, suas características, causas e sintomas. Saiba também quais são os fatores de risco e as melhores práticas para lidar com um paciente nessa condição. Boa leitura!

O que é um surto psicótico?

O surto psicótico é uma alteração repentina no comportamento de uma pessoa. Trata-se de um episódio temporário mental em que acontece uma dissociação entre a realidade e a autopercepção. Nessa condição, a pessoa pode apresentar alucinações, agressividade, delírios, ansiedade, bem como desorganização do pensamento e do comportamento.

Quando o surto psicótico envolve alucinações ou delírios, além da desorganização dos pensamentos, o paciente apresenta um grande comprometimento da realidade e do juízo crítico.

Quais as principais características e sintomas de um surto psicótico?

A perda de contato com a realidade é o principal aspecto que caracteriza um surto psicótico. Essa dissociação pode ocorrer de diferentes maneiras, mas está sempre ligada a uma descompensação aguda do comportamento com sintomas psicóticos.

Os delírios e as alucinações é que levam a essa perda de contato com a realidade. A condição delirante ocorre tendo como base as crenças fixas do paciente, que não se alteram diante de argumentos que possam ser apresentados. Exemplo disso é o delírio persecutório (mania de perseguição), de grandeza, místico, entre outros.

Já as alucinações se referem a experiências que ocorrem sem um estímulo externo. Embora sejam irreais, são vívidas e claras para o paciente que as percebe como reais e não consegue controlá-las voluntariamente.

Outros sintomas

Outros sintomas de um surto psicótico incluem:

  • desorganização do pensamento — discurso confuso, mudando de um assunto para outro repentinamente. As respostas e perguntas podem apresentar uma relação oblíqua ou não ter relação;
  • comportamento motor anormal — a pessoa pode ficar silenciosa e imóvel, ou agitada e agressiva, sem um motivo aparente;
  • comportamento catatônico — o paciente pode ficar parado, sem reação, mostrando pouca expressão emocional no rosto, no contato visual e na entonação da fala;
  • falta de sociabilidade;
  • comprometimento da capacidade de discernir — a fala, o comportamento e a forma de se expressar da pessoa podem ser incoerentes com o seu julgamento e entendimento racional;
  • oscilações de humor — podem ocorrer bruscas mudanças de emoções, como raiva, medo, pânico e euforia.

Quais são as principais causas de um surto psicótico?

Há três grupos de condições que podem ser consideradas as principais causas de um surto psicótico, conforme comentamos a seguir.

Abuso de drogas

O abuso de substâncias psicoativas como maconha e cocaína apresenta um potencial para aumentar o risco de manifestação de um surto psicótico.

Transtornos psiquiátricos

Algumas condições como a esquizofrenia e a bipolaridade podem gerar um surto psicótico. Além disso, outras alterações e distúrbios do sistema nervoso, como lesões e traumas podem levar a esse quadro.

Condições médicas e histórico de traumas

As disfunções em alguns órgãos, como o fígado, tireoide e alterações dos níveis hormonais, podem provocar um surto psicótico.

Algumas doenças como o lúpus, a sífilis, a AIDS e outras infecções também podem ser as causas. Além disso, pessoas com histórico traumático, como abuso sexual na infância são propensos.

Quais são os fatores de risco?

Qualquer pessoa está sujeita a desenvolver um quadro psicótico. No entanto, a carga genética é um importante fator, além do ambiente do paciente, que pode contribuir para uma futura crise.

Nesse sentido, uma criança que sofre um alto grau de estresse na primeira infância ou durante o seu desenvolvimento é mais suscetível a desenvolver um surto.

Quais são as melhores práticas para lidar com um paciente neste estado de consciência?

Lidar com um paciente em surto psicótico requer muita calma para transmitir tranquilidade e segurança. A seguir, veja algumas ações que podem ajudar nesse sentido.

Seja empático

Para conseguir ajudar um paciente em surto psicótico, é muito importante entender a situação que ela está vivenciando e o quanto isso pode ser angustiante. Em geral, a pessoa se sente desorientada e confusa, tornando-se imprevisível.

Por isso, o melhor a fazer é levar o paciente para um ambiente privativo, falando de maneira calma, com fases curtas e simples. Além disso, demonstre interesse sincero pelo que ele sente, fazendo com que ele se sinta compreendido.

Ajude o paciente a retomar o contato com a realidade

Durante um surto é fundamental auxiliar a pessoa a recuperar o contato com a realidade. Para isso, os exercícios de enraizamento sugeridos pela organização Mental Health America podem ser utilizados.

Eles funcionam com base nos cinco sentidos para uma reconexão com o aqui e agora:

  • ofereça uma bebida quente ou um alimento;
  • mostre algum objeto para o paciente observar seus detalhes;
  • deixe-o sentir cheiros diferentes, como óleos essenciais ou outro produto;
  • fale sobre o tempo.

Evite questionar

É crucial não questionar ou contradizer a pessoa em surto psicótico, pois os delírios e alucinações são inquestionáveis para ela naquele momento. Uma tentativa de convencimento de que nada daquilo existe pode gerar mais agressividade por parte do paciente.

Nessa hora, o ideal é mostrar que você está ali, disponível, e que está tudo bem. Assim você consegue manter um clima mais tranquilo e calmo, enquanto aguarda um atendimento especializado.

Faça o encaminhamento adequado

Se a pessoa apresentar um surto psicótico violento, busque saber se ela se encontra em tratamento com antipsicóticos e tente contato com o médico psiquiatra responsável. Do contrário, chame o SAMU para um encaminhamento adequado.

Caso exista algum Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) na região, essa é outra opção para encaminhar o paciente.

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Enfim, para conter o paciente em surto psicótico é preciso manter a calma e usar de empatia para tentar tirá-lo dessa condição momentânea. Além das sugestões que trouxemos com algumas das melhores práticas é importante adquirir conhecimentos em Psiquiatria para serem utilizados como ferramenta de trabalho ou mesmo, para seguir carreira.

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