Transtorno de pânico: critérios diagnósticos do dsm-5

17/7/2026
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Equipe Afya Educação Médica
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Saiba como diagnosticar e tratar o transtorno de pânico. Diferencie os ataques de outras etiologias clínicas e conheça a farmacoterapia correta.

A síndrome do pânico pode ser debilitante, afetando não apenas a qualidade de vida, mas também a funcionalidade diária dos indivíduos. Fatores como estresse crônico, mudanças no estilo de vida e a incerteza global podem contribuir para o seu desenvolvimento.

O que é síndrome do pânico?

A síndrome do pânico, também chamada de transtorno do pânico (TP), é definida como uma condição de saúde mental caracterizada por episódios recorrentes e inesperados de crises de ansiedade, com intenso medo ou terror, acompanhados de sintomas físicos e psicológicos angustiantes.

Ao manifestar os sintomas dessa doença, como falta de ar, dor no peito e sensação de sufocamento, o indivíduo pode passar a evitar situações ou lugares onde teve ataques anteriores, o que interfere na sua vida cotidiana e na convivência com outras pessoas.

É necessário destacar que a síndrome do pânico não é uma condição rara. Embora o TP seja debilitante, é uma patologia tratável, e os pacientes podem experimentar melhora significativa ou até mesmo remissão dos sintomas com o tratamento adequado.

Dados sobre o transtorno do pânico

Estudos em saúde mental e classificações diagnósticas mais recentes, como o DSM-5-TR, indicam que o transtorno do pânico afeta uma parcela relevante da população adulta ao longo da vida.

Além disso, ataques de pânico isolados são relativamente comuns na população geral, mesmo em pessoas que não desenvolvem o transtorno completo. As taxas de risco para o TP tendem a ser mais altas em adultos jovens, com maior prevalência em mulheres. 

Há muitos casos em que a doença ocorre juntamente com outros tipos de ansiedade, assim como com diversos problemas mentais, como depressão e uso problemático de substâncias.

Quais são os principais sintomas?

A forma como a síndrome do pânico se manifesta envolve um conjunto de sintomas que ocasionam episódios súbitos e intensos de medo ou ansiedade, ocorrendo de modo inesperado e, muitas vezes, sem uma causa aparente.

A duração de um ataque de pânico pode variar para cada pessoa e de um episódio para outro. Ele atinge seu pico de intensidade em poucos minutos e, em seguida, começa a diminuir gradualmente. Na maioria dos casos, dura entre 5 e 20 minutos.

Os sintomas emocionais e físicos mais intensos geralmente acontecem nos primeiros minutos de um ataque de pânico e, à medida que o tempo passa, tendem a diminuir em intensidade. 

No entanto, depois do episódio, há pessoas que se sentem ansiosas, exaustas ou incomodadas por algum tempo. Os sintomas mais recorrentes:

Sintoma

Descrição

Palpitações

Durante um ataque, muitos pacientes relatam batimentos cardíacos acelerados e intensos, como se o coração estivesse batendo de forma rápida e forte.

Falta de ar

A pessoa sente uma dificuldade intensa para respirar, o que provoca respirações mais rápidas e superficiais.

Tremores

Podem surgir nas mãos ou em todo o corpo, com intensidade variável.

Sudorese excessiva

Pode ocorrer mesmo sem calor ou esforço físico, como resposta à ansiedade aguda.

Boca seca

Acontece devido à ativação do sistema nervoso e à redução da produção de saliva.

Tontura e sensação de desmaio

O estresse pode desencadear esses sintomas, embora o desmaio em si seja raro.

Sintomas gastrointestinais

Podem ocorrer dor no estômago, náusea e outros desconfortos abdominais.

Calafrios ou ondas de calor

Também são relatados com frequência.

Medo intenso

Sensação de que algo grave está prestes a acontecer, como morrer, perder o controle ou enlouquecer.

Dissociação e desrealização

A pessoa pode se sentir desconectada de si mesma ou perceber o ambiente como estranho ou distorcido.

Como as crises de pânico se diferenciam das crises de ansiedade?

Mesmo que existam semelhanças entre as crises de pânico e crises de ansiedade, trata-se de condições distintas.

  • No transtorno do pânico, há ataques súbitos e intensos de medo, com sintomas físicos agudos que podem surgir sem um gatilho claro;
  • Já a crise de ansiedade costuma estar associada a um estado prolongado de preocupação, geralmente ligado a situações específicas.

Quais são as causas da síndrome do pânico?

As causas exatas do desenvolvimento do TP ainda não são totalmente conhecidas. No entanto, sabe-se que diversos fatores podem contribuir para o surgimento da condição.

  1. Fatores genéticos

Ter parentes de primeiro grau com síndrome do pânico pode aumentar o risco de desenvolver o transtorno.

  1. Fatores biológicos

Desequilíbrios neuroquímicos envolvendo neurotransmissores como serotonina, norepinefrina e GABA estão associados ao TP. 

Além disso, alterações em áreas cerebrais como a amígdala e o sistema límbico também estão relacionadas à resposta ao medo.

  1. Estresse e trauma

Eventos estressantes e experiências traumáticas podem desencadear ou agravar o transtorno. 

A ativação frequente do sistema nervoso diante do estresse aumenta a liberação de hormônios como o cortisol, contribuindo para os sintomas da ansiedade e do TP.

  1. Fatores ambientais

Ambientes com alto nível de pressão ou conflito, como alguns ambientes de trabalho, podem atuar como gatilho.

  1. Outros transtornos mentais

O TP frequentemente ocorre junto com outros transtornos, como transtorno de ansiedade generalizada, TOC e TEPT. Também é comum a associação com transtornos de humor, como depressão.

Quais são os fatores de risco para a doença?

O estresse é um dos principais fatores de risco tanto para o desenvolvimento do TP quanto para o surgimento das crises

O uso excessivo de álcool, drogas ou certos medicamentos também pode atuar como gatilho, especialmente em pessoas predispostas. 

Além disso, condições médicas como doenças cardíacas, respiratórias ou endócrinas devem ser consideradas na avaliação clínica.

Quais são as formas de tratamento?

O tratamento envolve uma abordagem multidisciplinar, com terapia, medicamentos e estratégias de autocuidado.

  • Medicamentos: os medicamentos antidepressivos, especialmente os ISRS, são amplamente utilizados. Benzodiazepínicos podem ser usados por curto prazo, com cautela devido ao risco de dependência;
  • Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): a TCC ajuda o paciente a identificar e modificar padrões de pensamento que desencadeiam os ataques.
  • Exercícios de relaxamento e respiração: técnicas de respiração e relaxamento muscular auxiliam no controle das crises.
  • Autoeducação: compreender o transtorno ajuda a reduzir o medo e melhora o autocontrole.
  • Estilo de vida saudável: hábitos saudáveis, como boa alimentação, exercícios e sono adequado, contribuem para o manejo da ansiedade.

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FAQ

Quais são os sintomas físicos e autonômicos mais comuns durante um ataque de pânico agudo?

Palpitações, falta de ar, tremores, sudorese, boca seca, tontura e sensação de desmaio são os mais frequentes. Também podem ocorrer dor no peito, calafrios e ondas de calor.

Como o DSM-5 define os critérios diagnósticos obrigatórios para o transtorno de pânico?

O diagnóstico exige ataques de pânico recorrentes e inesperados, seguidos por pelo menos 1 mês de preocupação persistente com novas crises ou mudança comportamental por causa delas. É preciso excluir outras causas clínicas, medicamentosas ou psiquiátricas.

Qual é a classe de medicamentos de escolha para o tratamento profilático de manutenção a longo prazo?

Os antidepressivos, especialmente os inibidores seletivos da recaptação de serotonina, são a principal escolha para manutenção. Eles ajudam a reduzir a frequência e a intensidade das crises.

Como diferenciar um ataque de pânico de uma crise de ansiedade generalizada aguda?

O ataque de pânico surge de forma súbita, intensa e costuma atingir pico em minutos. Já a ansiedade generalizada tende a ser mais contínua, ligada a preocupações persistentes e menos abrupta.

Qual é o papel dos benzodiazepínicos no manejo imediato das crises e quais os riscos de seu uso prolongado?

Eles podem ser usados no alívio rápido da crise, por curto prazo, quando indicado. O uso prolongado aumenta o risco de tolerância, dependência, sedação e prejuízo cognitivo.

Como a terapia cognitivo-comportamental (TCC) auxilia na remissão dos sintomas da síndrome do pânico?

A TCC ajuda o paciente a identificar pensamentos catastróficos e a modificar interpretações distorcidas das sensações corporais. Também trabalha exposição gradual a situações temidas, reduzindo medo e evitação.

Quais exames clínicos e laboratoriais devem ser solicitados para descartar causas orgânicas, como o infarto?

A avaliação pode incluir exame clínico, eletrocardiograma e exames laboratoriais conforme a suspeita, como glicemia, hemograma e função tireoidiana. A escolha depende do contexto e dos sintomas associados.

O transtorno de pânico possui base genética ou está mais relacionado a gatilhos ambientais e traumas?

Ele tem base multifatorial, com participação genética e também influência de estresse, trauma e fatores ambientais. Ou seja, não é explicado por apenas um único mecanismo.

O que é a agorafobia e qual a sua correlação clínica frequente com a síndrome do pânico?

Agorafobia é o medo de situações em que seria difícil escapar ou receber ajuda, como lugares cheios ou transporte público. Ela é frequentemente associada ao transtorno do pânico, porque a pessoa passa a evitar locais ligados às crises.

Como orientar os familiares a acolherem de forma adequada o paciente durante um episódio de crise?

Devem manter a calma, falar com voz tranquila, evitar julgamentos e lembrar que a crise vai passar. Também é importante orientar a respiração e não reforçar o medo com frases alarmistas.

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Equipe Afya Educação Médica