Confira nosso manifesto em homenagem ao Dia do Médico escrito pelo professor Alberto Arbex, Coordenador da Pós-Graduação em Endocrinologia.
O Dia do Médico é uma oportunidade para pausar a rotina acelerada dos hospitais e consultórios e refletir sobre o real impacto dessa escolha de vida. Mais do que uma profissão prestigiada, a Medicina é uma jornada de entrega. Mas, afinal, o que define esse papel?
Se abrirmos o dicionário, o conceito técnico é direto: profissional da área de saúde, formado em medicina, qualificado para tratar de pessoas doentes (Dicionário Michaelis); Na teoria, parece simples. Na prática, a definição fria das páginas não consegue abraçar a complexidade, as renúncias e a profunda humanização que a rotina médica exige.
Para entender o que está além do diagnóstico, convidamos o professor Alberto Arbex, Coordenador da Pós-Graduação em Endocrinologia, para compartilhar sua visão em um manifesto sensível sobre a essência da profissão.
"Todos os dias me faço a mesma pergunta: o que é ser médico? É ajudar a quem está doente? Ou apenas isto não é suficiente? Seria então prevenir doenças e esclarecer à população? Bem, isto ainda não abrange tudo." Prof. Alberto Arbex
A humanização e as Soft Skills por trás do jaleco
Ao contrário de outras ciências exatas, a Medicina não se faz apenas com dados clínicos e prescrições, seu escopo de trabalho vai além das dosagens e da análise fria. Para se tornar o médico de referência, aquele que transforma a jornada do paciente, o profissional precisa desenvolver características interpessoais específicas.
As chamadas soft skills, do Médico moderno são:
- Empatia crítica: a habilidade de enxergar o paciente além da patologia, compreendendo suas dores, medos e contexto social.
- Resiliência e inteligência emocional: manter a calma e a precisão técnica em momentos de extrema pressão e decisões de alta responsabilidade.
- Comunicação clara e humanizada: saber traduzir termos científicos complexos em um diálogo acolhedor e acessível para o paciente e seus familiares.
- Inconformismo saudável: a busca incessante por atualização e a recusa em aceitar a estagnação diante do sofrimento alheio.
Como bem define o professor Arbex em seu manifesto, esse inconformismo e o amor ao próximo são os verdadeiros combustíveis da profissão:
"Bem, digo que ser médico é ser impaciente. É não aceitar que a vida tem um limite. É não querer que a doença faça seu paciente sofrer. É priorizar a vida do outro e seus valores pessoais, acima dos próprios valores. É respeitar os amplos espectros da vida e admirá-los em sua diversidade. É admirar a força da vida. (...) O amor ao próximo é a essência do ser médico." Prof. Alberto Arbex
As faces da Medicina
Para a população, exercer a Medicina significa permitir que as pessoas vivam mais e melhor. Por outro lado, para o profissional, ser médico exige o desenvolvimento de características que vão muito além dos livros técnicos.
Ser médico, então, torna-se ser três pessoas em uma:
- O cientista: pela necessidade de contínua atualização, de leituras científicas frequentes e presença em congressos médicos.
- O professor: que traduz a ciência em cuidados práticos e esclarece a população, ensina ao próximo como cuidar de si mesmo.
- O amigo: que humaniza o atendimento através do amor ao próximo, da escuta ativa e da empatia profunda pelo ser humano.
"Ser médico, então, torna-se ser três pessoas em uma: um cientista, um professor e um amigo. Quem sou eu, médico? Eu vivo para você. Sou o seu médico, todos os dias da minha vida – e não apenas hoje. Lutar pela vida é a minha essência."
— Prof. Alberto Arbex
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Ciência em evolução e o papel do médico moderno
A Medicina é uma ciência ativa e em frequente expansão, para se ter uma ideia, os dados mais recentes da Demografia Médica no Brasil 2025 apontam que o país já ultrapassou a marca histórica de 635 mil médicos ativos.
Vivemos um momento histórico de mais mulheres à frente da saúde: pela primeira vez, elas são a maioria dos profissionais em atividade no país (50,9%), liderando também as salas de aula, onde ocupam quase 62% das vagas de graduação.
Embora o país conte com mais profissionais, mais de 40% deles ainda atuam como generalistas. A busca pela especialização e pelo título, seja em áreas densas como a Clínica Médica e a Pediatria, ou em campos estratégicos como a Perícia Médica, tornou-se o grande divisor de águas para quem busca entregar um atendimento de excelência.
Nos últimos 100 anos, o avanço das evidências científicas transformou o cuidado à saúde, reduzindo a mortalidade e aumentando a expectativa de vida global. Para a população, isso se traduz em viver mais e melhor.
Para o médico, significa uma responsabilidade que nunca dorme, é a necessidade de estudar continuamente, frequentar congressos e discutir os melhores tratamentos mesmo após plantões exaustivos.
No fim das contas, o médico moderno precisa equilibrar diferentes papéis em uma única jornada.
Parabéns a todos os médicos!
Aos que estão na linha de frente dos hospitais, aos pesquisadores que buscam a cura nos laboratórios, aos professores que moldam as próximas gerações e aos estudantes que dão os primeiros passos nessa linda trajetória: nosso muito obrigado.
Seu conhecimento salva corpos; sua humanidade salva vidas. Feliz Dia do Médico!
Assista abaixo à nossa homenagem em vídeo para o Dia do Médico e inspire-se com as histórias de quem dedica a vida ao cuidado:
Manifesto - O AMOR AO PRÓXIMO é a essência do SER MÉDICO
Por Professor Alberto Arbex

Todos os dias me faço a mesma pergunta: o que é ser médico? É ajudar a quem está doente? Ou apenas isto não é suficiente? Seria então prevenir doenças e esclarecer à população?
Bem, isto ainda não abrange tudo. Quando pensa em seu médico, quais ideias lhe vêm à mente? Você imagina o quanto ele estudou para seguir a profissão ou pondera sobre como ele deixa a própria família para priorizar o paciente? Ou, ainda, ocorre simplesmente que ele está bem de vida?
Bem, digo que ser médico é ser impaciente. É não aceitar que a vida tem um limite. É não querer que a doença faça seu paciente sofrer. É priorizar a vida do outro e seus valores pessoais, acima dos próprios valores. É respeitar os amplos espectros da vida e admirá-los em sua diversidade. É admirar a força da vida. Ser médico é ficar até tarde no trabalho e ter a sensação do dever cumprido. É salvar vidas, todos os dias.
É buscar tornar a vida do outro MELHOR. Para isso, não há horários, não há limites, não há fronteiras.
Quando se escolhe exercer a Medicina, esta escolha vem junto a um amor profundo pelo ser humano. Uma dedicação intensa ao aprendizado que visa salvar vidas. Uma opção por estudar e aprender todos os dias, pelo resto de nossas vidas, focando em como tornar melhor o atendimento ao paciente que nos busca. Depois que toda a família já se deitou, seguimos estudando, lendo, nos atualizando.
A Medicina é uma ciência em constante mudança, em atualização contínua. Os tratamentos são melhorados e modificados. Nos últimos 100 anos conseguimos, através das melhores evidências científicas disponíveis, modificar todo o espectro do cuidado à saúde, reduzindo a mortalidade humana, elevando a qualidade de vida das pessoas, aumentando a expectativa de vida.
Para o Médico, isto traz consigo uma necessidade de contínua atualização, de leituras científicas frequentes, de presença em congressos médicos e discussões sobre as melhores práticas clínicas com os colegas. A responsabilidade aumenta. A satisfação de estarmos fazendo o tratamento mais correto, através da ciência, também se eleva. Ser médico, então, torna-se ser três pessoas em uma: um cientista, um professor e um amigo. Quem sou eu, médico? Eu vivo para você. Sou o seu médico, todos os dias da minha vida – e não apenas hoje.
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