Salário dos médicos na atualidade: mitos e verdades

Saiba como a tecnologia e a pandemia afetaram o mercado dos profissionais da saúde no Brasil. Com certeza você já ouviu falar sobre um comentário comumente feito a respeito dos médicos: o de que eles ganham extremamente bem em apenas um plantão de 24 horas, por exemplo. Dependendo do ponto de vista, isso até tem um fundo de verdade, no entanto, além de isso poder variar de região para região, não são raros os casos de médicos que pegam vários plantões para totalizar um bom rendimento por mês.

De modo geral, os salários dos médicos no Brasil são organizados pela Associação Médica Brasileira (AMB), que orienta sobre os valores mínimos. Mas o que determina mesmo é o mercado, que varia de acordo com a região. “Regiões mais distantes, com menor número de especialistas, têm valores de consultas maiores variando de R$ 100 a R$ 400. A média salarial, para 20 horas semanais, é de R$ 7 mil, mas isso muda muito de acordo com região e especialidade, podendo chegar até R$ 40 mil por 40 horas semanais nos profissionais que associam procedimentos clínicos mais cirúrgicos”, detalha Alexandre Veloso Pimenta de Figueiredo, Coordenador Adjunto da pós-médica em Gastroenterologia da Afya Educação Médica, ex-IPEMED, e Diretor Técnico da unidade da Afya Educação Médica, ex-IPEMED, Belo Horizonte.

Efeitos da pandemia

Para reforçar o fato de que nem tudo são flores na medicina, o Prof. Dr. Mário Scheffer, do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), elaborou o estudo “Demografia Médica no Brasil 2020”, que faz o seguinte resumo:

Em 2020, o Brasil passou a contar com mais de 500 mil médicos. Esse marco vem acompanhado da persistência de desigualdades na distribuição dos profissionais, do aumento desenfreado de cursos e vagas de graduação e da ociosidade de vagas de Residência Médica. Da mesma forma, o crescimento dessa população ocorre com a exposição dos médicos ao aumento do número de vínculos e de jornadas de trabalho. Portanto, o número de médicos no país cresceu, nos últimos anos, na mesma proporção em que se impuseram novos desafios para a profissão médica e o funcionamento do sistema de saúde no país”.

No mesmo ano em que houve a declaração da pandemia da Covid-19 pela Organização Mundial da Saúde, Figueiredo explica algumas das mudanças ocorridas tanto em termo de carga horária quanto de salário.

“Tivemos aumento das remunerações em alguns setores, principalmente no enfrentamento da Covid-19, em mais de 40%, justificado pelo excesso de trabalho e falta de médicos capacitados”.

Alguns estudantes próximos de concluir a graduação tiveram a formatura antecipada para poderem atuar na pandemia, entretanto, na visão de Figueiredo, isso não foi necessariamente prejudicial, ao menos em termos de conclusão do curso.

“Na verdade foram antecipados seis meses antes do internato e não da residência, que é considerada uma formação pós graduação, então não vejo grande prejuízo desde que ele consiga fazer um treinamento para identificar casos graves e saber conduzir ou encaminhar a uma pessoa mais experiente, e quando for para acesso a pacientes mais graves, seria necessário ter um respaldo de um médico habilitado e com experiência”.

Desigualdades

Sobre a questão da renda familiar dos estudantes de medicina, o estudo “Demografia Médica no Brasil 2020” afirma que “a proporção de alunos em estratos inferiores de renda aumentou ao longo da série histórica. Em 2013, 2,6% reportaram renda familiar de até 1,5 salário mínimo, percentual que subiu para 6,8% em 2019. Aqueles cujas famílias tinham renda de até seis salários mínimos passaram de 27,3% para 44,7% em seis anos. No outro extremo, acima de 30 salários mínimos de renda familiar, o percentual caiu de 14,1% em 2013 para 9,3% em 2019”.

O estudo também avaliou quais foram as eventuais mudanças ocorridas no trabalho médico nos últimos três anos. Os quesitos avaliados foram: remuneração, condições de trabalho, carga horária, qualidade dos serviços e demanda de pacientes do SUS, demanda de pacientes particulares e de planos de saúde, tempo dedicado ao consultório e satisfação geral com o trabalho. As conclusões, segundo o estudo foram:  

– Embora mantida a satisfação com o trabalho, nesse período os médicos relatam que tiveram salários reduzidos, condições de trabalho pioradas e carga horária aumentada, dentre outras percepções.

Mais da metade dos médicos afirma que passou a ganhar menos nos últimos três anos. Somando os que concordam totalmente com essa frase (38,3%) e os que concordam parcialmente (12,5%), chega-se a 50,8%.  – Na outra ponta, um terço dos entrevistados (33,2%) discordou totalmente da afirmação de que passou a ganhar menos, enquanto 11% discordaram parcialmente. A soma dos que não perceberam piora na remuneração chega a 44,2%.

A maioria avalia que suas condições de trabalho pioraram nos últimos três anos. Um total de 40,7% concorda totalmente com isso, enquanto outros 16,8% disseram concordar parcialmente. Na soma, são 57,5%. Os que discordam total ou parcialmente chegam a 36,8%. As diferenças também podem ser grandes na carga horária, que pode variar de 20 horas a 60 horas semanais, e nos valores recebidos por profissionais dos setores público e privado.

“Profissionais que trabalham no setor privado, com procedimentos, têm condições de produzir melhores valores mensais, o que é mais difícil para médicos restritos a atendimentos clínicos ou que trabalham somente no setor público. Porém, de uma forma geral, médicos que realizam procedimentos tendem a gerar um valor econômico superior”, comenta Figueiredo.  

O especialista afirma que apesar das diferenças, ambos os setores têm vantagens e desvantagens, como em qualquer atividade profissional.  

“Ao fazer plantão, o médico geralmente recebe um valor fixo no Sistema Público. Lá existe o lado positivo de ter um valor agregado, porém ele não consegue acompanhar o paciente. Já no consultório, ele tem oportunidade de acompanhar diagnóstico, tratamento e de ser o médico de referência daquele paciente e daquela família”.

Enquanto a rede pública oferece concursos e é interessante para quem deseja segurança e estabilidade, a rede privada oferece ganhos maiores, maior concorrência, mas com alguma necessidade de maiores investimento em estrutura, marketing, entre outros.  Para Figueiredo, se a pretensão do médico é ganhar mais, é preciso enfrentar alguns desafios: “destacar-se em sua área de atuação, procurar saber como se tornar uma referência, produzir cientificamente e entregar, além de atendimento, boa experiência ao paciente, como logística, conforto, pontualidade e resolutividade”.

Comparações

REGIÃO SUDESTE: Um médico pediatra que trabalha 20h semanais em São Paulo, por exemplo, tem rendimentos mensais na faixa dos R$ 8.055. Já no Rio de Janeiro esse valor cai para R$ 4.951.

REGIÃO NORDESTE: Um cardiologista recebe R$5.215 na Bahia por um contrato de 20h semanais. Já o mesmo especialista em Pernambuco fecha o mês com R$ 3.032 no mesmo regime de trabalho.

REGIÃO SUL: Um médico psiquiatra recebe, em média, R$ 5.280 por 25 horas semanais no Rio Grande do Sul. Já no Paraná o mesmo profissional pode fazer R$ 7.935 por 18h de trabalho semanal.

REGIÃO NORTE: Um médico clínico no Amazonas, em regime de 30h semanais, recebe R$ 5.797,50. Já no Pará os rendimentos chegam a R$ 4.356.

REGIÃO CENTRO-OESTE: No Distrito Federal um ginecologista pode receber R$ 6.629,34 por 23h de trabalho semanais. Em Goiás o valor é de R$ 6.280.

Fonte: IPEMED

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Belisa Frangione - Publicado originalmente na plataforma da StartSe

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