Saiba como interpretar radiografia!

Entender corretamente os exames, é fundamental para um diagnóstico preciso. Por isso, todo médico deve saber interpretar radiografia corretamente para avaliar as condições do paciente e indicar o tratamento mais adequado para cada caso. O problema é que esse tipo de conhecimento nem sempre é bem adquirido na faculdade de medicina. Sem contar que uma boa interpretação dos exames requer prática e a compreensão das particularidades de cada parte do corpo.

Por isso, neste post mostramos um panorama sobre o funcionamento do raio-X e como interpretar radiografia da melhor forma. Continue lendo e aprenda como adotar na prática!

Como funciona um raio-X?

Radiografia ou raio-X é o exame diagnóstico por imagem mais usado, ainda que existam outros mais modernos, como a tomografia computadorizada e a ressonância magnética. Nele, é utilizada a radiação ionizante, que atravessa algumas estruturas do organismo, destacando outras mais internas. Esse tipo de exame é indolor e bem simples.

O paciente deve posicionar a área do corpo a ser analisada em um suporte e embaixo de uma abertura, pela qual sairão os raios-X. Assim que é acionado, o aparelho estimula o material radioativo, irradiando partículas ionizantes pela parte do corpo da pessoa, chocando-se contra uma chapa de metal.

Por que é importante saber interpretar radiografia?

Geralmente, o procedimento é feito por um técnico ou tecnólogo em radiologia. Porém, interpretar a radiografia é dever do médico. De acordo com dados do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), cerca de 80% dos médicos não souberam analisar o raio-X e não realizaram a conduta terapêutica adequada no paciente idoso no teste realizado pela instituição em 2016.

O resultado preocupa, principalmente porque os procedimentos adotados eram básicos, de baixa complexidade. Foram abordados casos clínicos comuns, como crises de hipertensão e doenças respiratórias. Mesmo que existam exames mais modernos, o raio-X continua sendo bastante utilizado, ainda mais em unidades básicas de saúde.

Ele também tem poucas restrições de uso (apenas para mulheres grávidas ou pessoas sensíveis à radiação) e um custo relativamente baixo. Além disso, o raio-X pode servir para diagnosticar inúmeras doenças e problemas de saúde, em diferentes partes do corpo. Assim, as imagens ajudam a identificar desde pneumonias e fraturas até bloqueios nos vasos sanguíneos e tumores.

Como interpretar cada tipo de raio-X?

Raio-X do tórax

A região torácica é a mais analisada pelos exames de raio-x, uma vez que concentra órgãos como o coração e os pulmões, além das artérias centrais. Uma das opções é realizar uma projeção Póstero-Anterior (PA), quando os raios atravessam as costas e saem pela frente. Dessa forma, serão mais visíveis as imagens dos órgãos frontais. Já na projeção Antero Posterior (AP), o feixe de raios entra pela parte da frente e sai pelo dorso. Dessa forma, o que estiver mais perto das costas ficará mais visível.

Além do posicionamento, outro fator que pode determinar a visualização é a movimentação dos pulmões na respiração. Quando eles estão expandidos (inspiração), fica mais difícil visualizar problemas na base pulmonar, como a pneumonia, ou na dimensão do coração, como a cardiomegalia. Outro fator que pode influenciar na formação das imagens é o sexo. No caso das mulheres, o tecido mamário pode impactar na radiografia, por absorver boa parte dos raios-X. Dessa forma, o médico precisa saber diferenciar as estruturas que ficam atrás das mamas, que são bem vascularizadas. Os próprios mamilos podem interferir no resultado, exigindo atenção do médico e uma abordagem diferenciada do técnico em radiologia.

O raio-X torácico pode ajudar a detectar nódulos, tumores, tuberculose, pneumotórax, derrame pericárdico, entre outras patologias. Qualquer anomalia que aparecer pode ser o sinal de uma doença. Em muitos casos, pode ser necessário realizar um exame mais detalhado, como tomografia e até biópsia, nos casos de suspeita de câncer. Nesse tipo de exame, a incidência precisa favorecer a análise de estruturas como a coluna, os ossos, os pulmões, o coração e alguns vasos periféricos. E é exatamente o entrelaçamento e a sobreposição dessas estruturas que pode dificultar a interpretação da radiografia. Por isso, é importante ficar atento à posição do paciente durante o exame e compará-la com o posicionamento dos órgãos.

Raio-X do abdômen

Esse tipo de radiografia pode ser usado para mostrar sinais de obstrução ou distensão nas alças intestinais, além de imagens da bexiga, dos rins e do fígado. Pode ser feito em PA, AP ou de lado, com o paciente deitado, em pé ou em decúbito. O exame ajuda a investigar casos como pedras nos rins, cálculos biliares, fecalomas e problemas digestivos e urinários.

Em alguns casos, pode ser recomendado o uso de contraste, que permite uma melhor visualização de uma área mais específica. Para interpretar radiografia do abdômen, recomenda-se a observação das estruturas anatômicas, o estiramento ou a extensão delas ou se não existem objetos estranhos que possam ter sido engolidos. No entanto, apesar de ainda ser utilizado, esse raio-x vem sendo substituído, cada vez mais, pela tomografia computadorizada, capaz de mostrar os órgãos com mais detalhes.

Raio-X da Coluna

A coluna vertebral pode ser analisada pelo raio-X extralongo, que mostra a estrutura totalmente, ou em partes (cervical, dorsal e lombar), apresentando apenas uma região específica. Pode, ainda, ser realizado de forma lateral, oblíqua, em PA ou AP, dependendo da necessidade. Alguns problemas que podem ser detectados são a hérnia de disco, a artrose, os desvios, o bico de papagaio e outras deformidades da coluna.

Também podem ser indicados casos de metástase. É muito importante que o técnico posicione o paciente corretamente, de acordo com a área a ser examinada. E essa informação deve ser repassada pelo médico, no pedido de exame. Para tanto, é preciso verificar se o paciente não tem nenhuma limitação física.

Raio-X da Face

O exame da face é mais indicado para a análise dos ossos da face, em casos de fraturas ou fissuras. Também é recomendado para visualizar os seios da face, sobretudo quando há indícios de sinusite ou câncer na cavidade nasal. Neste caso, o posicionamento do paciente também influencia bastante. Além das posições lateral e perfil, mais simples, e a PA e a AP, pode ser necessária a incidência oblíqua tangencial, que permite a observação do arco zigomático e da órbita ocular.

O raio-X pode ser usado, ainda, para a visualização dos membros inferiores e posteriores, em casos de fraturas ou tumores. Nesses casos, a visualização costuma ser mais simples, uma vez que a estrutura óssea é predominante. De qualquer forma, é fundamental interpretar radiografia corretamente, mesmo quando um problema parece evidente.

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