Como obter o RQE em Geriatria sem residência médica. Requisitos da SBGG, pré-requisito de Clínica Médica, formato do TEG e cronograma real. Guia completo
Por que a Geriatria exige Clínica Médica como pré-requisito {#prereq}
A Geriatria é reconhecida como especialidade de acesso indireto: para obtê-la formalmente, o médico precisa primeiro ter passado pela Clínica Médica. Isso se reflete tanto nos programas de residência — que exigem 2 anos de Clínica Médica antes de admitir o candidato ao programa de Geriatria— quanto na prova de título, em que a habilitação em CM é condição obrigatória verificada na inscrição.²
A lógica é clinicamente fundamentada. O cuidado ao paciente idoso é intrinsecamente multissistêmico: o geriatra precisa dominar cardiologia clínica básica, pneumologia, nefrologia, neurologia e medicina interna de . Sem essa base, a prática geriátrica ficaria fragmentada em queixas isoladas, sem a visão longitudinal que define o atendimento ao idoso de forma eficaz.
Para o médico sem residência, o pré-requisito de CM precisaser comprovado por uma das seguintes formas:
● Residência médica concluída em Clínica Médica(credenciada pela CNRM); ou
● Título de especialista em CM obtido pelo TECM(SBCM/AMB); ou
● Comprovação de atuação prático-profissional em ClínicaMédica, documentada no CNES como médico clínico por período equivalente aodobro da residência (4 anos mínimos), em hospital, UBS, UPA, AMA ouuniversidade
Esta terceira opção é central: o médico que atuou 4 anos comomédico clínico em ambiente hospitalar está, na prática, comprovando opré-requisito de base sem precisar passar pelo TECM primeiro.
As vias de habilitação para o TEG
Com o pré-requisito de CM confirmado, o candidato precisademonstrar também formação ou prática em Geriatria. A SBGG reconhece trêscaminhos:²
Via 1 — Residência em Geriatria + Clínica Médica prévia
Programa CNRM de 2 anos em Geriatria após a CM (2+2 anos = 4 anos no total). É o caminho mais direto, mas com o menor número de vagas disponíveis.
Via 2 — Treinamento em serviço credenciado pela SBGG
Estágio de 2 anos em serviço credenciado pela SBGG, com carga de aproximadamente 3.840 horas totais — exige vínculo com serviço credenciado, não é qualquer prática.
Via 3 — Atuação profissional comprovada em Geriatria
Prática clínica de mínimo 4 anos em serviços voltados ao atendimento do idoso, sob supervisão de um geriatra, documentada em hospitais, ambulatórios, instituições de longa permanência, atenção domiciliar ou ILPI.
Ponto técnico obrigatório: a SBGG é explícita que o período de atuação em Geriatria não pode ser concomitante ao período de atuação em Clínica Médica. Os dois períodos precisam ser sequenciais — primeiro CM, depois Geriatria.³ Isso significa que o médico que está acumulando práticaem CM e Geriatria ao mesmo tempo no mesmo serviço não pode somar os dois períodos como se fossem independentes.
Documentação obrigatória para inscrição
Para a inscrição no TEG, a documentação típica inclui:
● Diploma de graduação em Medicina reconhecido pelo MEC
● CRM definitivo ativo
● Certidão ético-profissional de nada consta do CRM
● Documentação do pré-requisito de CM:
- Certificado de residência em CM (CNRM), ou
- Título TECM (SBCM/AMB), ou
- Histórico CNES mostrando vínculo como "médico clínico" por 4+ anos + declarações com firma reconhecida
● Documentação da prática em Geriatria:
- Declaração do diretor do serviço geronto-geriátrico ou dogeriatra supervisor
- Registro das atividades realizadas (ambulatório, internação,visita domiciliar)
- Evidência de supervisão por especialista com TEG
● Currículo vitae com formação complementar
Verificar o edital do ano de inscrição para detalhes de formato e autenticação exigidos.
Como funciona o Exame de Suficiência em Geriatria (TEG)
O TEG é promovido pela SBGG em parceria com a AMB e aplicado anualmente. O formato das edições recentes inclui duas fases:
Fase 1 — Prova teórica
Questões objetivas sobre conteúdo geriátrico, incluindo:
● Avaliação geriátrica ampla (AGA) e funcionalidade
● Síndromes geriátricas: delirium, demências, quedas, fragilidade, sarcopenia, úlceras por pressão
● Farmacologia no idoso — polifarmácia, critérios de Beers, ajuste de dose
● Cuidados paliativos e fim de vida
● Bioética e aspectos legais do cuidado ao idoso
● Comorbidades no paciente idoso (cardiovascular, pulmonar, renal, metabólica, neurológica)
Fase 2 — Avaliação prática
Exame de habilidades clínicas, com ênfase em avaliação geriátrica funcional e raciocínio clínico aplicado ao paciente idoso complexo.
As inscrições para o TEG 2025 ocorreram entre 23 de junho e 23 de julho de 2025, com provas no segundo semestre.⁴ O TEG 2026 segue o mesmo ciclo anual.
O mercado de Geriatria no Brasil — a urgência do RQE
O dado demográfico é inequívoco: o Brasil será um dos paísescom maior população idosa do mundo nas próximas décadas. O IBGE projeta que 29%da população brasileira terá 60 anos ou mais em 2050 — o equivalente a 68milhões de pessoas.⁵
O sistema de saúde não está estruturalmente preparado. O número de geriatras cresce, mas em ritmo insuficiente para absorver a demanda projetada. Isso cria uma situação em que médicos clínicos que atendem idosos —sem o RQE em Geriatria — acabam realizando a mesma prática que seus pares com o registro, mas sem o reconhecimento formal que define remuneração, credenciamento e atuação institucional.
Para os convênios, o geriatra com RQE pode realizar procedimentos de avaliação geriátrica ampla com codificação específica. Para os hospitais, o RQE é critério de credenciamento para serviços de geriatria regulamentados pela ANS. Para o médico, é o documento que distingue o atendimento ao idoso como especialidade declarável de uma prática generalista.
A formação em Geriatria — seja por pós-graduação, seja por prática supervisionada — pode correr em paralelo ao período de acumulação de prática. Estudar enquanto atua é o caminho mais eficiente: quando o período mínimo de prática estiver cumprido, o médico já terá o conteúdo do TEG assimilado.
Um detalhe operacional relevante: a SBGG exige supervisão por geriatra durante o período de prática clínica declarada. Isso significa que o serviço onde o médico atua em geriatria precisa ter um especialista com TEG vinculado — não basta atender pacientes idosos de forma autônoma. Esse requisito vale tanto para a Via 2 (treinamento em serviço)quanto para a Via 3 (prática comprovada). Checar se o serviço tem geriatra supervisor antes de iniciar a contagem do período.
Perguntas frequentes
Posso contar os anos em que atuei simultaneamente em CM e Geriatria no mesmo serviço?
Não. A SBGG é expressa: os dois períodos precisam ser sequenciais. A prática em Geriatria começa a contar depois que a base de CM está estabelecida — não ao mesmo tempo.
Um médico sem título de CM pode se inscrever no TEG com 4 anos de CNES em CM?
Sim, desde que o CNES registre o vínculo como "médico clínico" em serviço aceito (hospital, UBS, UPA, AMA) e a documentação esteja em ordem. O título formal de CM não é exigido — a comprovação de capacitação equivalente é aceita.
O TEG é diferente do TEGO (Gerontologia)?
São dois títulos diferentes promovidos pela SBGG. O TEG é o Título de Especialista em Geriatria (especialidade médica, exclusiva para médicos). O TEGO é o Título de Especialista em Gerontologia (área multiprofissional). Para o RQE médico em Geriatria, o exame relevante é oTEG.
A supervisão por geriatra precisa ser formal (contratos, declarações)?
Sim. A SBGG exige declaração do geriatra supervisorconfirmando a supervisão e a natureza das atividades realizadas. Atuação emserviço sem supervisão documentada não é aceita como comprovação de prática.
Posso combinar anos de prática em serviços diferentes para totalizar os 4 anos?
Sim, desde que cada período seja devidamente documentado e quea supervisão por geriatra exista em cada serviço onde a prática for declarada.
O próximo passo
O mercado de Geriatria no Brasil tem uma demanda estruturalque não vai diminuir. Cada médico que obtém o RQE e atua formalmente naespecialidade está respondendo a uma lacuna real — não apenas construindo umacarreira, mas cobrindo uma necessidade que o sistema de saúde não tem comoresolver de outra forma.
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Rodapé — Fontes
¹ CFM — Conselho Federal de Medicina. Demográfica Médica 2023.Disponível em:[https://portal.cfm.org.br/categorias_noticias/demografia-medica-2023/](https://portal.cfm.org.br/categorias_noticias/demografia-medica-2023/)
² SBGG — Como obter o Título de Especialista em Geriatria(TEG). Disponível em:[https://sbgg.org.br/titulo-de-especialista/como-obter/](https://sbgg.org.br/titulo-de-especialista/como-obter/)
³ SBGG — Edital TEG 2025. Disponível em:[https://sbgg.org.br/wp-content/uploads/2025/06/Edital-TEG-2025-atualizado.pdf](https://sbgg.org.br/wp-content/uploads/2025/06/Edital-TEG-2025-atualizado.pdf)
⁴ SBGG — Concursos. Disponível em:[https://sbgg.org.br/titulo-de-especialista/concursos/](https://sbgg.org.br/titulo-de-especialista/concursos/)
⁵ IBGE — Projeção da população brasileira 2010–2060.Disponível em:[https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9109-projecao-da-populacao.html](https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9109-projecao-da-populacao.html)