RQE em Geriatria sem residência: o caminho pela prova de título da SBGG

29/9/2026
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equipe afya educacao médica
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Como obter o RQE em Geriatria sem residência médica. Requisitos da SBGG, pré-requisito de Clínica Médica, formato do TEG e cronograma real. Guia completo

O Brasil envelhece mais rápido do que o número de geriatrasconsegue acompanhar. Em 2023, o país tinha cerca de 3.600 geriatrascadastrados no CFM para uma população de 32 milhões de pessoas com 60anos ou mais — uma proporção de aproximadamente 1 geriatra para cada 9.000idosos.¹ A OMS recomenda 1 para 5.000. O déficit não é marginal: é estrutural,e cresce a cada ano em que a curva demográfica avança mais rapidamente do que aoferta de formação especializada.

Para o médico que já atua no cuidado ao idoso — em hospital,ambulatório, UBS ou serviço de atenção domiciliar —, a questão não é se ademanda existe. É como obter o reconhecimento formal que o RQE em Geriatriarepresenta. E o caminho sem residência existe: é a prova de título da SociedadeBrasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), reconhecida pela AMB, chamada deTEG — Título de Especialista em Geriatria.

Este guia detalha cada etapa do processo: quem pode seinscrever, o que precisa documentar, como é o exame e como construir o caminhode forma realista.

Por que a Geriatria exige Clínica Médica como pré-requisito {#prereq}

A Geriatria é reconhecida como especialidade de acesso indireto: para obtê-la formalmente, o médico precisa primeiro ter passado pela Clínica Médica. Isso se reflete tanto nos programas de residência — que exigem 2 anos de Clínica Médica antes de admitir o candidato ao programa de Geriatria— quanto na prova de título, em que a habilitação em CM é condição obrigatória verificada na inscrição.²

A lógica é clinicamente fundamentada. O cuidado ao paciente idoso é intrinsecamente multissistêmico: o geriatra precisa dominar cardiologia clínica básica, pneumologia, nefrologia, neurologia e medicina interna de . Sem essa base, a prática geriátrica ficaria fragmentada em queixas isoladas, sem a visão longitudinal que define o atendimento ao idoso de forma eficaz.

Para o médico sem residência, o pré-requisito de CM precisaser comprovado por uma das seguintes formas:

●    Residência médica concluída em Clínica Médica(credenciada pela CNRM); ou

●    Título de especialista em CM obtido pelo TECM(SBCM/AMB); ou

●    Comprovação de atuação prático-profissional em ClínicaMédica, documentada no CNES como médico clínico por período equivalente aodobro da residência (4 anos mínimos), em hospital, UBS, UPA, AMA ouuniversidade

Esta terceira opção é central: o médico que atuou 4 anos comomédico clínico em ambiente hospitalar está, na prática, comprovando opré-requisito de base sem precisar passar pelo TECM primeiro.

 

As vias de habilitação para o TEG

Com o pré-requisito de CM confirmado, o candidato precisademonstrar também formação ou prática em Geriatria. A SBGG reconhece trêscaminhos:²

Via 1 — Residência em Geriatria + Clínica Médica prévia

Programa CNRM de 2 anos em Geriatria após a CM (2+2 anos = 4 anos no total). É o caminho mais direto, mas com o menor número de vagas disponíveis.

Via 2 — Treinamento em serviço credenciado pela SBGG

Estágio de 2 anos em serviço credenciado pela SBGG, com carga de aproximadamente 3.840 horas totais — exige vínculo com serviço credenciado, não é qualquer prática.

Via 3 — Atuação profissional comprovada em Geriatria

Prática clínica de mínimo 4 anos em serviços voltados ao atendimento do idoso, sob supervisão de um geriatra, documentada em hospitais, ambulatórios, instituições de longa permanência, atenção domiciliar ou ILPI.

Ponto técnico obrigatório: a SBGG é explícita que o período de atuação em Geriatria não pode ser concomitante ao período de atuação em Clínica Médica. Os dois períodos precisam ser sequenciais — primeiro CM, depois Geriatria.³ Isso significa que o médico que está acumulando práticaem CM e Geriatria ao mesmo tempo no mesmo serviço não pode somar os dois períodos como se fossem independentes.

 

Documentação obrigatória para inscrição

Para a inscrição no TEG, a documentação típica inclui:

●    Diploma de graduação em Medicina reconhecido pelo MEC

●    CRM definitivo ativo

●    Certidão ético-profissional de nada consta do CRM

●    Documentação do pré-requisito de CM:

- Certificado de residência em CM (CNRM), ou

- Título TECM (SBCM/AMB), ou

- Histórico CNES mostrando vínculo como "médico clínico" por 4+ anos + declarações com firma reconhecida

●    Documentação da prática em Geriatria:

- Declaração do diretor do serviço geronto-geriátrico ou dogeriatra supervisor

- Registro das atividades realizadas (ambulatório, internação,visita domiciliar)

- Evidência de supervisão por especialista com TEG

●    Currículo vitae com formação complementar

Verificar o edital do ano de inscrição para detalhes de formato e autenticação exigidos.

 

Como funciona o Exame de Suficiência em Geriatria (TEG)

O TEG é promovido pela SBGG em parceria com a AMB e aplicado anualmente. O formato das edições recentes inclui duas fases:

Fase 1 — Prova teórica

Questões objetivas sobre conteúdo geriátrico, incluindo:

●    Avaliação geriátrica ampla (AGA) e funcionalidade

●    Síndromes geriátricas: delirium, demências, quedas, fragilidade, sarcopenia, úlceras por pressão

●    Farmacologia no idoso — polifarmácia, critérios de Beers, ajuste de dose

●    Cuidados paliativos e fim de vida

●    Bioética e aspectos legais do cuidado ao idoso

●    Comorbidades no paciente idoso (cardiovascular, pulmonar, renal, metabólica, neurológica)

Fase 2 — Avaliação prática

Exame de habilidades clínicas, com ênfase em avaliação geriátrica funcional e raciocínio clínico aplicado ao paciente idoso complexo.

As inscrições para o TEG 2025 ocorreram entre 23 de junho e 23 de julho de 2025, com provas no segundo semestre.⁴ O TEG 2026 segue o mesmo ciclo anual.

 

O mercado de Geriatria no Brasil — a urgência do RQE

O dado demográfico é inequívoco: o Brasil será um dos paísescom maior população idosa do mundo nas próximas décadas. O IBGE projeta que 29%da população brasileira terá 60 anos ou mais em 2050 — o equivalente a 68milhões de pessoas.⁵

O sistema de saúde não está estruturalmente preparado. O número de geriatras cresce, mas em ritmo insuficiente para absorver a demanda projetada. Isso cria uma situação em que médicos clínicos que atendem idosos —sem o RQE em Geriatria — acabam realizando a mesma prática que seus pares com o registro, mas sem o reconhecimento formal que define remuneração, credenciamento e atuação institucional.

Para os convênios, o geriatra com RQE pode realizar procedimentos de avaliação geriátrica ampla com codificação específica. Para os hospitais, o RQE é critério de credenciamento para serviços de geriatria regulamentados pela ANS. Para o médico, é o documento que distingue o atendimento ao idoso como especialidade declarável de uma prática generalista.

A formação em Geriatria — seja por pós-graduação, seja por prática supervisionada — pode correr em paralelo ao período de acumulação de prática. Estudar enquanto atua é o caminho mais eficiente: quando o período mínimo de prática estiver cumprido, o médico já terá o conteúdo do TEG assimilado.

Um detalhe operacional relevante: a SBGG exige supervisão por geriatra durante o período de prática clínica declarada. Isso significa que o serviço onde o médico atua em geriatria precisa ter um especialista com TEG vinculado — não basta atender pacientes idosos de forma autônoma. Esse requisito vale tanto para a Via 2 (treinamento em serviço)quanto para a Via 3 (prática comprovada). Checar se o serviço tem geriatra supervisor antes de iniciar a contagem do período.

 

 

Perguntas frequentes

 

Posso contar os anos em que atuei simultaneamente em CM e Geriatria no mesmo serviço?

Não. A SBGG é expressa: os dois períodos precisam ser sequenciais. A prática em Geriatria começa a contar depois que a base de CM está estabelecida — não ao mesmo tempo.

 

Um médico sem título de CM pode se inscrever no TEG com 4 anos de CNES em CM?

Sim, desde que o CNES registre o vínculo como "médico clínico" em serviço aceito (hospital, UBS, UPA, AMA) e a documentação esteja em ordem. O título formal de CM não é exigido — a comprovação de capacitação equivalente é aceita.

 

O TEG é diferente do TEGO (Gerontologia)?

São dois títulos diferentes promovidos pela SBGG. O TEG é o Título de Especialista em Geriatria (especialidade médica, exclusiva para médicos). O TEGO é o Título de Especialista em Gerontologia (área multiprofissional). Para o RQE médico em Geriatria, o exame relevante é oTEG.

 

A supervisão por geriatra precisa ser formal (contratos, declarações)?

Sim. A SBGG exige declaração do geriatra supervisorconfirmando a supervisão e a natureza das atividades realizadas. Atuação emserviço sem supervisão documentada não é aceita como comprovação de prática.

 

Posso combinar anos de prática em serviços diferentes para totalizar os 4 anos?

Sim, desde que cada período seja devidamente documentado e quea supervisão por geriatra exista em cada serviço onde a prática for declarada.

 

O próximo passo

O mercado de Geriatria no Brasil tem uma demanda estruturalque não vai diminuir. Cada médico que obtém o RQE e atua formalmente naespecialidade está respondendo a uma lacuna real — não apenas construindo umacarreira, mas cobrindo uma necessidade que o sistema de saúde não tem comoresolver de outra forma.

Para quem está nesse caminho — com a base de CM cumprida ou emandamento, e buscando uma formação em Geriatria que prepare de formaconsistente para o TEG e para a prática clínica —, a estrutura do programaimporta tanto quanto o conteúdo.

A Pós-Graduação em Geriatria da Afya tem 24 meses de duração, com 784 horas totais distribuídas entre teoria síncrona (384h), prática presencial em ambulatórios próprios (216h) e conteúdo assíncrono (184h). A prática ocorre com pacientes e casos reais, em ambulatórios próprios da Afya — não em simulação. O programa inclui módulos de finanças e gestão de consultório, reconhecendo que o médico que se especializa também está construindo um negócio.

 Conheça a Pós-Graduação em Geriatria da Afya

Rodapé — Fontes

 

¹ CFM — Conselho Federal de Medicina. Demográfica Médica 2023.Disponível em:[https://portal.cfm.org.br/categorias_noticias/demografia-medica-2023/](https://portal.cfm.org.br/categorias_noticias/demografia-medica-2023/)

 

² SBGG — Como obter o Título de Especialista em Geriatria(TEG). Disponível em:[https://sbgg.org.br/titulo-de-especialista/como-obter/](https://sbgg.org.br/titulo-de-especialista/como-obter/)

 

³ SBGG — Edital TEG 2025. Disponível em:[https://sbgg.org.br/wp-content/uploads/2025/06/Edital-TEG-2025-atualizado.pdf](https://sbgg.org.br/wp-content/uploads/2025/06/Edital-TEG-2025-atualizado.pdf)

 

⁴ SBGG — Concursos. Disponível em:[https://sbgg.org.br/titulo-de-especialista/concursos/](https://sbgg.org.br/titulo-de-especialista/concursos/)

 

⁵ IBGE — Projeção da população brasileira 2010–2060.Disponível em:[https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9109-projecao-da-populacao.html](https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9109-projecao-da-populacao.html)

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