Saiba quais são os remédios mais vendidos no Brasil e no mundo

A cada dia, novas descobertas e avanços nas áreas de Medicina e farmacêutica moldam a maneira como os profissionais de saúde cuidam de seus pacientes. Nesse sentido, conhecer os remédios mais vendidos é fundamental para ter percepções valiosas sobre as tendências de tratamento, preferências dos pacientes e os recursos terapêuticos mais amplamente disponíveis no país.

Diferentes fatores podem contribuir para o aumento das vendas de um determinado medicamento, como condições de saúde prevalentes no país e recomendações médicas. Quer saber mais sobre o assunto? Neste post, vamos abordar quais são os fármacos mais vendidos no Brasil e no mundo e por quais razões. Confira!

Panorama do mercado farmacêutico no Brasil

De acordo com o Anuário Estatístico do Mercado Farmacêutico 2022, da Secretaria Executiva da Câmera de Regulação do Mercado de Medicamentos (SCMED), o faturamento da indústria farmacêutica no Brasil apresentou uma queda de aproximadamente 3,0% em 2022, passando de R$ 135,2 bilhões em 2021 para R$ 131,2 bilhões.

Comparando com o ano anterior, houve uma redução de 7,2% no número de empresas envolvidas na venda de medicamentos, diminuindo de 234 para 217. Além disso, a quantidade de medicamentos comercializados também registrou uma redução de 1,0%, passando de 4.796 para 4.748 unidades.

A quantidade de princípios ativos disponíveis para comercialização caiu 0,4%, chegando a 2.001 em 2022, em comparação com o total de 2.009 em 2021. O número de categorias terapêuticas também registrou um encolhimento de 0,8%, com 505 categorias comercializadas em 2022, em contraste com as 509 categorias em 2021.

Os medicamentos novos e biológicos, somados, constituem em torno de 60% da receita total da indústria farmacêutica. Já os medicamentos genéricos lideraram em termos de quantidade de embalagens vendidas, alcançando um volume de cerca de 2,3 bilhões de unidades, equivalendo a 40,9% do total em 2022. Isso representou um aumento de 6,9% em comparação com o ano de 2021, quando foram vendidas quase 2,2 bilhões de unidades desses medicamentos.

Os medicamentos similares ocupam a segunda posição, com 1,7 bilhão de embalagens vendidas em 2022, o que significa 29,1% do total. A informação reflete um aumento de 1,8% em comparação a 2021, quando foram vendidas aproximadamente 1,6 bilhão de unidades, correspondendo a 26,9% do total naquele ano.

Tanto os medicamentos similares quanto os genéricos juntos totalizaram 4,0 bilhões de embalagens, o que resulta 70,0% do número total de unidades vendidas em 2022.

Uso de medicamentos entre brasileiros

Segundo dados do Conta-Satélite de Saúde, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os gastos das famílias e instituições brasileiras com medicamentos aumentaram de 4,4%% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010 para 5,8% em 2019.

Conforme uma pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Farmacêutica (CFF), 77% dos brasileiros se automedicam, sendo que 47% se automedica uma vez por mês, 25% diariamente ou uma vez por semana.

O estudo também avaliou a automedicação de remédios prescritos, que é quando o paciente consulta com o médico e recebe a receita, mas não utiliza as substâncias conforme as orientações médicas, alterando a dosagem indicada, por exemplo. Essa conduta está presente em 57% dos entrevistados, especialmente entre os homens (60%) e jovens com idade de 16 a 24 anos (69%).

Quais são os medicamentos mais vendidos no Brasil?

A lista de medicamentos mais vendidos no Brasil em 2022, presente no Anuário Estatístico do Mercado Farmacêutico, realizado pela SCMED, traz à tona um panorama abrangente do cenário farmacêutico do país, revelando os produtos que se destacaram em termos de vendas e oferecendo insights valiosos sobre as tendências do mercado. Descubra quais são essas substâncias.

Cloridato de sódio

O cloridrato de sódio, também conhecido como cloreto de sódio ou sal de mesa, é uma substância que serve para repor sódio no organismo e é comumente utilizado para tratar casos de desidratação causados por condições como diarreia ou vômitos.

Ele funciona ajudando a restabelecer o equilíbrio de eletrólitos no corpo. Apesar de ser amplamente prescrito em várias situações médicas, seu uso excessivo pode levar a problemas de pressão arterial elevada e retenção de líquidos.

Losartana Potássica

Usado para tratar a hipertensão arterial e condições relacionadas ao coração, como insuficiência cardíaca, o Losartana Potássica relaxa os vasos sanguíneos, diminuindo a pressão arterial.

Uma de suas vantagens é o seu bom perfil de tolerância, mas pode causar efeitos colaterais, como tontura e alterações nos níveis de potássio.

Cloridrato de metformina

O cloridrato de metformina consiste em uma droga oral destinada ao tratamento da diabetes tipo 2, que controla os níveis de glicose no sangue. Sua ação principal envolve a redução da produção de glicose pelo fígado e o aumento da sensibilidade das células à insulina, permitindo que o corpo utilize melhor o açúcar no sangue.

O medicamento causa menos riscos de hipoglicemia em comparação com outros medicamentos para diabetes. No entanto, pode provocar náuseas.

Dipirona

Classificado como uma medicação analgésica e antipirética empregada no alívio da dor e controle da febre, a dipirona bloqueia sinais de dor no cérebro e diminui a produção de substâncias inflamatórias no corpo.

Ela indicada para condições dolorosas e febris. Contudo, em casos raros, pode causar reações alérgicas graves, como agranulocitose, requerendo atenção médica.

Nimesulida

A nimesulida é definida como um anti-inflamatório não esteroide (AINE), desenvolvida para combater a dor e eliminar a inflamação. É receitada para tratar condições como dor aguda, inflamação e febre.

Um dos diferenciais do medicamento é a sua alta eficácia e rápida ação. Entretanto, o seu uso também pode elevar os riscos de problemas gastrointestinais, cardiovasculares e hepáticos.

Ibuprofeno

O ibuprofeno também é um medicamento AINE usado para a redução da dor, inflação e febre. No geral, a sua prescrição é voltada para tratar condições que compreendem dores musculares, artrite, dor de cabeça e febre.

Alguns dos pontos positivos do remédio incluem alívio rápido da dor e ampla disponibilidade. Porém, se usado de forma por muito tempo ou em doses elevadas, pode ter implicações gastrointestinais, renais e cardiovasculares.

Paracetamol

Pertencente a categoria de analgésico e antipirético, o paracetamol tem como foco diminuir a dor e febre. Sua ação exata não é totalmente compreendida, mas envolve a redução da produção de substâncias no cérebro que causam dor e febre.

Ele é receitado para condições dolorosas e febris, considerado seguro quando utilizado em doses recomendadas. É vantajoso porque tem eficácia alta, além de ser seguro e apresentar baixo risco de efeito colateral grave. Contudo, em doses excessivas, pode causar danos ao fígado.

Cloridrato de nafazolina

O cloridrato de nafazolina é uma substância vasoconstritora utilizada em colírios e soluções nasais para aliviar temporariamente a congestão nasal causada por alergias ou resfriados.

Ele funciona estreitando os vasos sanguíneos nas membranas mucosas do nariz, reduzindo o inchaço e a congestão. O seu uso ajuda a melhorar a respiração nasal, mas se for usado por muito tempo pode acarretar irritação nas vias respiratórias ou dependência.

Levotiroxina Sódica

Descrita como um medicamento hormonal, a Levotiroxina Sódica é designada ao tratamento de distúrbios da tireoide, como hipotireoidismo, que é a deficiência de hormônios tireoidianos.

Ao ser consumida, a substância fornece uma forma sintética do hormônio tireoidiano T4, que o corpo utiliza para regular o metabolismo. Desse modo, é possível restabelecer os níveis hormonais normais, controlando os sintomas como fadiga e ganho de peso.

Se utilizado inadequadamente ou em excesso, o remédio pode levar ao hipertireoidismo, logo a sua dosagem deve ser constantemente monitorada por profissionais de saúde.

Duloxetina

Conforme um levantamento do CFF, as vendas de antidepressivos e estabilizadores de humor aumentaram 36% no Brasil durante a pandemia. Nesse sentido, a Duloxetina é um dos medicamentos mais vendidos no país.

Ela faz parte da classe dos inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN), utilizado no tratamento de transtornos depressivos, transtorno de ansiedade generalizada, dor neuropática crônica e fibromialgia.

Uma vez ingerida, a substância aumenta a disponibilidade de serotonina e noradrenalina no cérebro, contribuindo para regulação do humor e redução da percepção da dor. A Duloxetina pode ser administrada para condições complexas, como depressão e dor crônica, em uma única medicação. Porém, pode causar efeitos colaterais, como náuseas e tonturas.

Quais são os medicamentos mais vendidos no mundo?

Recentemente o Statista, especialista em coleta e visualização de dados, divulgou um ranking com os medicamentos mais comercializados em todo o mundo. Saiba quais são eles.

Adalimumabe

O Adalimumabe é uma medicação biológica classificada como um anticorpo monoclonal. Normalmente, é prescrita para tratar doenças autoimunes, como artrite reumatoide, doença de Crohn, espondilite anquilosante e psoríase.

A droga inibe a ação do fator de necrose tumoral alfa (TNF-alfa), uma proteína inflamatória no corpo. É eficiente no controle de patologias autoimunes graves, melhorando a qualidade de vida dos pacientes.

Todavia, seu uso pode causar supressão do sistema imunológico, infecções e reações no local da aplicação.

Pembrolizumabe

Definido como um inibidor do checkpoint imunológico PD-1, o Pembrolizumabe é receitado para o tratamento de diferentes tipos de câncer, como o de pulmão e o melanoma.

A finalidade do medicamento é desbloquear o sistema imunológico, permitindo que ele reconheça e ataque as células cancerígenas. É benéfico por elevar as respostas imunológicas contra o câncer, mas também pode gerar impactos negativos no organismo, como reações autoimunes e problemas no sistema imunológico.

Apixabano

O Apixabano é um anticoagulante que previne a formação de coágulos sanguíneos em pacientes com condições médicas, como fibrilação atrial, trombose venosa profunda e embolia pulmonar.

O mecanismo de ação da droga ocorrer por meio da coagulação do sangue, reduzindo o risco de AVCs, embolias e tromboses. Suas vantagens englobam a eficácia na prevenção de eventos tromboembólicos, com menor necessidade de monitoramento em comparação com outros anticoagulantes. Por outro lado, pode ocasionar sangramento e interações medicamentosas.

Aflibercept

Produzido para combater doenças oculares, como a degeneração macular relacionada à idade e ao edema macular diabético, o Aflibercept bloqueia a ação de substâncias que causam a formação de novos vasos sanguíneos na retina, o que é frequente em condições oculares.

Ele pode ser aplicado no tratamento de patologias oculares graves, ajudando a preservar a visão, mas é injetado intravítrea, o que pode ser desconfortável para alguns pacientes.

Quais são os medicamentos mais prescritos no Brasil?

Observar quais são os medicamentos mais prescritos pelos médicos brasileiros é uma importante iniciativa para entender com as doenças estão sendo tratadas no país e quais problemas de saúde prevalentes na sociedade.

De acordo com uma pesquisa feita pela Close-Up Internacional, empresa que faz auditoria em prescrições médicas, entre os remédios mais prescritos no Brasil estão:

  • Amoxicilina;
  • Escitalopram;
  • Azitromicina;
  • Cefalexina;
  • Losartana;
  • Alprazolam;
  • Sinvastatina;
  • Ciprofloxacin; e
  • Sertralina.

O que explica esse cenário?

A Losartana é prescrita em larga escala para tratar hipertensão arterial, que é uma condição médica comum no Brasil. Dessa maneira, é uma aliada para controlar a pressão sanguínea e prevenir complicações cardiovasculares.

Já a Amoxicilina é um antibiótico de amplo espectro usado no tratamento de diversas infecções bacterianas, sendo um medicamento fundamental em um país onde infecções ocorrem com frequência. A Azitromicina e a Cefalexina, que pertencem à mesma categoria de remédio, também são relevantes para e eliminação de infecções respiratórias e de pele recorrentes entre os brasileiros.

Os casos de depressão e ansiedade no Brasil tem apresentado um aumento alarmante nos últimos, o que justifica que o Alprazolam, Escitalopram e Sertralina, antidepressivos e ansiolíticos, figurarem entre as drogas mais prescritas nacionalmente.

Diversos fatores relacionados a de estilo de vida, como dieta rica em gorduras saturadas e falta de atividade física, combinados com predisposição genética, colaboram para que anualmente milhares de pessoas sejam diagnosticadas com colesterol alto em todo o mundo. O problema aumenta o número de prescrição da Sinvastatina, que controla a doença, sobretudo, em cardíacos.

Por fim, a Ciprofloxacina é um antibiótico eficaz para tratar uma variedade de infecções, incluindo as do trato urinário e gastrointestinal, que também são rotineiras no país.

Conhecer e estudar os remédios mais vendidos no Brasil é fundamental para a sua atuação profissional, pois permite acompanhar tendências de saúde da população e a realização de escolhas terapêuticas informadas.

Com isso, você pode a otimizar tratamentos, considerando a eficácia, custos e possíveis interações medicamentosas. Ademais, essa conduta colabora para uma prática médica mais eficaz e segura, que atende às necessidades dos pacientes de forma mais precisa.


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