Quais são os principais tumores de pele não melanoma?

Para falar sobre as primeiras elementares e dermatoses mais frequentes da pele, do cabelo e da unha, a equipe IPEMED preparou uma série de artigos que incluem algumas das dermatoses e tumores comuns na prática dermatológica, além de abordar os temas mais recentes em dermatoscopia. Serão 8 posts no blog, divididos por temas. Este é o quinto post da série, escrito pelo professor Dr. Vinicius Arrais. Confira:

O que é o câncer de pele não melanoma?

O câncer de pele não melanoma representa cerca de 30% do total de casos de câncer registrados no Brasil. Esse é o tipo de câncer de pele de maior incidência, mas que quando diagnosticado precocemente e tratado adequadamente tem baixa mortalidade. Existem dois tipos básicos de câncer de pele:

  • O não melanoma, que surge nas células basais ou  nas escamosas;
  • O melanoma, que tem origem nos melanócitos.

O câncer de  pele não melanoma representa 95% do total dos casos de câncer de pele e são representados principalmente pelo Carcinoma Basocelular (CBC) e o Carcinoma Espinocelular (CEC). O CBC  representa 71,4% dos casos de tumores malignos da pele e o CEC responde por 21,7% dos casos de tumores malignos da pele.

O Carcinoma Basocelular (CBC)

O Carcinoma Basocelular (CBC) é o tumor maligno mais frequente na pele,  sendo a radiação ultravioleta o fator  mais importante envolvido na sua patogênese. Clinicamente, apresenta-se como uma lesão papulosa ou em placa, com aspecto infiltrativo, com coloração variável, podendo ser eritematosa, acastanhada ou enegrecida. Ele apresenta  um aspecto perláceo e presença de  telangiectasias.

Na dermatoscopia destacamos os seguintes achados:

  • Ausência de rede pigmentar
  • Telangiectasias arboriformes
  • Áreas com aspecto em Raio de roda
  • Áreas em Folha (dedo de luva)
  • Grandes ninhos ovóides azul – acinzentados (variante pigmentada)
  • Glóbulos azul-acinzentados
  • Ulceração

Estruturas em raio de roda
Fonte: Ashfaq A. Marghoob, MD; Josep Malvehy, MD; Ralph P. Braun, MD. Atlas of Dermatoscopy, segunda edição, Informa health. 2012

O Carcinoma Espinocelular (CEC)

O Carcinoma Espinocelular representa o segundo tumor mais frequente na pele, sendo o tumor cutâneo mais comum em transplantados e com potencial para metástases em 5% dos casos. Origina-se da proliferação atípica de células da camada espinhosa e a queratose actínica, leucoplasia, radiodermite, úlceras e cicatrizes podem ser lesões precursoras. Clinicamente, se manifesta como uma pápula ou nódulo, com aspecto ceratótico e ulcerativo, com componentes em placas, vegetantes ou verrucosos.

Na dermatoscopia encontramos:

  • Vasos glomerulares;
  • Áreas amarelo-esbranquiçadas;
  • Escamas;
  • Ulceração;
  • Presença de halo branco ao redor de vasos (puntiformes, em grampo de cabelo, glomerulares, irregulares ou polimorfos);
  • Rolhas de queratina com pontos hemorrágicos (blood spots);
  • Círculos brancos brilhantes ao redor dos folículos pilosos;
  • Rosetas.

Rosetas
Fonte: Ashfaq A. Marghoob, MD; Josep Malvehy, MD; Ralph P. Braun, MD. Atlas of Dermatoscopy, segunda edição, Informa health. 2012

O ceratoacantoma

O ceratoacantoma é um tumor cutâneo que acomete mais os pacientes idosos e em áreas fotoexpostas, como cabeça e extremidades. Geralmente é solitário. Para alguns autores, é considerado uma variante do CEC e, para outros, uma neoplasia benigna, havendo controvérsias na literatura sobre a natureza desta lesão. Tem como característica o rápido desenvolvimento e, em alguns casos, a involução completa sem tratamento. Clinicamente, apresenta-se como nódulo acentuadamente circunscrito, crateriforme, com rolha queratósica central, podendo surgir sobre dermatoses como eczema, cicatrizes, prurigo nodular e áreas tratadas previamente com fototerapia, TFD e imiquimode.

A dermatoscopia do ceratoacantoma é caracterizada por uma crosta central de queratina circundada por vasos lineares de diferentes calibres. Podem ser encontrados vasos em espiral e em serpentina, vasos pontilhados (pontos vermelhos) ou glomerulares (enrolados). Também podem ser vistos ocasionalmente. Além disso, a queratina central semelhante a pérola pode estar circundada por estruturas e círculos brancos. Enfatizamos a importância da dermatoscopia que junto ao exame clínico e anamnese minuciosa aumentam a acurácia diagnóstica, levando ao diagnóstico precoce e melhora do prognóstico e qualidade de vida dos pacientes.

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Texto Elaborado pelo Dr. Vinicius Arrais

Especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia e AMB. Pediatra e Neonatologista pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Especialista em Dermatocosmiatria pela Faculdade de Medicina do ABC. Fellow no ambulatório de tricologia da Faculdade de Medicina do ABC. Especialização em Tricologia pela Faculdade ISMD. Preceptor da Pós-graduação em Dermatologia e Tricologia do IPEMED.

Referências Bibliográficas

  • Ashfaq A. Marghoob, MD; Josep Malvehy, MD; Ralph P. Braun, MD. Atlas of Dermatoscopy, segunda edição, Informa health. 2012
  • Pele não melanoma. Disponível em: https://www.accamargo.org.br/sobre o-cancer/tipos-de-cancer/pele-nao melanoma. Acesso em 07 de abril de  2021
  • Ramos – e- silva M; Campos-do-carmo G; Marques-da-costa J. Fundamentos  de Dermatoscopia- Atlas
  • Dermatológico. 2ª edição, 2017. Editora Ateneu.
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