Psiquiatria: mercado de trabalho, áreas de atuação e oportunidades de carreira

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Com a pandemia de Covid-19, houve uma sensível mudança na prevalência de doenças mentais. Dados recentes alertam para a necessidade de ampliar a demanda de profissionais da Psiquiatria e melhorar a assistência à Saúde Mental. E isso, de forma urgente.

Sob essa ótica, a proposta desse material é discorrer sobre uma das especialidades médicas mais relevantes: a Psiquiatria. Veja como é esse nicho, o mercado de trabalho e as oportunidades de carreira para o médico recém-formado que quer apostar nessa área. Acompanhe!

Como o médico psiquiatra atua?

O psiquiatra atua na promoção da saúde mental visando o bem-estar e a melhor qualidade de vida dos pacientes. Mais comumente, esse médico é responsável por diagnosticar e tratar todos os problemas que afetam o comportamento, assim como doenças cognitivas e outros distúrbios mentais.

Na rotina médica, esse profissional pode atuar individualmente em consultórios e clínicas ou integrando equipes interdisciplinares em instituições médicas de grande porte. Em geral, o psiquiatra atua centrado na reabilitação da saúde de pessoas que apresentam necessidades distintas, sejam de natureza orgânica ou psicossomática.

Quais as principais doenças tratadas pela Psiquiatria?

O foco dessa especialidade é a reabilitação da saúde mental. Nesse sentido, o psiquiatra auxilia os pacientes que apresentam os seguintes transtornos:

  • depressão;
  • esquizofrenia;
  • transtorno bipolar;
  • síndrome de Burnout;
  • transtorno dissociativo;
  • desordens cognitivas como Alzheimer;
  • Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC);
  • Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG);
  • autismo e alterações genéticas que afetam o comportamento.

Para complementar o cuidado na assistência à saúde mental, além da anamnese, o médico pode solicitar exames diversos para direcionar as condutas e terapias perante os distúrbios apresentados pelo paciente. Nessa investida, a realização de exames de imagem — como tomografia, ressonância magnética e eletroencefalograma — e análises laboratoriais são essenciais.

Na avaliação diagnóstica, o psiquiatra deve considerar as perspectivas biológicas e fisiopatológicas, assim como as questões de ordem genética e familiar que podem culminar nos transtornos mentais. Em vista disso, o profissional deve ter em mente que cada paciente é único e, sendo assim, suas necessidades individuais precisam ser respeitadas.

Quais são as habilidades essenciais nessa área?

A Psiquiatria é um campo com diferentes possibilidades de atuação. Ainda que em todas elas, algumas habilidades sejam essenciais, na relação médico-paciente existem virtudes imprescindíveis. Isso porque, ao mesmo tempo em que a profissão permeia o subjetivo, ela requer sensibilidade para transformar sensações em palavras.

Em vista disso, quem atua nessa área não só deve cultivar certas habilidades, mas também manter-se alinhado às novidades que surgem para utilizar as estratégias adequadas na prática clínica. Logo, a Psiquiatria é uma especialidade maravilhosa, com um leque bem amplo de possibilidades, mas que requer dedicação e paciência para superar seus desafios.

Nesse cenário, destacamos algumas habilidades relevantes para todo psiquiatra. Confira:

  • resiliência;
  • altruísmo;
  • humildade;
  • sensibilidade;
  • boa comunicação;
  • dedicação aos estudos;
  • esforço para superar os desafios de rotina;
  • capacidade de percepção das dificuldades do paciente.

Quais as vantagens em investir na carreira de Psiquiatria?

Sem dúvida, a carreira médica é uma das mais promissoras e, por isso, a mais desejada do país. Mas as vantagens de se tornar um psiquiatra não se limitam apenas às questões relacionadas ao possível sucesso financeiro. Afinal, como acontece em qualquer profissão, na área médica também é preciso avaliar outros fatores intrínsecos à carreira.

Contudo, quem investir em uma especialidade voltada para a Psiquiatria, certamente contará com benefícios a mais. Para começar, quem opta por esse campo pode se especializar em variadas subáreas igualmente interessantes. As com maiores possibilidades no mercado são a Psiquiatria infantojuvenil, a Psiquiatria forense, a Psicogeriatria e outras focadas na assistência clínica.

Além de um vasto campo de atuação, a Psiquiatria também se torna interessante devido às seguintes vantagens:

  • mesmo antes da pandemia, não havia profissionais para suprir a demanda por atendimentos em saúde mental;
  • o impacto do cenário pandêmico elevou a busca por suporte psicológico e psiquiátrico;
  • a Psiquiatria é a especialidade que possibilita trabalhar tanto em regime eletivo, quanto em plantões em hospitais da área;
  • como não envolve cirurgia, é possível fazer uma especialização em tempo menor;
  • há maiores oportunidades no mercado para os médicos recém-formados, que ainda não têm vínculo empregatício com outras instituições.

O que apontam as estatísticas sobre as doenças mentais no Brasil?

Recentemente, foi divulgado o relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), com dados sobre a assistência psiquiátrica e psicológica à população, as perspectivas e os desafios desses campos. Os estudos foram realizados em 2020, no início da pandemia de Covid-19. Por meio desse documento, a classe médica pôde enfrentar a dura realidade que envolve a saúde mental.

Em termos globais, as estatísticas apresentaram um cenário bastante desafiador quanto à realidade da saúde da população. Assim como acontece no Brasil, a ausência de programas mais estratégicos e a falta de políticas públicas que fomentem o suporte corroboram para esse cenário.

Soma-se a isso, a carência de especialistas em Psiquiatria, já que a quantidade desses profissionais no mercado não supre a demanda por atendimento. Lançado a cada três anos, o Atlas de Saúde Mental é um relatório compilado pela própria OMS. Entre outros objetivos, o documento visa levantar discussões sobre a necessidade de transformar a realidade da saúde mental no globo.

Entretanto, as estatísticas são claras e demonstram que, tanto na esfera pública quanto na privada, urge a necessidade de ampliar a assistência psiquiátrica para a população. Ou seja, tanto quem já atua na Psiquiatria como aqueles que almejam se especializar nesse campo devem se conscientizar de que é necessário buscar soluções mais eficazes para transformar esse cenário.

Por que a pandemia de Covid-19 alterou o cenário da Psiquiatria?

Mesmo antes da pandemia, a realidade da saúde mental no Brasil e no mundo já sinalizavam uma situação bastante desafiadora. Após esse evento, a situação piorou consideravelmente. Tanto que especialistas desse campo defendem que o mundo está experimentando uma nova pandemia: a de saúde mental.

No Brasil, as consequências do coronavírus contribuíram para elevar, significativamente, as estatísticas de doenças mentais: atualmente, os distúrbios mentais afetam 18,6 milhões de brasileiros. Isso demonstra que os impactos gerados pelo novo coronavírus tanto agravam as condições prévias, como geram novos quadros de ansiedade e de depressão, por exemplo.

Mesmo que algumas questões já existentes — como o esgotamento mental — funcionem como gatilhos para o desenvolvimento de problemas psíquicos, a pandemia de Covid-19 e as consequências de suas modificações na vida das pessoas contribuíram para exacerbar essa condição.

Outro ponto que merece consideração é o surgimento de novos casos: as doenças mentais afetam até aqueles que não eram considerados fator de risco e quem não apresentava questões emocionais prévias. Em tese, as mudanças de perspectivas quanto ao futuro impactaram, significativamente, o estado emocional da coletividade.

Diante disso, é possível perceber que tais mudanças no cenário da saúde aumentaram a demanda por psicólogos e psiquiatras. Entre os fatores que mais contribuíram para essa realidade destacam-se:

  • aumento de doenças como a depressão e ansiedade em pessoas de diferentes faixas etárias, inclusive em crianças;
  • maior exposição à Síndrome de Burnout devido às mudanças resultantes do modelo de trabalho remoto;
  • maior exposição ao estresse gerado pela pressão no trabalho;
  • desenvolvimento de novas doenças emocionais que se sobrepuseram às questões já existentes;
  • aumento dos conflitos familiares decorrentes de desemprego e de redução de salário;
  • baixa da autoestima resultante de uso excessivo de redes sociais e de outras tecnologias;
  • maior número de casos ligados à violência doméstica;
  • perdas humanas, financeiras ou relacionadas a questões afetivas.

Segundo a OMS, quais fatores impactam a saúde mental da população atual?

Recentemente, a OMS apontou dados alarmantes sobre a condição de saúde populacional pós-Covid-19. Os números de um relatório confirmaram a intrínseca relação entre a pandemia e o surgimento de agravos à saúde mental. Em todo o mundo, houve um aumento de 25% nos casos de ansiedade e depressão. O Brasil foi um dos participantes da pesquisa.

Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS, alertou que a situação é extremamente preocupante. Segundo ele, essa condição é tão delicada que as estatísticas referentes ao impacto da Covid-19 na saúde mental da população global remete apenas à ponta do iceberg.

Nesse sentido, a premissa é básica: independentemente do cenário pandêmico, as doenças psiquiátricas são de grande importância clínica e epidemiológica. Nas entrelinhas, o órgão instiga as lideranças sanitárias de todos os países a investirem maciçamente nos tratamentos nessa área.

Assim, é necessário oferecer um suporte mais adequado à saúde mental de suas populações. Indivíduos com transtornos mentais mais graves e jovens em condição de vulnerabilidade social estão, particularmente, em maior risco.

Entre os pontos de alerta propostos pela OMS destacam-se:

  • as doenças mentais têm manifestações diferentes, pois são caracterizados pela combinação de percepções, emoções e pensamentos negativos;
  • os comportamentos anormais podem agravar sintomas pré-existentes e afetar as relações pessoais, sociais e profissionais;
  • a ausência de tratamento é um complicador epidemiológico que requer mudanças nas políticas públicas de saúde;
  • o aumento dos transtornos mentais geram impactos significativos sobre a saúde, as relações sociais, econômicas e dificultam o cumprimento dos direitos humanos;
  • o uso de estratégias mais eficazes ajudam a prevenir transtornos mentais — como a depressão.

Atualmente, como é o mercado de trabalho para o psiquiatra?

Segundo o Relatório de Demografia Médica, divulgado pela Universidade de São Paulo (USP), a carreira de Psiquiatria apresenta um déficit de profissionais no país. Uma das razões é o aumento da demanda por atendimento resultante das condições inerentes ao cenário da Covid-19.

Os dados são de 2020 e se referem ao panorama nacional. Observe os números da carreira em relação às demais especialidades médicas:

  • há apenas 11.977 psiquiatras com registro ativo no Brasil;
  • esse número corresponde a 2,8% da quantidade de médicos;
  • destes, 55,1% são homens e 44,9% são mulheres;
  • a média de idade desses profissionais é de 48,7 anos;
  • o estado com maior número de especialistas é São Paulo (3.528) e o menor é Alagoas (13).

Carreira e salário

Quem se especializa em Psiquiatria pode atuar em diversas frentes de trabalho que vão desde a prática clínica, área de pesquisa, livre docência e gestão hospitalar. Em todas essas áreas, o médico psiquiatra é bem remunerado: no Brasil, a média salarial para 30 horas semanais é de R$ 13.529,00.

Vale destacar, ainda, que há vagas em cidades interioranas de diversos estados brasileiros e em órgãos públicos menos conhecidos com ofertas de ótimos salários. Nesses locais, há mais oportunidades de aprovação em concursos públicos, haja vista a menor concorrência.

Como se tornar um médico psiquiatra?

Para atuar como psiquiatra, o médico, após cursar os seis anos da graduação e adquirir o registro médico (CRM), deverá fazer Pós-graduação ou Residência Médica em Psiquiatria.

A Residência Médica, que, em geral, é bem concorrida, confere automaticamente ao profissional o título de especialista. A Pós médica, por sua vez, além de preparar o médico para o mercado de trabalho, garante o conhecimento necessário para a aprovação na prova de título aplicada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), bem como a oportunidade de adquirir experiência na área — requisito necessário para obter a titulação.

Com o título de psiquiatra em mãos, no entanto, o médico há de se manter atualizado e seguir estudando ao longo da carreira.

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Entre as de maior destaque, a carreira de Psiquiatria é uma das melhores alternativas da atualidade. Considerando o espaço aberto no mercado, o aumento da demanda por atendimento e a relevância da especialidade, vale considerar o que a OMS defende: “não há saúde sem saúde mental''.

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