5 dicas para o médico que trabalha em plantão noturno

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Diante da rotina contínua de plantões que muitos médicos — principalmente os recém-formados — enfrentam, cada profissional vai desenvolvendo as próprias estratégias ao longo do tempo para desempenhar suas funções. O plantão noturno, especificamente, pode causar maior privação de sono, requerendo cuidados mais específicos para que a saúde física e mental seja conservada.

Dessa forma, alguns hábitos saudáveis podem ser cultivados para ter uma boa qualidade de vida. Nesse contexto, identificamos as principais dificuldades e complicações do plantão noturno e separamos 5 dicas valiosas para os médicos que trabalham nesse horário. Acompanhe o texto e entenda como manter a energia e foco durante o horário de trabalho!

1. Planeje-se

Essa primeira dica pode até parecer um pouco óbvia, mas, acredite: é a orientação primordial para que você alcance certa tranquilidade diante da rotina atribulada que o plantão noturno pode acarretar. Muitos profissionais de medicina que trabalham durante a noite também têm compromissos durante o dia. Provas e aulas teóricas da pós-graduação, por exemplo, demandam estudo prévio — e uma boa preparação é essencial.

Planeje de antemão sua semana (ou o mês inteiro) de acordo com a agenda de plantões nos quais suas noites estão escaladas. Uma alternativa interessante é criar uma planilha (daquelas mais simples mesmo no Excel ou Google Calendar) ou em outra ferramenta online. Existem alguns aplicativos bastante úteis focados apenas na organização da agenda de plantões, como o PegaPlantão. A ferramenta inclusive permite que você crie uma rede com seus colegas e solicite troca de plantões, otimizando a gestão de escalas.

2. Adapte-se

A segunda dica relaciona-se à primeira, e de nada adianta um bom planejamento se você não conseguir adaptar seu organismo à rotina do plantão noturno. Ajustar o próprio ritmo de acordo com as atividades e horários do dia é um bom começo. Para isso, busque praticar atividades adequadas e que tenham o potencial de renovar sua energia antes de começar o plantão.

Tente encaixar exercícios físicos como corrida, musculação ou natação no período anterior à jornada de trabalho e perceba como a disposição vai aumentar. Já quando o plantão noturno acabar, o ideal é chegar em casa e descansar, diminuindo o ritmo. Tente não ficar mexendo no celular, tome um banho morno, coma alimentos leves e desfrute de boas horas de sono em um quarto escuro e silencioso.

Pequenas adaptações antes e depois do plantão noturno auxiliam seu organismo a entender melhor a rotina de atividades, e o metabolismo vai ajustando o ritmo fisiológico ao longo do dia. Dessa forma, o corpo sofre menos oscilações, assim como as respostas psicomotoras e neurológicas.

3. Determine suas horas de sono

Já falamos que planejamento e adaptação ao plantão noturno são fundamentais, sendo que você necessita de ambos para conseguir desfrutar de horas de sono reconfortantes. E, nesse ponto, é importante que você realmente determine quantas horas de sono dormirá por dia.

Principalmente no início da adaptação, pode ser que o seu ritmo circadiano não entenda muito bem as mudanças na rotina. Determinar suas horas de sono pode fazer a diferença, uma vez que o sono REM é mais difícil de ser atingido no período diurno do que durante a noite.

Privação do sono e performance clínica

Sabemos da importância do ciclo do sono e o quanto ele influencia diretamente a qualidade de vida. Certamente, você pergunta com frequência para muitos de seus pacientes sobre a qualidade das horas dormidas e orienta quanto às práticas de higienização do sono. Dormir pouco pode ter resultados nocivos e afetar o desempenho cognitivo e motor. Consequentemente, a performance clínica fica prejudicada devido à fadiga e queda da sincronização do ritmo fisiológico.

Os efeitos da privação do sono no plantão noturno representam um assunto preocupante que requer atenção de toda a população médica. Afinal, se a habilidade cognitiva e motora dos profissionais é prejudicada, a equipe de saúde não executa suas funções satisfatoriamente, e o cuidado assistencial aos pacientes torna-se falho.

4. Alimente-se bem

Assim como o sono, uma boa alimentação é primordial para os médicos que trabalham no plantão noturno. Os parâmetros neurológicos, endócrinos e psicológicos são afetados, e manter uma alimentação saudável ajuda o organismo a manter o equilíbrio metabólico. Para tanto, evite refeições pesadas antes e depois do plantão noturno. Opte por porções menores e nutrientes complementares como carboidratos, lipídios e proteínas em quantidades moderadas, no mesmo lanche, por exemplo.

O ideal é comer alimentos que forneçam energia e sejam de fácil digestão. Uma ótima alternativa é, se possível, levar pequenos lanches para comer durante os intervalos da noite. Chegar em casa com muita fome e cansaço pode prejudicar a qualidade do sono e interferir no apetite durante todo o resto do dia.

Um cafezinho cai bem?

Há controvérsias quanto à ingestão do café. Muitos profissionais se sentem revigorados instantaneamente quando tomam uma pequena xícara e, em contrapartida, outros sofrem do efeito rebote. Uma das estratégias mais utilizadas por quem trabalha à noite é tomar um cafezinho ou outras bebidas estimulantes, como guaraná e chás. Desse modo, a dica principal é não abusar dessas substâncias. Ingira pequenas xícaras entre intervalos maiores para evitar sintomas como tremores e desconforto gástrico.

5. Mantenha a calma e o foco durante o plantão noturno

Em algumas clínicas ou postos de atendimento em cidades do interior, muitas vezes o plantão noturno é coberto por apenas um membro da equipe médica. Isso pode causar estresse e ansiedade para o profissional que já se encontra em horas prolongadas de trabalho. Cada médico tem uma maneira particular em lidar com longas horas de plantão.

Nesses casos é fundamental manter a calma e o foco, interagindo com a equipe multidisciplinar e buscando clareza nas decisões das condutas clínicas. Use roupas e calçados confortáveis e, dependendo da intensidade dos atendimentos, tire alguns minutinhos para meditar ou respirar fundo para que as horas trabalhadas se mantenham produtivas. Médicos que trabalham durante o plantão noturno são expostos a turnos e escalas irregulares, o que pode resultar em várias complicações.

Alterações do humor e do sono, assim como irregularidades do sistema gastrointestinal e neuroendócrino podem se desenvolver. Essa discussão é delicada, mas é imprescindível que os profissionais compreendam que cuidar da própria saúde e planejar sua rotina traz benefícios não somente para o próprio dia a dia, mas também para o cuidado destinado aos pacientes atendidos no plantão noturno.

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