Na temporada de clima mais frio as condições climáticas afetam muito a saúde da pele, ainda mais associados com os cuidados específicos do COVID-19.
Com a chegada do inverno nossos cuidados com a pele necessitam de mais, principalmente nesse momento da pandemia de Covi-19. As orientações recomendadas pelas autoridades permanecem, incluindo o uso de máscara, lavagem das mãos e uso do álcool gel 70%, entre outras recomendações. O coronavírus está mudando alguns de nossos hábitos de higiene, como lavar as mãos com mais frequência com água e sabão, além dos cuidados com a limpeza pessoal após atividades profissionais ou de lazer.
Por que a pele fica seca no inverno?
A pele é composta de epiderme, derme e hipoderme (camada mais profunda). O extrato córneo da epiderme (camada mais externa) apresenta a função de barreira cutânea, responsável pela prevenção da perda de água, a entrada de químicos exógenos e patógenos. A barreira cutânea é constituída por células, lipídios, proteínas e outros químicos, os fatores pela hidratação natural da pele. É amplamente aceito que as funções da barreira cutânea podem ser afetadas negativamente pelas condições climáticas. Durante o inverno é possível ver uma diminuição na hidratação da pele, o que a torna mais frágil e permeável. Ela fica mais seca (figura 1 e 2) e com maior sensibilidade à substância irritantes, além de suscetível à alergia (figura 3).A pele seca, conhecida como xerose, é caracterizada por uma aparência áspera ou escamosa da pele, e pode apresentar vermelhidão e coceira. A coceira leva a arranhões, induzindo o típico “ciclo de coceira / arranhões”, o que compromete a barreira epidérmica e pode facilitar o desenvolvimento de infecções. Além disso, os idosos estão mais suscetíveis à pele seca devido a diminuição gradual de alguns constituintes da pele.
Recomendações para o cuidado com a pele no inverno
Tratando-se da lavagem das mãos e banhos, um produto de “enxágue” ideal é formulado com surfactantes leves, produtos com ação espumante reduzida e, além disso, enriquecido com lipídios. Nos profissionais que utilizam produtos de limpeza, o uso de luvas pode diminuir o contato ou lavar as mãos com água e sabonete neutro. Para ajudar a restaurar a barreira cutânea, os hidratantes têm o potencial de manter a água e lípidos da pele (emulsificantes), manter a umidade (umectantes), emolientes, que impedem a perda de água. Eles protegem a pele, restauram a barreira cutânea e protegem das agressões ambientais. Os emulsificantes podem ser a base de emulsão água/óleo (mais oleoso) e óleo/água, usados em forma de spray, loção, creme ou pomadas. Os umectantes a base de glicerol, uréia e ácido glicólico são alguns dos produtos mais utilizados. Os emolientes podem ser óleos vegetais ou minerais e ceramidas. Podem ser usados livremente nas mãos e, no corpo, até 2 vezes ao dia ou após o banho. Para a hidratação do rosto, a escolha é feita de acordo com a pele oleosa ou seca, sendo os mais usados o ácido glicólico, ácido hialurônico, vitamina C e E, antioxidantes e protetor solar. Nesse momento de pandemia, em que a lavagem das mãos e uso de álcool contribuem para aumentar o ressecamento da pele, o uso de cremes hidratantes contribui para manter a pele agradável e sensação de bem estar.
Texto escrito pelos coordenares do curso de Dermatologia da IPEMED.
Prof. Dra. Maria de Fátima Maklouf Amorim (lattes)
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