A pandemia de COVID-19 mudou muito a vida de todos nós em diversos aspectos: no trabalho, nos estudos, nos espaços e momentos de lazer. Essa mudança brusca e profunda tem impacto direto sobre nossa saúde mental e física, especialmente aquelas relacionadas às medidas de isolamento social recomendadas por governos em todo o mundo como forma de evitar a disseminação do vírus causador da pandemia. A fadiga social causada pelo isolamento social, o medo sempre presente de ter a doença, perder a própria vida ou de alguma pessoa querida, o risco de desemprego causado pela piora nos índices econômicos, a falta de perspectiva para o fim da pandemia.
Todos esses sentimentos podem impactar de forma bastante perigosa o psicológico da população. Pessoas que sofrem de transtornos alimentares sentiram de forma ainda mais forte todas essas mudanças e sentimentos negativos. E elas não são poucas. Para se ter uma ideia, apenas no Brasil 4,7% da população sofre de algum transtorno de compulsão alimentar (TCA), segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O que são os transtornos alimentares?
Segundo a OMS, os transtornos alimentares podem ser caracterizados como um conjunto de doenças de origem psicológica, ambiental, genética ou mesmo hereditária, que causam perturbação persistente na alimentação de uma pessoa. A anorexia, a bulimia e a compulsão alimentar são alguns dos principais transtornos alimentares que impactam a população brasileira.
Como o isolamento social impacta os transtornos alimentares?
Estudos recentes sugerem que pacientes com transtornos mentais sofrem ainda mais os efeitos do período de isolamento forçado pelas medidas de enfrentamento da COVID-19, como é o caso das pessoas diagnosticadas com transtornos alimentares. Embora ainda sejam estudos iniciais, já há algumas hipóteses a respeito de como alguns fatores ambientais poderiam interferir na saúde desses pacientes:
- Pode ocorrer uma preocupação constante com o ganho de peso em decorrência da interrupção de rotinas como as atividade físicas;
- Comparações descabidas com a própria imagem pelo tempo excessivo nas redes sociais;
- Alterações na regulação emocional pelo tempo prolongado de isolamento;
- Pacientes com comportamento alimentar inflexível podem ter dificuldade de encontrar os alimentos que geralmente consomem.
Gatilhos para má nutrição
A ansiedade desencadeada pela falta de contato social pode levar muitas pessoas a um desequilíbrio bioquímico e, instintivamente, a buscar soluções em sensações de prazer rápido, como o consumo de alimentos que a pessoa mais gosta. Isso pode levar o indivíduo a comer para se sentir melhor toda vez que se sentir mal. O isolamento contribui para os chamados gatilhos emocionais que estão associados à compulsão alimentar, ao início de um quadro de sobrepeso ou até mesmo a obesidade.

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