Mulheres importantes na Medicina: conheça 11 delas

As mulheres têm batalhado por seus direitos e por um espaço igualitário no mercado de trabalho há anos. Durante muito tempo, a Medicina foi considerada uma profissão tradicionalmente masculina, e as mulheres precisaram enfrentar diversos obstáculos para ganhar reconhecimento e ter o direito de mostrar suas habilidades e seu potencial.

Felizmente, é cada vez maior o número de mulheres que ingressam na área em todo o mundo, especialmente devido ao esforço de personalidades memoráveis que vieram antes, adquirindo espaço para reconhecimento e valorização das profissionais.

Neste mês, comemoramos o Dia Internacional da Mulher (08 de março), uma data voltada para a celebração das conquistas das mulheres, sobretudo por igualdade e respeito no decorrer da história.

Pensando nisso, preparamos este artigo para destacar algumas mulheres importantes na Medicina. Continue a leitura do artigo e inspire-se pela trajetória delas!

1. Elizabeth Blackwell

Nascida na Inglaterra em 1821, Blackwell se tornou a primeira mulher a se matricular em uma universidade de Medicina. Em 1847, ela foi aceita pela Universidade Geneva Medical College, na zona rural de Nova York, após 12 tentativas frustradas, sendo recusada em todas elas.

No início, Elizabeth foi vedada de realizar práticas médicas em sala de aula, por ser encarado como algo inapropriado para pessoas do sexo feminino. Com o passar do tempo, ela construiu uma relação amigável com os colegas de classe, que ficavam surpresos com suas habilidades e tenacidade.

Já em 1849, Blackwell reuniu as melhores notas da turma, graduando-se em primeiro lugar da sua classe. Ela então se tornou a primeira médica do mundo, iniciando o caminho para que diversas mulheres pudessem seguir a carreira médica. Além disso, fundou várias organizações como a National Health Society, a New York Infirmary for Indigent Women and Children, a Woman’s Medical College e a London School of Medicine for Women.

2. Gerty Theresa Cori

Gerty Theresa Cori nasceu em 1896, em uma rica família judia de Praga, na República Tcheca. Na época, seu tio, um professor de Pediatria, apoiou seu interesse em matemática e ciências, encorajando-a a se inscrever em uma faculdade de Medicina.

Embora as mulheres já houvessem permissão para frequentar a universidade, as escolas femininas não ensinavam determinadas áreas. Mas, Gerty conseguiu se formar em Bioquímica e conquistou o doutorado em Medicina.

Em 1922, dois anos após conquistar o doutorado, Gerty e seu marido, Carl Cori, imigraram para os EUA em busca de melhores oportunidades. Juntos, desenvolveram diversos estudos e descobertas que ampliaram o entendimento sobre o tratamento da diabetes, o que fez com que Cori fosse a primeira mulher que recebeu o Prêmio Nobel de Medicina, em 1947, tornando-a uma das mulheres mais importantes na Medicina.

3. Maria Augusta Generoso Estrela

A carioca Maria Augusta Generoso Estrela nasceu em 1860 e entrou para a história como a primeira mulher brasileira a se formar em Medicina, em 1881. Filha de portugueses, ela se interessou ainda bem jovem pela Medicina, porém, no Brasil da época, as mulheres não eram permitidas a ingressarem nas faculdades de Medicina.

Maria Augusta foi então estudar na New York Medical College and Hospital for Women, nos EUA. Embora tenha conseguido ingressar na faculdade, Maria Augusta teve um caminho árduo durante a graduação.

A brasileira quase não chegou a completar os estudos após a falência de seu pai, no entanto teve total suporte de Dom Pedro II. Desse modo, o monarca foi responsável por auxiliar Maria Augusta a conseguir uma bolsa de estudos para que ela pudesse terminar a faculdade.

Depois de finalizar o curso de Medicina, a carioca retornou ao Brasil e realizou as avaliações da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro para revalidação do seu diploma estrangeiro. Depois de toda a parte burocrática, Maria Augusta pode exercer a Medicina por muitos anos.

4. Rita Lobato Velho Lopes

Em 1887, uma brasileira se formou em Medicina pela primeira vez no Brasil, seu nome era Rita Lobato Velho Lopes. Nascida no Rio Grande do Sul, a brasileira também já apresentava aptidão para a Medicina desde nova, revelando à sua família que gostaria de seguir a profissão.

O ingresso na universidade deu-se em 1879, depois do decreto imperial, em que Dom Pedro II condenava a discriminação contra mulheres na educação de nível superior. Sua devoção e desempenho excepcional foram essenciais para que ela pudesse adiantar suas avaliações e se formar em três anos.

Por fim, Rita se graduou em Medicina pela Universidade Federal da Bahia em 1887 e se especializou em Ginecologia e Obstetrícia. Durante mais de 15 anos, Rita exerceu com persistência a área que hoje é conhecida como Medicina da Família e Comunidade, realizando consultas e fornecendo medicamentos gratuitamente.

5. Françoise Barré-Sinoussi

Este também é um dos nomes mais importantes na Medicina mundial. Isso porque Françoise Barré-Sinoussi foi a pesquisadora premiada com o Prêmio Nobel em Fisiologia e Medicina pela descoberta do vírus do HIV (vírus da imunodeficiência humana causador da Aids), em 1983, em uma pesquisa em parceria com Luc Montagnier.

Nascida em 1947, na França, Françoise cursou Ciências Naturais na Universidade de Paris, já que era um curso mais barato do que Medicina e não queria gerar grandes despesas para a sua família. Após terminar a graduação, realizou o pós-doutorado em Retrovirologia pelo National Institutes of Health, dos EUA, e tornou-se virologista.

Foi presidente da Sociedade Internacional de Aids, Diretora de Regulamentação da Divisão de Infecções Retrovirais e ministrou aulas no Instituto Pasteur em Paris, aposentando-se de suas atividades em 2017.

Apesar disso, ainda continua atuando em prol da causa, especialmente em países mais pobres. Sua atuação é imensa: assinou mais de 240 publicações científicas com outros autores, proferiu diversas conferências no mundo, formou outros pesquisadores, é membro de alguns comitês e presta consultoria à OMS e ao Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/Aids.

6. Nise da Silveira

Formada pela Faculdade de Medicina de Salvador, em 1926, Nise da Silveira foi a única mulher em uma turma de mais de 150 homens e uma das primeiras mulheres a exercer a Medicina no Brasil. Nise nasceu em Maceió, no ano de 1905, e se tornou referência na luta pelo tratamento humanizado nos manicômios.

A brasileira se especializou em Psiquiatria e Neurologia no Rio de Janeiro, seu trabalho mudou o tratamento psiquiátrico utilizado até então, substituindo métodos ineficientes e extremamente agressivos para os pacientes com transtornos mentais.

Em vez de subjugar os seus pacientes, na maioria das vezes esquizofrênicos, à lobotomia, às camisas de força, aos choques elétricos e ao isolamento social, ela desenvolveu um local seguro para que os pacientes se manifestassem por meio de expressões criativas e simbólicas.

Por isso, em 1946, ela fundou a Seção de Terapêutica Ocupacional no Centro Psiquiátrico Nacional no Engenho de Dentro, que está localizado no subúrbio do Rio de Janeiro. Após seis anos, criou o Museu de Imagens do Inconsciente, um centro de estudo e pesquisa que reúne obras produzidas pelos pacientes. O pioneirismo de suas obras foi responsável por motivar a Reforma Psiquiátrica no país, por isso seu legado é relevante para todo o mundo.

7. Gertrude Elion

Nascida em janeiro de 1918, Gertrude Elion foi uma bioquímica e farmacologista estadunidense que atuou no desenvolvimento de vários medicamentos, abrangendo remédios para evitar a rejeição de órgãos transplantados e para o tratamento de leucemia, malária, herpes e demais doenças.

Seu campo de pesquisa foi motivado pela morte de seu avô, que foi vítima de câncer no estômago. Formou-se em química, porém aprofundou seus conhecimentos em bioquímica, farmacologia, imunologia e virologia.

Tornou-se assistente de George Hitchings em 1944, na indústria farmacêutica Burroughs Wellcome Company, quando começou a desenvolver uma técnica que permitiu interferir no crescimento das células por meio de drogas criadas com o auxílio de um método novo à época, que lhe rendeu um Prêmio Nobel de Medicina, em 1988.

No decorrer do seu trabalho, Elion também descobriu importantes princípios da quimioterapia e desenvolveu 45 patentes na área médica/farmacêutica. Em 1991, tornou-se a primeira mulher a ocupar uma cadeira no National Inventors Hall of Fame, nos EUA.

8. Margaret Chan

É difícil falar de mulheres importantes na Medicina sem mencionar a Margaret Chan. Afinal de contas, a médica chinesa, nascida em 1947, já foi Diretora Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Nascida em Hong Kong, na China, Margaret é formada em Medicina pela Universidade de Western Ontário, no Canadá, e desde 1978 dedica sua carreira no campo da saúde pública. Em 2014, ela foi classificada como a 30ª mulher mais poderosa do mundo pela Forbes, devido ao seu cargo de Diretora-Geral da OMS.

O cargo foi oferecido por causa do seu relevante trabalho na área pública, principalmente por suas ações durante a epidemia do vírus Ebola, na África, que infectou mais de 23 mil pessoas em todo o mundo. Sua atuação permitiu superar uma das piores crises de saúde dos últimos anos.

9. Adriana Melo

Nascida em 1971, Adriana de Oliveira Melo é formada em Medicina pela Universidade Federal de Campina Grande, na Paraíba, e especialista em Obstetrícia e Saúde Materno-infantil.

A brasileira realiza um importante trabalho com gestações de grande risco em maternidades públicas no estado da Paraíba. Ela é considerada a pesquisadora que descobriu a ligação entre a infecção pelo Zika Vírus estava ligado ao surto de microcefalia no Nordeste do país.

Percebendo o aumento do número de casos de bebês com má formação encefálica, Adriana pesquisou e estudou a relação entre o vírus e a microcefalia, tornando um nome atuante em seu combate. Com a suspeita reconhecida, sua descoberta foi divulgada em 2016, em um artigo científico na revista The Lancet, uma das revistas médicas mais famosas e antigas.

Atualmente, a médica atua como presidente do Instituto de Pesquisa Professor Joaquim Amorim Neto (Ipesq), uma entidade civil sem fins lucrativos, de caráter filantrópico, fundada em 2008, na cidade de Campina Grande.

10. Virgínia Apgar

Virginia Apgar foi a mais nova de três irmãos, em Westfield, Nova Jersey, nos Estados Unidos. Formou-se em Medicina, na renomada faculdade de Columbia, em quarto lugar com apenas 24 anos de idade, já tendo diploma de Zoologia.

A norte-americana dedicou seus estudos a assuntos relacionados a gravidez, a saúde dos bebês e a qualidade de vida das mães, trazendo diversos avanços na área. Além disso, criou o Teste de Apgar, uma avaliação realizada nos primeiros minutos de vida, a fim de detectar doenças em recém-nascidos, reduzindo significativamente a mortalidade neonatal no mundo.

Este importante método de avaliação marcou o surgimento da Neonatologia, especialidade médica da área da Pediatria que dedica-se à atenção ao recém-nascido, e consagrou o nome da médica.

11. Zilda Arns Neumann

A pediatra e sanitarista Zilda Arns Neumann, nascida em agosto de 1934, na cidade de Forquilhinha, Santa Catarina, foi a responsável pela fundação da Pastoral da Criança no país, uma instituição filantrópica ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que acolhe famílias em condição de vulnerabilidade social de diversos países e as educa sobre higiene, contracepção, aleitamento materno, entre outros assuntos.

Zilda também foi responsável pela disseminação do uso do soro caseiro — uma solução que consiste em água, açúcar e sal para combater a desidratação e a diarreia nas crianças, o que ajudou a reduzir significativamente o índice de mortalidade infantil.

Além disso, durante a epidemia de poliomielite no Brasil, em 1980, a médica foi convidada a coordenar a campanha de vacinação Sabin e, mais uma vez, inovou. Depois de apresentar números positivos, sua metodologia de organização foi adotada nacionalmente pelo Ministério da Saúde.

Infelizmente, em 2010, Zilda foi uma das vítimas do terremoto que acometeu o Haiti, mas deixou um lindo legado, tornando-se uma das mulheres mais importantes na Medicina.


O mês das mulheres é sobre a luta pela igualdade de oportunidades!

Como você pôde perceber, as mulheres precisaram superar muitas barreiras e preconceitos para exercerem livremente a prática médica. Hoje, existem excelentes profissionais em várias áreas, atuando em igualdade junto aos homens. Tudo isso graças ao esforço de personalidades memoráveis como as que citamos neste artigo.

A Afya Educação Médica, ex-IPEMED, se orgulha de contribuir para uma Medicina cada vez mais acessível e igualitária, oferecendo Pós-graduação médica de qualidade.

Agora que você já conhece algumas das mulheres importantes na Medicina, não deixe de compartilhar este post nas suas redes sociais para que mais pessoas também se inspirem!

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