Veja as principais classes de medicamentos antidepressivos

1/7/2026
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Entenda as diferenças entre ISRS, IRSN, Tricíclicos e Inibidores da MAO. Um panorama completo sobre a terapêutica da depressão no Brasil e como atuar.

A prevalência de transtornos mentais reforça a importância de escolhas terapêuticas bem fundamentadas, com atenção especial ao uso de medicamentos antidepressivos.

Compreender o panorama da saúde mental no Brasil é um desafio contínuo. As informações sobre prevalência e adesão ao tratamento ainda são imprecisas, o que torna o papel do médico ainda mais relevante.

O que são medicamentos antidepressivos?

Medicamentos antidepressivos são fármacos que atuam no sistema nervoso central modulando a produção e a liberação de neurotransmissores relacionados ao humor. São indicados para o controle da depressão quando há rebaixamento do humor, tristeza persistente, angústia ou apatia.

Esses fármacos corrigem eventos neuroquímicos desregulados no cérebro e são amplamente empregados em diferentes quadros clínicos ligados às disfunções emocionais. Vale destacar que antidepressivos não causam dependência, mas devem ser prescritos e monitorados para garantir eficácia terapêutica.

O tempo de ação é relativamente lento: a expectativa de melhora dos sintomas é de cerca de 15 dias após o início do tratamento. Orientar o paciente sobre esse aspecto é fundamental para evitar a interrupção precoce.

Qual faixa etária é mais afetada pela depressão no Brasil?

Apesar de ser comumente associada aos jovens, os dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, do IBGE, indicam que os idosos lideram o ranking das crises depressivas. Confira os principais achados, divulgados pelo Jornal da USP:

  • Cerca de 13% da população entre 60 e 64 anos tem depressão;
  • Globalmente, a doença afeta 264 milhões de pessoas de todas as idades;
  • Em idosos, 50% dos casos estão relacionados ao abandono familiar e à perda de autonomia;
  • Sintomas depressivos influenciam em até 30% o desenvolvimento de Alzheimer e Parkinson.

A depressão se manifesta de forma distinta conforme o perfil do paciente. Em jovens, pode provocar mudanças bruscas de comportamento e desencadear outros transtornos psíquicos. 

Em mulheres, a carga hormonal e as alterações após a menopausa aumentam a vulnerabilidade, os sintomas mais comuns incluem alterações no apetite, irregularidades no sono, desânimo e perda de interesse em atividades prazerosas.

Quais os principais desafios no controle dos transtornos mentais?

Além do uso adequado dos antidepressivos, o controle efetivo dos transtornos mentais depende de outros fatores clínicos e educacionais.

Atualização profissional

Saber diferenciar os pontos de divergência entre ansiedade e depressão é um dos maiores desafios na prática clínica. Participar de congressos e workshops ajuda a manter o médico atualizado com as novidades em saúde mental.

Uma alternativa relevante nesse contexto é o Fellowship em Psiquiatria, uma formação voltada a médicos que ainda não realizaram Residência nessa área. A grade é centrada em avaliação diagnóstica, tratamento de transtornos psíquicos e terapias farmacológicas e não farmacológicas, como:

  • Eletroconvulsoterapia;
  • Estimulação profunda;
  • Estimulação do nervo vago;
  • Psicocirurgia;
  • Estimulação magnética transcraniana.

Para saber mais, acesse o e-book sobre o Fellow em Psiquiatria.

Prevenção da automedicação

Mesmo com a obrigatoriedade de receituário, antidepressivos figuram entre os medicamentos mais vendidos no mercado paralelo no Brasil, o que representa um grande desafio para a Anvisa

O uso por conta própria altera parâmetros farmacológicos como biodisponibilidade e farmacocinética, elevando os riscos à saúde.

Trabalhar a Medicina preventiva continuada é essencial para conscientizar os pacientes sobre os malefícios da automedicação.

Continuidade do tratamento

O paciente psiquiátrico, em geral, apresenta dificuldades para manter a adesão terapêutica. Envolver a equipe multidisciplinar de Saúde da Família nesse processo ajuda a garantir que o tratamento seja seguido até o fim, reduzindo as chances de recidiva. 

Há também um número expressivo de pacientes subdiagnosticados, principalmente com depressão, que não realizam nenhum acompanhamento médico.

Adesão à prescrição médica

A recomendação é que o paciente siga rigorosamente a dose prescrita. No início do tratamento, efeitos como boca seca, cefaleia, tontura, obstipação e náuseas são esperados e fazem parte do período de adaptação. 

Em alguns casos, pode ser necessário ajustar a dosagem ou trocar o fármaco, decisões que devem ser sempre tomadas com base no monitoramento clínico.

Quando surgiram os primeiros antidepressivos?

O primeiro antidepressivo foi descoberto entre as décadas de 1950 e 1960. Em 1957, a Iproniazida tornou-se o primeiro fármaco do grupo a ser comercializado para tratar depressão. Desde então, a indústria farmacêutica avançou significativamente no desenvolvimento dessas drogas.

Quais são as principais classes de antidepressivos?

Os antidepressivos podem ser divididos em diferentes classes, e cada uma atua de forma específica no cérebro. Entre as mais conhecidas estão os ISRS, os tricíclicos e os iMAO, que variam em indicação, mecanismo de ação e perfil de efeitos adversos.

  1. Inibidores da Monoaminoxidase (iMAO)

Os iMAOs são indicados especialmente para depressão maior refratária. Seu mecanismo de ação envolve o bloqueio da enzima monoamina oxidase, o que aumenta a concentração de dopamina, noradrenalina e serotonina nas sinapses neuronais.

Os principais representantes são: Isocarboxazida, Moclobemida, Fenelzina, Selegilina e Tranilcipromina. Além da depressão, os iMAOs têm indicação em:

  • Bulimia nervosa;
  • Transtorno de pânico;
  • Transtorno de ansiedade generalizada;
  • Transtorno bipolar;
  • Doença de Parkinson.

Contraindicações: o uso concomitante com inibidores da recaptação de serotonina pode provocar toxicidade serotoninérgica. iMAOs não seletivos são contraindicados em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva, feocromocitoma e doença hepática. Os efeitos adversos variam conforme o sexo: sobrepeso em mulheres e disfunção sexual em homens.

  1. Antidepressivos Tricíclicos (ADT)

Os ADTs têm origem no composto iminodibenzil, descoberto em 1891. São chamados de "drogas sujas" porque suas propriedades antidepressivas foram identificadas por acaso. 

A imipramina, principal representante da classe, tem estrutura semelhante à da clorpromazina. Outros representantes: desipramina, amitriptilina, nortriptilina e clomipramina.

Farmacocinética: os ADTs são rapidamente absorvidos por via oral, com absorção completa em cerca de 4 horas. A meia-vida é longa (20 a 30 horas), e o estado de equilíbrio plasmático leva aproximadamente 5 meias-vidas para ser atingido. Por isso, os efeitos costumam aparecer após 1 semana. O metabolismo é predominantemente hepático.

Contraindicação principal: uso concomitante com outros fármacos de metabolismo hepático, para evitar sobrecarga do órgão.

  1. Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS)

Os ISRS são a classe de antidepressivos mais utilizada na atualidade. Desde o surgimento da fluoxetina, no final da década de 1990, tornaram-se a primeira escolha no tratamento da depressão. 

As vantagens incluem menor custo, menos efeitos colaterais e meias-vidas prolongadas, que permitem administração em dose única diária.

Além da fluoxetina, outros representantes são: paroxetina, sertralina, citalopram e fluvoxamina. Os ISRS também apresentam bons resultados em:

  • Transtorno obsessivo-compulsivo;
  • Transtorno de pânico;
  • Transtorno de ansiedade generalizada;
  • Fobia social;
  • Bulimia;
  • Dor crônica neuropática.

Mecanismo de ação: inibem seletivamente a recaptação de serotonina na fenda sináptica, sem atuar sobre a dopamina. Apresentam menor toxicidade hepática e cardiovascular, o que favorece a adesão ao tratamento.

Contraindicações: o uso simultâneo de ISRS e iMAO é contraindicado pelo risco de síndrome serotoninérgica, que pode evoluir para coagulação intravascular disseminada (CID), rabdomiólise e óbito. O consumo de álcool durante o tratamento também deve ser evitado.

  1. Quais os riscos da automedicação com antidepressivos?

A automedicação com antidepressivos é um dos principais desafios para a saúde pública no Brasil. O fácil acesso a informações na internet e ao mercado paralelo cria um ambiente propício para o uso indiscriminado dessas drogas.

Os principais riscos incluem:

  • Intoxicação: doses inadequadas podem causar ineficácia do tratamento, hepatotoxicidade, nefrotoxicidade e, em casos extremos, overdose;
  • Interação medicamentosa: um fármaco pode anular ou potencializar o efeito de outro em uso contínuo;
  • Mascaramento do diagnóstico: o uso sem orientação pode esconder a causa real dos sintomas e permitir que a doença evolua para quadros mais graves;
  • Reação alérgica: hipersensibilidade à fórmula pode levar o organismo ao choque anafilático;
  • Resistência ao medicamento: assim como ocorre com antibióticos, o uso irregular pode reduzir a eficácia da substância.

Como orientar pacientes na prevenção da depressão?

Promover hábitos saudáveis é parte do papel do médico na prevenção das doenças que afetam a saúde mental. 

Estimular a liberação de neurotransmissores como dopamina, endorfina e serotonina, por meio de escolhas cotidianas, contribui para o equilíbrio emocional. Algumas orientações práticas:

  • Prática de exercícios físicos: há uma relação direta entre depressão e atividade física, tornando esse hábito essencial no manejo da desmotivação;
  • Hidratação adequada: o cérebro depende de água abundante para funcionar bem;
  • Convívio social e novas experiências: viajar, conhecer culturas e explorar ambientes diferentes estimula a criação de novas conexões neurais;
  • Engajamento em atividades prazerosas: leitura, música, dança ou voluntariado promovem emoções positivas e fortalecem o bem-estar.

Manter-se atualizado com as novidades da área, por meio de bons livros médicos e pesquisas recentes, é igualmente importante, dado o alto impacto epidemiológico e socioeconômico da depressão.

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Uma escolha estratégica para médicos que buscam propósito e crescimento profissional.

FAQ 

Antidepressivo vicia?

Não. Em geral, antidepressivos não causam dependência como acontece com outras substâncias. O que pode ocorrer é a piora dos sintomas se o tratamento for interrompido sem orientação médica, por isso a suspensão deve ser sempre acompanhada por um profissional.

Quanto tempo o antidepressivo leva para fazer efeito?

Os primeiros efeitos costumam aparecer entre duas e quatro semanas, embora a resposta completa possa levar mais tempo. Por isso, no início do tratamento, é importante orientar o paciente a manter o uso conforme prescrição e não esperar melhora imediata.

Todo caso de depressão precisa de remédio?

Não necessariamente. Em quadros leves, psicoterapia e mudanças de estilo de vida podem ser suficientes. Já em casos moderados ou graves, a combinação de medicação e psicoterapia costuma trazer melhores resultados.

Posso parar de tomar quando me sentir melhor?

Não é recomendado interromper por conta própria. Mesmo quando os sintomas melhoram, o tratamento pode precisar continuar por meses para reduzir risco de recaída. A suspensão deve ser feita de forma orientada e gradual.

Quais efeitos colaterais podem aparecer no início?

Alguns pacientes podem apresentar náusea, sonolência, boca seca, tontura ou alterações gastrointestinais. Em muitos casos, esses efeitos são mais intensos no começo e tendem a reduzir com o tempo, mas precisam ser monitorados.

Antidepressivo muda a personalidade?

Não. O objetivo do tratamento é reduzir sintomas como tristeza persistente, apatia e perda de interesse, ajudando a pessoa a recuperar sua rotina e seu padrão habitual de funcionamento.

Antidepressivo pode ser usado com bebida alcoólica?

O ideal é evitar. O álcool pode aumentar riscos de efeitos adversos, interferir na resposta ao tratamento e dificultar a avaliação clínica, especialmente em pacientes com sintomas depressivos.

Quando o paciente deve procurar reavaliação?

Se houver piora dos sintomas, surgimento de ideias suicidas, efeitos colaterais importantes ou ausência de melhora após algumas semanas, a reavaliação médica é necessária. O acompanhamento é parte essencial do tratamento em Psiquiatria.

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