Leptospirose: saiba tudo sobre a doença

No cenário brasileiro, a leptospirose tem se destacado como uma preocupação de saúde pública, devido à sua associação com condições climáticas específicas. Durante a estação das chuvas, as enchentes proporcionam um ambiente propício para a disseminação da doença. Esse aumento é atribuído à atividade intensificada dos ratos urbanos, que atuam como portadores e transmissores da infecção.

Neste artigo, vamos trazer as principais informações sobre os tratamentos disponíveis, as medidas de prevenção e a importância da assistência médica nos primeiros sinais da infecção. Boa leitura!

O que é a Leptospirose?

A leptospirose é uma infecção grave e aguda que afeta seres humanos e causada pela bactéria do gênero Leptospira. Essa condição, assim como a varíola dos macacos, é considerada uma zoonose, o que significa que é transmitida de animais para humanos. Os principais vetores de transmissão são animais infectados, com destaque para roedores, como ratos urbanos, que desempenham um papel crucial na propagação da doença.

A bactéria Leptospira pode estabelecer uma infecção nos rins de animais hospedeiros sem causar sintomas aparentes nestes animais. Esse fato é preocupante, pois permite que a bactéria persista de maneira assintomática nos animais por um longo período. Durante esse tempo, a Leptospira é excretada na urina dos animais infectados, contaminando o ambiente.

A capacidade de sobrevivência da Leptospira no meio ambiente é notável. Mesmo após a excreção pela urina do animal hospedeiro, a bactéria pode persistir no meio ambiente, como água, solo e outros locais, por até seis meses. Isso cria um ambiente propício para a transmissão da leptospirose, especialmente em áreas urbanas e regiões propensas a enchentes, nas quais o contato humano com águas contaminadas é mais provável.

Como ocorre a contaminação?

A contaminação pela leptospirose ocorre principalmente por meio do contato direto com a urina de animais infectados. Entender as diversas vias de contaminação é crucial para desenvolver estratégias eficazes de prevenção, como o uso de equipamentos de proteção, melhorias na infraestrutura urbana e campanhas educativas durante períodos de maior risco, como as estações chuvosas.

Veja, a seguir, como geralmente as pessoas acabam expostas à bactéria Leptospira:

  • contato direto com a urina dos animais hospedeiros, por meio de manipulação ou proximidade com áreas contaminadas;
  • a presença de ferimentos ou mucosas expostas, como olhos, nariz e boca, facilita a penetração da bactéria no organismo humano;
  • a exposição à água contaminada de inundações, enchentes, enxurradas e lama aumenta o risco de contaminação, pois a bactéria pode persistir em resíduos úmidos, mantendo-se ativa mesmo após o recuo das águas;
  • a ausência de infraestrutura sanitária adequada aumenta a exposição ao risco, pois o acúmulo de resíduos favorecem a presença de roedores.

Quais são os sintomas da doença?

Os sintomas da leptospirose podem variar em intensidade e, em alguns casos, a infecção pode ser assintomática. No entanto, quando os sintomas se manifestam, eles geralmente incluem uma série de manifestações clínicas que refletem a complexidade da doença. Confira, a seguir, os sintomas mais comuns da leptospirose:

  • febre alta: o início abrupto de febre elevada é um dos sinais mais proeminentes da infecção, podendo persistir ao longo do curso da doença;
  • mal-estar geral: associada a fadiga e fraqueza;
  • dores musculares (mialgias): especialmente na panturrilha, cabeça e tórax;
  • olhos vermelhos (hiperemia conjuntival): a conjuntivite, caracterizada por olhos vermelhos, é uma manifestação ocular comum da leptospirose;
  • tosse: a presença de tosse é relatada em alguns casos, adicionando um componente respiratório aos sintomas;
  • desconfortos gastrointestinais: náuseas, vômitos e diarreia;
  • manchas vermelhas na pele (exantemas): podem variar em tamanho e distribuição.

Quais são os sinais de agravamento da doença?

Em geral, a leptospirose é autolimitada, e os sintomas tendem a regredir após três ou quatro dias. No entanto, em casos mais graves, a melhora inicial pode ser transitória, e a condição pode evoluir para complicações sérias.

Por isso, pacientes que desenvolvem sintomas característicos da infecção devem procurar atendimento médico para avaliação e intervenção adequadas. Em casos mais graves, a leptospirose pode progredir para a forma conhecida como Síndrome de Weil, que envolve complicações sérias, incluindo:

  • icterícia: coloração amarelada da pele e dos olhos devido à disfunção hepática;
  • hemorragias: manifestações hemorrágicas, como epistaxes (sangramento nasal), petéquias, púrpura e equimoses;
  • complicações renais: anormalidades renais, como proteinúria, piúria, hematúria e azotemia;
  • comprometimento neurológico: a meningite pode se desenvolver, acompanhada de outros sintomas neurológicos.

Quais são os tratamentos disponíveis?

O tratamento da leptospirose é multifacetado, visando não apenas combater a infecção bacteriana, mas também aliviar sintomas, prevenir complicações e garantir uma recuperação completa.

Pacientes diagnosticados devem seguir rigorosamente as orientações médicas e comparecer a consultas de acompanhamento para monitorar a evolução do quadro clínico. É fundamental acompanhar a evolução da doença para evitar as mortes por leptospirose. Abaixo estão detalhes mais abrangentes sobre os tratamentos disponíveis.

Penicilina

A antibioticoterapia é a pedra angular do tratamento, e a penicilina é frequentemente o medicamento de escolha. A administração de penicilina G é comum, geralmente por via intravenosa. A rapidez na instituição do tratamento é crucial para aumentar as chances de impedir a progressão para formas mais graves da doença.

Uso de outros antibióticos

Além da penicilina, outros antibióticos, como doxiciclina, ampicilina ou ceftriaxona, também podem ser prescritos, dependendo da gravidade da infecção e da resposta individual do paciente.

Cuidados com a hidratação

A manutenção de uma hidratação adequada é vital, especialmente em casos em que ocorre desidratação devido a sintomas como vômitos e diarreia. A reposição de líquidos por via oral ou, em casos mais graves, intravenosa, é uma parte integrante do tratamento.

Controle dos sintomas

Medicamentos sintomáticos podem ser administrados para aliviar desconfortos específicos, como febre, dores musculares e náuseas. No entanto, é essencial evitar medicamentos que contenham ácido acetilsalicílico, pois podem aumentar o risco de sangramentos.

Internação hospitalar

Em casos mais graves, a internação hospitalar pode ser necessária para monitorar de perto a progressão da doença e fornecer cuidados intensivos, incluindo suporte respiratório e renal, se necessário.

Como prevenir a leptospirose?

A prevenção da leptospirose é fundamental para reduzir o risco de contaminação e garantir a saúde pública. Confira, a seguir, as principais medidas que devem ser colocadas em prática para prevenir a doença.

Descarte adequado do lixo

Acondicionar o lixo de maneira segura, utilizando sacos resistentes e fechados corretamente, contribui para evitar a proliferação de roedores, principais transmissores da leptospirose.

Consumo de água segura

Ferver a água antes de beber ou cozinhar, ou adicionar algumas gotas de hipoclorito de sódio, ou água sanitária, ajuda a eliminar possíveis bactérias presentes na água que podem causar a doença.

Manutenção da limpeza

Manter as áreas onde os animais vivem limpas e higienizadas é essencial para evitar a presença de ratos e a contaminação ambiental.

Uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI)

Para trabalhadores que atuam em ambientes propensos à presença da Leptospira, como locais de enchentes, esgotos ou áreas rurais, o uso de luvas e botas de borracha oferece uma barreira de proteção eficaz.

Cuidados específicos em caso de enchentes

Em situações de enchentes, a remoção da lama deve ser feita com cuidado, utilizando luvas e botas de borracha. A área afetada deve ser lavada minuciosamente e desinfectada para prevenir a contaminação residual.

Vacinação (apenas para animais)

Infelizmente, não existe uma vacina disponível para prevenir a leptospirose em humanos. Atualmente, a vacinação está disponível apenas para animais, especialmente cães e gado.

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A leptospirose é uma doença séria que demanda atenção e ações preventivas eficazes. Compreender seus sintomas, fatores de risco, tratamentos e medidas de prevenção é fundamental para reduzir a incidência da doença. A conscientização da população, aliada às práticas de higiene e cuidados com o meio ambiente, desempenha um papel crucial na minimização do impacto da leptospirose na saúde pública.

O tratamento é mais eficaz quando iniciado precocemente, destacando a importância de procurar assistência médica assim que os sintomas se manifestarem. A demora no tratamento pode aumentar o risco de complicações e agravamentos.

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