Leitura de ECG: aprenda a interpretar o exame com maior rapidez

O eletrocardiograma (ECG) é um tipo de exame utilizado não só na cardiologia, mas em todo o âmbito médico, dada a sua versatilidade e importância no diagnóstico de doenças relacionadas ao sistema cardiovascular e também na avaliação geral da saúde do paciente. No entanto, muitos profissionais iniciantes, ou aqueles que estão em regime de plantão e/ou situações de urgência, precisam analisar rapidamente o exame de ECG — isso pode ser difícil sem a prática necessária. Confira no post de hoje como realizar corretamente a leitura de ECG, conhecendo todas as informações sobre o assunto e entendendo como interpretar o exame com maior rapidez. Boa leitura!

Como funciona o ECG

Os batimentos do nosso coração são decorrência de um sistema fisiológico bem ordenado, que regula a emissão de estímulos elétricos que passam pelas células cardíacas e induzem a contração muscular. A emissão de impulsos elétricos é geralmente efetuada por meio do nó sinusal, estrutura cardíaca responsável por produzir seu próprio potencial elétrico e que tem maior frequência de despolarização.

Essa transmissão elétrica pode ser captada e medida por meio de eletrodos, fixados em pontos específicos do nosso corpo, e transformada em marcações e traçados, que poderão ser interpretados seguindo alguns padrões. Assim, é possível comparar a atividade cardíaca do paciente na busca por doenças ou para verificar se sua situação está normalizada.

Derivações a serem observadas

Como dito anteriormente, para a verificação da atividade elétrica, muitos eletrodos são colocados em pontos específicos do nosso corpo. Essas regiões determinam as doze derivações que devem ser observadas ao se analisar a diferença de potencial (DDP) entre dois pontos diferentes do nosso organismo. As doze derivações costumam ser divididas em derivações periféricas e derivações precordiais e devem ser avaliadas em conjunto. Veja a seguir mais sobre cada uma delas:

Derivações periféricas

As derivações periféricas de um eletrocardiograma são classificadas em bipolares e unipolares aumentadas. Ambas foram descritas por Willem Einthoven. Entenda melhor. As derivações bipolares formam o chamado "Triângulo de Einthoven" e registram a diferença de potencial entre dois eletrodos dispostos em membros distintos:

  • D1, colocado entre o braço direito e o esquerdo.
  • D2, colocado entre o braço direito e a perna esquerda.
  • D3, colocado entre o braço esquerdo a perna esquerda.

Já as derivações unipolares aumentadas procuram registrar o potencial elétrico absoluto entre uma região teórica do Triângulo de Einthoven e sua extremidade. Dessa maneira, podem ser do tipo:

  • aVR, avaliando potencial absoluto no braço direito;
  • aVL, avaliando potencial absoluto no braço esquerdo;
  • aVF, avaliando potencial absoluto na perna esquerda.

Derivações precordiais

As derivações precordiais, por outro lado, caracterizam o potencial elétrico absoluto em regiões torácicas bem definidas próximas ao coração. São seis as derivações do tipo precordiais:

  • V1 — localizada no quarto espaço intercostal direito, registra o potencial dos átrios esquerdo e direito, parte do septo intraventricular e do ventrículo direito (parede anterior).
  • V2 — localizada no quarto espaço intercostal esquerdo, é característica por apresentar pequena positividade e em seguida grande negatividade, assim como V1.
  • V3 — localizada entre V2 e V4, mais especificamente no septo intraventricular. Caracteriza QRS isodifásico, geralmente.
  • V4 — localizado no ápice do ventrículo esquerdo, apresenta uma fase inicial positiva (ativação do ventrículo direito).
  • V5 — localizado na linha axilar anterior do quinto espaço intercostal esquerdo, possui pequena negatividade inicial seguida de grande positividade, podendo haver ou não negatividade terminal.
  • V6 — localizado no quinto espaço intercostal esquerdo, na linha axilar média, possui as mesmas características que V5 (resultado da despolarização do septo).

Preparações antes do exame

Para que o eletrocardiograma funcione corretamente, algumas preparações iniciais são requeridas, evitando erros e facilitando o decorrer do procedimento. Para tanto, é necessário ter consciência de que a avaliação do exame começa muito antes do traçado em si. O primeiro passo do médico é obter todos os dados de identificação do paciente, de forma que confusões não ocorram, e colher uma anamnese rica em detalhes. Após essa etapa, é necessário verificar as condições técnicas do equipamento. Tradicionalmente, a velocidade do traçado é de 25 mm/s e efetuada sobre papel milimetrado.

Além disso, a voltagem ou amplitude deve ser definida em 1 mV por 10 mm. Em alguns casos específicos, no entanto, esses valores podem ser alterados para facilitar a interpretação do traçado. É importante também averiguar o posicionamento dos cabos e as características da rede elétrica do estabelecimento onde será feito o exame.

Interpretando o ECG

Conforme o impulso elétrico atinge determinadas estruturas do coração, ondas específicas são traçadas no papel milimetrado. A primeira onda é chamada de P e representa a contração atrial. Em seguida, tem-se o complexo QRS, que representa a contração ventricular. Por fim, há a onda T, da repolarização ventricular.

Essas ondas caracterizam diferenças de potencial em pontos distintos do órgão e servem de parâmetro para analisar frequência cardíaca, ritmo, eixos elétricos, bloqueios de condução, morte tecidual, hipertrofia cardíaca e possíveis outras variações. A frequência cardíaca é analisada contando-se os "quadradinhos" do papel quadriculado entre um topo de uma onda R e outro.

No papel do exame, cada minuto corresponde a 300 quadrículos. Portanto, se há dois quadrículos entre cada onda, o coração vai operar a 150 batimentos por minuto, segundo a lógica matemática. O ritmo cardíaco, por outro lado, deve ser definido ao analisar o tamanho de uma onda, seu desenho e regularidade.

O ritmo é regular quando a distância entre os complexos QRS é constante e sinusal (originado no nó sinusal) e quando a onda P possui um formato arredondado e positivo na maioria das derivações, precedendo todos os QRS e sendo sempre seguida de um QRS. Já o eixo elétrico é um pouco mais difícil de identificar e exige mais prática, visto que exige a análise da amplitude dos QRS nas derivações periféricas.

Em pessoas saudáveis, o QRS costuma ser positivo, tanto em D1 quanto em aVF, o que determina um eixo normal, mas há exceções. Por isso, com uma tabela com valores padrões por perto, a interpretação será consideravelmente mais fácil. Há também algumas anomalias que podem ser identificadas analisando intervalos específicos. O intervalo PR, por exemplo, deve ser regular entre 0,12 s e 0,20 s. Já o QT, é normal entre 350ms e 450ms. Cada intervalo tem seu valor específico e deve ser respeitado minuciosamente em condições normais de saúde. Caso contrário, indica alguma anormalidade no sistema cardiovascular.

É importante salientar que todos os intervalos entre as ondas devem ser considerados, pois o estudo conjunto do exame auxiliará na busca por um diagnóstico preciso, especialmente em momentos críticos. Para tanto, muitos aplicativos, como o ECG CALC (disponível para smartphones) e o Six Second ECG, auxiliam no procedimento, assim como certas tabelas de valores padrão, como a "Tabela de Davignon", indicada para ECG pediátrico.

Como uma pós-graduação pode auxiliar no processo

Um curso de pós-graduação é essencial para uma melhor interpretação do ECG, pois aprimora os conhecimentos sobre cardiologia avançada, com enfoque em achados que apontam para possíveis anormalidades ou patologias características. Além disso, em uma Pós-Graduação Lato Sensu, analisa-se minunciosamente o funcionamento de todos os outros exames cardiológicos utilizados atualmente, permitindo uma abordagem terapêutica apropriada e uma avaliação diagnóstica precisa. A leitura de ECG demanda prática e dedicação. No entanto, com a preparação adequada e o conhecimento certo, esse exame poderá ser facilmente interpretado, auxiliando na busca pelo diagnóstico correto.

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