Saiba como ocorre a intoxicação por lítio e conheça seus sintomas. Veja também quais são os efeitos danosos para o organismo!
A intoxicação por lítio não costuma resultar em quadros graves. Contudo, é uma condição que pode ser bastante danosa quando persiste por longos períodos. Isso é possível mesmo em casos mais leves ou quando as concentrações séricas dessa substância ficam repentinamente excessivas e altas no organismo.
O que é o lítio?
O lítio (Li) é um metal alcalino de número atômico (Z) 3. Essa substância é encontrada em diversos minerais e permite várias aplicações industriais e químicas, especialmente no segmento farmacêutico sob a formulação de carbonato de lítio/citrato de lítio.
Normalmente, ele é prescrito para pacientes com transtornos psiquiátricos. Contudo, como ocorre com qualquer outro tipo de composto, o excesso dessa substância no organismo pode provocar muitos efeitos danosos.
Em quais situações o lítio pode ser usado?
Por apresentar um efeito estabilizador de humor, o lítio (Li) é um dos medicamentos mais eficazes para o tratamento da bipolaridade, conhecida como transtorno bipolar.
Ele é especialmente útil para tratar episódios maníacos agudos, reduzindo as taxas de suicídio associadas a transtornos afetivos.
Sua ação eficiente como estabilizador de humor o torna uma boa opção, também, para tratar condições como a ciclotimia e demais transtornos de humor ou personalidade.
Nesse sentido, as utilizações do lítio incluem a potencialização da ação de medicamentos antidepressivos, já que envolvem oscilações de humor. Também englobam medicações para o tratamento de agressão e do distúrbio de estresse pós-traumático.
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Como ocorre a intoxicação por lítio?
Em geral, a intoxicação por lítio ocorre por superdosagem intencional ou acidental, aumento da dose ou redução da depuração renal dessa substância. Os casos mais comuns são de envenenamento crônico devido à utilização prolongada. Quando isso ocorre, há um comprometimento da função renal.
O processo de intoxicação também pode acontecer com a interação medicamentosa entre o lítio e antipsicóticos de segunda geração (ASG), como Risperidona, Quetiapina ou Clozapina. Essas combinações são comuns em tratamentos de esquizofrenia e transtorno bipolar.
Além disso, essas interações podem acontecer com os seguintes medicamentos:
- Diuréticos;
- Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs);
- Tiazídicos;
- Inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA);
- Haloperidol;
- Metildopa;
- Teofilina.
Os graus de intoxicação por lítio podem ser leves, moderados ou graves, sendo o sistema nervoso central (SNC) o mais afetado.
Quais são os principais efeitos colaterais do lítio?
O lítio pode desencadear diversos efeitos no organismo, conforme comentamos a seguir.
Sintomas gastrointestinais
Os pacientes que apresentam intoxicação aguda têm sintomas gastrintestinais como náuseas, diarreia e vômitos, que podem evoluir para depleção volumétrica e comprometimento da função renal. Esse comprometimento dos rins agrava o quadro de intoxicação.
Já os sintomas neurológicos são tardios e, quando surgem, a pessoa já está melhor dos sintomas gastrintestinais. O paciente apresenta:
- Confusão;
- Agitação psicomotora;
- Ataxia troncal.
Alterações renais
A toxicidade do lítio pode provocar uma disfunção distal dos túbulos renais, com diminuição da resposta à arginina vasopressina.
Nesses casos, os pacientes podem desenvolver poliúria significativa compensada por polidipsia. Esse desequilíbrio pode causar distúrbios eletrolíticos, como depleção de volume e hipernatremia.
Anormalidades cardíacas
As anormalidades cardíacas são as mais comuns na intoxicação aguda e podem provocar hipotensão, bradicardia e disritmias ventriculares, apresentando-se como síncope. Nesse sentido, uma toxicidade crônica do Li pode estar relacionada a casos raros de taquicardia ventricular.
Quais cuidados devem ser observados para evitar a intoxicação?
Embora possa provocar muitos efeitos danosos por intoxicação, o lítio é considerado uma medicação segura. Mas, para garantir essa segurança, é preciso observar alguns cuidados, conforme mostramos a seguir.
Dosagem adequada
A dosagem adequada para cada paciente deve ser feita com base na resposta clínica e em medições de concentração de lítio no sangue, visando obter o máximo efeito sem provocar toxicidade. Para isso, é recomendado um exame de sangue para medir a quantidade de lítio na corrente sanguínea.
Esse exame deve ser realizado uma semana após o início do tratamento e repetido a cada 3 meses. Para os pacientes considerados estáveis, os exames de sangue podem ser feitos a cada 6 meses, dependendo de fatores como idade, condição de saúde e resposta ao tratamento.
Os exames precisam ser realizados cerca de 12 horas após a última dose tomada. Quando houver alterações na dose, é preciso esperar entre 5 e 7 dias antes de realizar um novo exame, para que a distribuição do medicamento fique estabilizada.
As concentrações consideradas adequadas de lítio no sangue variam conforme a fase e o objetivo do tratamento:
Em pacientes idosos, a faixa-alvo costuma ser mais baixa, entre 0,4 e 0,8 mEq/L, devido à maior sensibilidade aos efeitos tóxicos do lítio nessa população.
Níveis conforme o perfil do paciente
Esses níveis podem ser diferentes para cada tipo de paciente: os mais jovens, que apresentam sinais severos de mania e psicose, podem precisar de doses mais altas, enquanto os idosos podem tolerar apenas doses mais baixas.
É importante observar que as pessoas que não usam carbonato de lítio não devem fazer esse exame, já que não há parâmetros considerados normais para essa substância no sangue. Dessa forma, os profissionais de saúde não devem solicitar esse tipo de exame antes de iniciar a prescrição.
Observação quanto à prescrição
O lítio deve ser ministrado conforme a prescrição psiquiátrica. Em geral, é prescrita uma dose única após o jantar. Contudo, é mais seguro prescrever doses divididas em duas ou mais vezes ao dia, especialmente em casos de pessoas idosas, enfermas ou que utilizam altas doses.
Já para os pacientes jovens e relativamente saudáveis, é indicado o uso de lítio em comprimidos com liberação retardada.
É essencial orientar o paciente de que ele não deve tomar duas doses de uma vez em casos de esquecimento, já que isso não é seguro. A dose deve ser diminuída pela metade em casos de febre acima de 38 °C, diarreia ou desidratação.
Interações medicamentosas
É fundamental tomar cuidado ao prescrever simultaneamente medicamentos que podem reduzir a excreção renal da substância ou aumentar os potenciais efeitos tóxicos do composto. Isso também é válido para pessoas que precisam de dietas pobres em sódio por motivos médicos.
Para os pacientes em tratamento com eletroconvulsoterapia, o uso de lítio deve ser interrompido, visando à prevenção de sintomas neurológicos.
Pausas no tratamento com lítio
Em casos de cirurgias que necessitem de anestesia geral, e mesmo enquanto o paciente não puder comer ou beber, o tratamento com lítio deve ser suspenso entre 48 e 72 horas antes.
Para as cirurgias com anestesia local, não é necessário interromper o tratamento. O uso do lítio pode ser continuado quando o paciente estiver bem hidratado.
Alterações no medicamento
Caso haja alguma mudança no laboratório responsável pelo medicamento ou no sal de lítio usado, é importante que essa alteração seja realizada de maneira gradual, descontinuando o primeiro medicamento aos poucos e introduzindo lentamente o segundo.
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FAQ
Qual é a faixa terapêutica ideal considerada segura para o monitoramento da litemia plasmática?
A faixa varia conforme a indicação: mania aguda ~0,8–1,4 mEq/L; manutenção ~0,6–1,2 mEq/L; como potencializador de antidepressivos ~0,5–1,0 mEq/L.
Quais são os primeiros sintomas clínicos gastrointestinais e neurológicos que indicam toxicidade por lítio?
Sintomas gastrointestinais iniciais: náuseas, vômitos e diarreia; sinais neurológicos iniciais: confusão, ataxia e agitação psicomotora.
A partir de quais valores laboratoriais de litemia o quadro clínico é classificado como intoxicação grave?
Valores maiores que aproximadamente 2,0 mEq/L associam-se a risco de intoxicação grave, especialmente se houver sintomas neurológicos ou disfunção renal.
Quais fatores de risco, como desidratação e uso de diuréticos, precipitam o acúmulo de lítio no organismo?
Desidratação, uso de diuréticos (especialmente tiazídicos), AINEs, IECA/ARB, redução da função renal e dietas hipossódicas aumentam retenção e risco de toxicidade.
Quais são os critérios clínicos e laboratoriais estabelecidos para indicação de hemodiálise de urgência na intoxicação?
Indicação de hemodiálise: litemia muito alta (ex.: >4 mEq/L aguda ou >2,5 mEq/L com sintomas), insuficiência renal, comprometimento neurológico grave (coma, convulsões) ou instabilidade hemodinâmica.
Como a disfunção renal secundária pode perpetuar e agravar o quadro de toxicidade pelo lítio?
A lesão tubular reduz a excreção de lítio, promovendo acúmulo sérico que agrava neurotoxicidade e causa mais dano renal em um ciclo vicioso.
Quais são as sequelas neurológicas permanentes conhecidas que uma intoxicação grave por lítio pode deixar?
Sequelas possíveis incluem ataxia persistente, disartria, déficits cognitivos e a síndrome neurológica persistente por lítio (SPL), especialmente após intoxicações graves.
Como conduzir a reposição volêmica e a reposição de sódio em pacientes intoxicados no pronto-socorro?
Iniciar hidratação intravenosa com soro fisiológico isotônico para restaurar volemia e sódio, monitorizando sinais vitais, eletrólitos e litemia; evitar soluções hipotônicas.
Com qual frequência o nível sérico de lítio deve ser dosado em pacientes estáveis em tratamento para transtorno bipolar?
Em pacientes estáveis, dosagens a cada 3–6 meses são usualmente adequadas, com amostras 12 horas após a dose e avaliações mais frequentes após mudanças de dose.
Quais medicamentos anti-inflamatórios e anti-hipertensivos devem ser evitados devido ao risco de elevar a litemia?
AINEs (ex.: ibuprofeno, naproxeno) e inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores dos receptores da angiotensina (ARBs) aumentam litemia e exigem cautela.
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