Fasciíte Necrosante: como reconhecer essa emergência clínica e cirúrgica

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Fasciíte necrosante é uma infecção bacteriana destrutiva com rápida progressão no tecido subcutâneo e fáscia superficial.

As infecções necrotizantes de tecidos moles são infecções bacterianas raras, rapidamente progressivas e graves. Podem acometer epiderme, derme, subcutâneo, fáscia (fasciíte necrosante) e músculos, podendo levar à amputação, choque séptico e óbito.

Os fatores de risco para a infecção e progressão para quadros graves incluem lesões na pele ou mucosas, procedimentos cirúrgicos, diabetes, imunossupressão, neoplasias, doença vascular, alcoolismo e obesidade.

Quanto à etiologia, são divididas em dois grupos:

O tipo I (polimicrobiano):

É o mais comum, especialmente em idosos com comorbidades. É causado por bactérias anaeróbias em combinação com enterobactérias.

O tipo II (monomicrobiano):

Decorre da translocação de gram-positivos como estreptococos ou estafilococos da orofaringe para o sítio da infecção.

Apresentação clínica

A mortalidade varia de 20 a 40%, e essa alta taxa se relaciona tanto à progressão rápida quanto à sintomatologia pouco específica na fase inicial, o que atrasa o diagnóstico e as medidas de intervenção. Nas primeiras 24 horas há uma pobreza de achados clínicos na pele, mas o início súbito de dor intensa desproporcional aos sinais cutâneos deve ser um sinal de alarme.

No decorrer de dias, alterações cutâneas sugestivas incluem eritema mal definido, edema, dor intensa e febre. A progressão é rápida e a presença de crepitação, bolhas, necrose, equimose, hipoestesia, taquicardia e hipotensão sinalizam a potencial gravidade da infecção.

Os locais mais afetados são as extremidades, períneo (gangrena de Fournier), cabeça, pescoço e abdome (recém-nascidos).

 

Terapia

Diante da suspeita clínica, a exploração cirúrgica e o desbridamento extenso e precoce do tecido afetado devem ser realizados imediatamente, antes dos resultados de exames laboratoriais, culturas ou métodos de imagem. Essa medida é fundamental para evitar a disseminação da infecção.

Desbridamentos subsequentes devem ser avaliados diariamente até que todo o tecido morto tenha sido removido, e a amputação pode ser necessária em casos graves.  

Além do tratamento cirúrgico, devem ser realizadas medidas de suporte hemodinâmico e antibióticos intravenosos empíricos de amplo espectro, como carbapenemêmico ou piperacilina-tazobactam associados a vancomicina ou linezolida. Além desses, a clindamicina deve ser incluída devido ao seu efeito sobre as toxinas liberadas por agentes como estafilococos e  estreptococos.

Após o resultado das culturas os antibióticos podem ser alterados. O prognóstico é pior em idosos, diabéticos, portadores de doenças cardiovasculares e em pacientes submetidos a desbridamento tardio.

Autora

Gabriela Aquino

Dermatologista, graduada em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais ⦁ Realizou intercâmbio acadêmico no Departamento de Dermatologia da Radboud University, Holanda ⦁ Residência médica de Dermatologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro ⦁ Aprovada no TED - Título de Especialista em Dermatologia e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia

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