A importância do exame histopatológico da pele na prática dermatológica

Sendo a pele o órgão mais extenso do nosso corpo, a coleta de um fragmento de para análise microscópica pode ser feita facilmente por um médico. Toda a patologia humana é baseada na teoria celular. Portanto, a biópsia da pele (exame histopatológico) constitui quase um exame rotineiro na prática da Dermatologia. Diferentemente de outros órgãos e sistemas, a técnica cirúrgica é relativamente fácil na obtenção de um fragmento cutâneo para ser examinado no microscópio óptico.

Como a exame histopatológico é realizado

A anestesia local é usada no procedimento, no qual toda a lesão (biópsia excisional) pode ser retirada ou apenas uma pequena parte da lesão elementar (biópsia incisional). O material obtido é imediatamente colocado em uma solução fixadora de formol a 10%, enviado ao laboratório para ser cortado em fatias de micras e corado inicialmente pelo método padrão de coloração que, o corante Hematoxilina-Eosina (HE).

Se houver necessidade de se estudar um agente infeccioso ou alguma parte especial do tecido cutâneo, pode-se usar outro corante específico (histoquímica). Há cerca de vinte anos tem sido empregada, eventualmente, a técnica de imuno-histoquímica, na qual as células são marcadas com anticorpos monoclonais específicos, se identificando qual o tipo de linhagem celular.

O exame de Dermatopatologia  pode ser realizado tanto por um médico patologista geral, como por um dermatologista, desde que estejam aptos num treinamento exaustivo para definir um diagnóstico cada vez mais preciso. A complexidade desse ramo da Dermatologia e da Anatomia Patológica exigem cada vez mais que o médico se especialize nessa área para oferecer um resultado confiável e definitivo.

Há uma necessidade fundamental de se fazer a correlação dos dados do exame clínico dermatológico (exame macroscópico baseado numa boa descrição das lesões cutâneas como também uma história clínica) com o exame microscópico. Sem essa inter-relação dificilmente poderá ser elaborado um laudo histopatológico correto. Com uma boa análise histopatológica, o dermatologista clínico terá condições de entender a fisiopatologia do processo patológico para planejar um tratamento cada vez mais eficaz. Muitas vezes esse entendimento é essencial para se tomar uma conduta terapêutica mais elaborada.

Teste de Tzanck

Soma-se ao exame histopatológico da pele mais um método de diagnóstico de grande valor prático: o Teste de Tzanck ou Citologia Cutânea. Este representa, basicamente, um teste diagnóstico de baixo custo, de carácter imediato e que pode ajudar muito o dermatologista na sua prática diária de atendimento, seja no ambulatório público ou no seu consultório privado. O exame citológico da pele pode ser aplicado às doenças bolhosas da pele, infecções como no Herpes Simples, Herpes Zoster ou Varicela com outras lesões inflamatórias e tumorais.

Figura 1 - Técnica cirúrgica de coleta de um fragmento de pele (biópsia) com instrumento chamado de punch (bisturi cilíndrico)

Figura 01 - Técnica cirúrgica de coleta de um fragmento de pele (biópsia) com instrumento chamado de punch (bisturi cilíndrico)

Histórico da Dermatopatologia

Nos últimos anos a Dermatopatologia teve um exuberante crescimento de estudos, sendo preciso classificar e organizar as doenças pelo método algoritmo para melhor entendimento das diversas categorias ou grupo de doenças. Esse método de classificação foi idealizado pelo Prof. Bernard Ackerman de Nova York, EUA, e revolucionou o estudo da Dermatopatologia principalmente nos estudos das doenças inflamatórias da pele.

Na figura abaixo, observa-se um corte histológico da pele corado pelo método Hematoxilina-Eosina de um infiltrado inflamatório superficial e profundo na derme, constituído predominantemente por linfócitos. Esse quadro histopatológico corresponde a um diagnóstico de Lupus Eritematoso.

Figura 02 - Método Algoritmo para Classificação das numerosas dermatoses do ponto de vista histopatológico.

Importância da realização de uma biópsia cutânea

Uma paciente do sexo feminino, de meia idade, apresentando placas escamo-crostosas na mão esquerda de evolução crônica. Foram aventadas várias hipóteses para o diagnóstico clínico como Psoríase, Dermatite de Contato e Dermatofitose.

Figura 03

Figura 3 - Após a realização da biópsia foi observada presença de restos de um ácaro na camada córnea, configurando o diagnóstico de Escabiose Crostosa, hipótese que nem tinha sido aventada.

Figura 04 - Fonte: www.Derm101.com

Desta forma fica evidente a importância do grande valor do exame histopatológico para um diagnóstico preciso e definitivo da entidade nosológica. Uma lesão cutânea nos genitais, ou em uma criança, presta-se muito bem a realização do Exame Citológico Imediato de Tzanck (Citologia Cutânea).Na figura 5 está representada uma Célula Gigante Viral que ocorre na infecção pelo herpes-vírus. O tamanho da célula da camada espinhosa da epiderme fica bem aumentado com múltiplos núcleos.

Figura 05 - Coloração pelo Papanicolaou – 400x – Exame Citológico

Figura 06 - Coloração especial para visualização de agente etiológico da Hanseníase. Técnica de histoquímica - 1000x

Figura 07 – À esquerda, observam-se células tumorais malignas onde não se tem uma boa definição da linhagem celular pela coloração convencional. Com a técnica da imuno-histoquímica (à direita) foi positiva para linfócitos T, configurando um caso de linfoma cutâneo primário de células T.

Estes exemplos deixam clara a importância de se realizar o exame histopatológico e citológico em numerosas dermatoses para um completo estudo da doença com aquisição de um diagnóstico preciso e definitivo.

Por Prof. Thomás de Aquino Paulo Filho

Professor e Coordenador Adjunto do Curso de Pós-graduação em Dermatologia da Afya Educação Médica, ex-IPEMED, (Afya Educacional).
Especialista em Dermatopatologia com Diploma
Board do Comitê Internacional de Dermatopatologia - 2015

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