Especial Saúde do Homem: Endocrinologia

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A Endocrinologia é a especialidade médica responsável por tratar a disfunção das glândulas endócrinas e dos hormônios, que causam doenças que alteram o funcionamento do metabolismo nas diversas fases da vida, desde à infância, passando pelas transformações da puberdade, até a velhice. E isso inclui a saúde do homem também.

Neste artigo, a Dra. Larissa Sá, professora na pós-graduação de Endocrinologia, do grupo Educacional IPEMED, traz alguns pontos importantes sobre a atuação do endocrinologista na saúde do homem.

A importância da saúde do homem

Atualmente, a atenção à saúde do homem tem sido pauta dos debates e efetivada em políticas, principalmente porque os homens constituem uma população com maiores vulnerabilidades. Dados do Ministério da Saúde (MS) revelam que o uso do álcool possui uma maior prevalência na população masculina, fazendo com que sofram mais de doenças provocadas pelo uso excessivo de bebida alcoólica.

Em relação ao tabagismo, os homens usam cigarros com maior frequência do que as mulheres, o que causa doenças cardiovasculares, cânceres, doenças pulmonares, entre outras. Outras patologias que acometem com frequência esse grupo populacional são os tumores e as doenças do aparelho digestivo, circulatório e respiratório.

“Geralmente os homens são mais resistentes ao procurar assistência médica preventiva, muitas vezes por medo de ir ao médico, vergonha, falta de informação ou ‘falta de tempo’, o que resulta em diagnósticos mais tardios e complicados na maioria dos casos. Por isso, é importante fazer políticas públicas de saúde que promovam a saúde do homem e estimule a avaliação clínica periódica”, explica a Dra. Larissa Sá.

A síndrome metabólica

De acordo com a professora Larissa Sá, todo homem deve ficar atento aos sinais de obesidade, diabetes mellitus, dislipidemia (alterações do colesterol e/ou triglicerídeos), que juntos podem representar a síndrome metabólica.

Vale lembrar que os fatores de risco para a síndrome metabólica são:

  • OBESIDADE - Excesso de gordura abdominal - Em homens-> cintura com mais de 94 cm.
  • DISLIPIDEMIA - Triglicerídeos elevado (nível de gordura no sangue) - 150mg/dL ou superior. | Baixo HDL (“bom colesterol”) - Em homens-> menos que 40mg/dL.
  • HIPERTENSÃO - Pressão sanguínea alta - 135/85 mmHg ou superior ou se faz uso de medicamentos para reduzir a pressão.
  • DIABETES - Glicose elevada no sangue.

De acordo com a Dra. Larissa, os hábitos sedentários, o sobrepeso, histórico familiar de diabetes, pressão alta e gordura no sangue em excesso, contribuem para a síndrome metabólica. Por isso, é tão importante uma mudança de comportamento do próprio homem, com aquisição de uma alimentação mais saudável e equilibrada, prática de atividade física regular e abandono do tabagismo.

Disfunção erétil (DE)

De acordo com o Ministério da Saúde, a DE está associada com a idade: apenas 1 em cada 50 homens até 40 anos apresenta disfunção erétil, enquanto 1 em cada 4 com 65 anos apresenta este problema. A disfunção está associada ao diabetes mellitus, à obesidade e hipertensão arterial. Além disso, a professora Larissa alerta que essa condição pode ser o primeiro indício de que o homem está com alguma doença cardiovascular.

As principais causas de disfunção erétil são hormonais (baixo nível de testosterona); vasculares (obstrução das artérias cavernosas); psicológicas (ansiedade e depressão); uso de medicações como antidepressivos e alguns hipotensores, entre outros fatores. Geralmente, por medo ou vergonha, os homens não procuram ajuda médica para tratar o problema. “Além de ajudar a solucionar a dificuldade de ereção, o médico pode prevenir o paciente de consequências graves como o infarto do miocárdio e o acidente vascular cerebral”, explica a Dra. Larissa.

A Andropausa ou Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino (Daem)

A andropausa está relacionada aos níveis abaixo do normal do hormônio masculino – a testosterona, podendo influenciar na libido, na ereção peniana, no orgasmo, na manutenção do humor e bem-estar, pode causar desânimo, cansaço, ondas de calor (fogachos), alteração do sono e a manutenção da força muscular. A testosterona sérica, produzida principalmente nos testículos, apresenta um declínio gradual e progressivo com o envelhecimento – 1-2%, em média, por ano, a partir dos 45 anos. Ela é o mais importante dos hormônios sexuais do homem (também chamada de androgênios).

A importância do endocrinologista

Além de tratar doenças, o endocrinologista tem o papel fundamental de educar os pacientes para uma vida mais saudável, uma vez que metabolismo e hormônios funcionando adequadamente é sinônimo de qualidade de vida e bem-estar. Além de todas as questões já citadas acima, a Endocrinologia ganhou uma importância no que diz respeito ao acompanhamento do paciente que passa pela cirurgia bariátrica, no combate à obesidade e doenças metabólicas.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) divulgou que, somente em 2019, foram realizados 68.530 procedimentos. Além disso, a entidade destacou a importância de ampliar acesso à cirurgia bariátrica pelo SUS e a cirurgia metabólica pelos planos de saúde.

O endocrinologista é o médico responsável por avaliar se o paciente está apto a passar pela cirurgia sob o ponto de vista metabólico e hormonal (curva de peso, perfil glicêmico, hormônios tireoidianos, sexuais e de crescimento e outros). Ou seja, o endocrinologista é um dos especialistas responsáveis por acompanhar o paciente em todas as fases operatórias a fim de garantir que o paciente seja bem monitorado, aumentando as chances de melhores resultados.

O futuro da Endocrinologia

Essa é uma especialidade médica com boas perspectivas para o futuro, uma vez que a área tem vivenciado avanços no que diz respeito aos estudos genéticos e moleculares. Já existe a possibilidade de estudarmos o DNA de uma criança logo após o seu nascimento e avaliar seu potencial para desenvolver algumas doenças hormonais e metabólicas, para prevenir problemas futuros. Outro importante avanço da medicina é o tratamento com células-tronco, em que o próprio indivíduo produz novamente as células capazes de provir determinado hormônio, por exemplo.

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Dra. Larissa Bianca Paiva Cunha de SáEndocrinologia - Neuroendocrinologia - Adrenal

Mestre em Endocrinologia pela Universidade Federal de São Paulo- UNIFESP; Preceptora da Residência Médica de Endocrinologia do Hospital do Servidor Estadual de São Paulo- HSPE; Chefe do Ambulatório de Doenças da Adrenal do HSPE; Coordenadora Adjunta e Professora da Pós Graduação Lato Sensu em Endocrinologia do Instituto de Pesquisa e Ensino Médico- IPEMED/AFYA; Título de Especialista em Endocrinologia e Metabologia pela SBEM; Membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - SBEM; Membro da Endocrine Society- Sociedade Americana de Endocrinologia.

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