Equilibrando os hormônios - Indicações e contra-indicações da terapia de reposição hormonal na menopausa

Você sabia que a Terapia de Reposição Hormonal pode impactar de forma muito importante a qualidade de vida das mulheres durante a menopausa?

A menopausa denota o término da fase reprodutiva feminina, contudo, é válido afirmar que uma mulher está realmente na menopausa apenas quando completa 12 meses sem um ciclo menstrual. Caso contrário, a utilização indevida deste termo pode ser contraditória.

Durante as flutuações do ciclo menstrual, que geralmente ocorrem perto dos 50 anos, período nomeado como climatério, as taxas hormonais detectadas no exame de sangue podem variar intensamente de um mês para o outro, levando, por vezes, a interpretações equivocadas.

Desde o início do climatério, diversos sintomas desfavoráveis podem se manifestar e, frequentemente, é necessário prover apoio ao paciente para enfrentar esta etapa de maneira mais suave.

Os sintomas vasomotores, como ondas de calor e sudorese noturna, são experimentados por aproximadamente 80% das mulheres neste estágio e são altamente responsivos ao tratamento hormonal.

Da mesma forma, os sintomas geniturinários, como bexiga hiperativa, ressecamento vaginal, desconforto durante a relação e diminuição do desejo sexual, também são frequentemente relatados.

É essencial mencionar que a saúde óssea e muscular é mais eficientemente mantida com a administração de hormônios. Neste período da vida, a mulher tende a apresentar maior flacidez e predisposição à osteoporose, elevando significativamente o risco de fraturas.

No entanto, é imperativo ressaltar que nem todas as mulheres estão aptas a receber hormônios durante esta fase. Aquelas que já estão há mais de uma década na menopausa ou que alcançaram os 60 anos sem iniciar a reposição não são aconselhadas a começar o tratamento, pois ultrapassaram o que denominamos de “janela de oportunidade”.

Adicionalmente, mulheres com históricos de câncer de mama, ovário, endométrio ou com condições cardiovasculares, como infarto e AVC, assim como trombose, embolia ou trombofilia, também devem evitar esta terapia.

É fundamental que as mulheres, ao entrarem na menopausa, busquem orientação médica especializada para avaliar a pertinência da terapia hormonal. Se a reposição for adequada, a paciente perceberá uma melhora expressiva nos sinais e sintomas. Contudo, se não for o tratamento indicado, existem diversas outras alternativas que podem ser igualmente eficazes.

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Autor(a)
Dra Renata Maksoud Bussuan

​​​Coordenadora da Pós-graduação Lato Sensu em Endocrinologia e do Workshop em Atendimento Ambulatorial Transgênero da IPEMED|Afya. Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Transgênero (SBRAMT). Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina da Obesidade (SBEMO). Membro titular da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Speaker dos laboratórios Eli Lilly do Brasil e Novo Nordisk. Mestranda em Ciências da Saúde no Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul/Fundação Universitária de Cardiologia (ICFUC). Pós-graduação Lato Sensu em Endocrinologia no Hospital Federal da Lagoa-RJ. Graduação em Medicina pela Faculdade Souza Marques.

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