Entenda como ocorre o prolapso retal

Prolapso retal. Eis um nome que ninguém — seja médico, seja paciente — quer ouvir. Afinal, se trata de um diagnóstico difícil, extremamente desagradável tanto no âmbito físico, quanto no psicológico.

No entanto, o problema existe, atingindo cerca de 2,5 a cada 100 mil pessoas. E precisamos lidar com ele! Pensando nisso, a Afya Educação Médica preparou um conteúdo especial, com o objetivo de ajudar você a relembrar alguns conceitos importantes sobre o assunto.

Sendo assim, continue a leitura para entender o que é o prolapso retal, quais são as suas causas e entender outros aspectos que envolvem essa alteração tão complexa e desconfortável.

O que é o prolapso retal?

O prolapso retal ocorre quando a parede muscular que reveste o reto se estende, projetando-se para fora do ânus.

Isso pode acontecer quando os músculos do assoalho pélvico ficam enfraquecidos, resultando na protrusão do reto ou de parte dele através do ânus. O prolapso retal pode variar em gravidade, desde uma protrusão leve até uma saída mais significativa do reto.

Existem diferentes tipos de prolapso retal. Confira:

  • Prolapso retal parcial ou interno: neste tipo, o revestimento interno do reto (mucosa) se projeta para fora do ânus, mas não ultrapassa a abertura anal. Pode ser percebido como uma protuberância durante a evacuação, mas retorna ao lugar por conta própria;
  • Prolapso mucoso: este tipo envolve a protrusão da camada mucosa do reto através do ânus. Geralmente, é mais evidente durante a evacuação e pode ser empurrado de volta manualmente;
  • Prolapso retal completo ou externo: no prolapso retal completo, todo o revestimento do reto se projeta para fora do ânus e pode ser visível externamente. Este tipo pode ser mais grave e requer intervenção médica;
  • Prolapso em forma de cúpula: esse tipo envolve o prolapso da parte superior do reto em forma de cúpula. Pode ocorrer em conjunto com outros tipos de prolapso;
  • Prolapso misto: alguns casos podem envolver uma combinação de diferentes tipos de prolapso retal, como prolapso retal interno e externo simultaneamente.

Quais são suas possíveis causas?

O prolapso retal pode ser causado por uma combinação de fatores que enfraquecem os tecidos de suporte do reto e os músculos do assoalho pélvico. Confira algumas das principais causas a seguir.

Envelhecimento

O envelhecimento natural pode levar à diminuição da elasticidade dos tecidos e enfraquecimento dos músculos, incluindo os do assoalho pélvico.

Parto vaginal

O parto vaginal, especialmente o parto múltiplo ou o parto de crianças grandes, pode causar lesões nos músculos e nos tecidos do assoalho pélvico, contribuindo para o prolapso retal.

Constipação crônica

A pressão constante durante a evacuação difícil e infrequente pode aumentar o risco de prolapso retal, uma vez que essa pressão pode danificar os músculos do assoalho pélvico ao longo do tempo.

Esforço durante a evacuação

Qualquer atividade que envolva esforço excessivo durante a evacuação, como levantar pesos pesados ou se esforçar muito durante o movimento intestinal, pode aumentar a pressão sobre os músculos do assoalho pélvico.

Doenças do colágeno

Condições que afetam a força e a integridade do colágeno nos tecidos, como a síndrome de Ehlers-Danlos, podem aumentar o risco de prolapso retal.

Histórico

Pode haver uma predisposição genética para fraqueza nos músculos do assoalho pélvico, aumentando o risco de prolapso retal em algumas famílias.

Obesidade

O excesso de peso pode contribuir para o enfraquecimento dos músculos do assoalho pélvico e aumentar a pressão intra-abdominal.

Cirurgia pélvica prévia

Algumas cirurgias pélvicas anteriores, como a remoção do útero (histerectomia), podem afetar os tecidos de suporte pélvico e aumentar o risco de prolapso retal.

Quais são os principais sintomas?

Os sintomas do prolapso retal podem variar dependendo da gravidade e do tipo do prolapso. Alguns incluem:

  • sensação de volume ou protuberância;
  • desconforto ou dor anal;
  • dificuldade para evacuar;
  • incontinência fecal;
  • sangramento anal;
  • mucosa visível.

Como ele é diagnosticado?

O diagnóstico do prolapso retal geralmente envolve uma avaliação cuidadosa da história clínica do paciente, um exame físico e, em alguns casos, exames adicionais. Aqui estão alguns dos métodos comuns utilizados para diagnosticar o prolapso retal e identificar sua causa primária:

História clínica

É o momento onde são feitas perguntas sobre os sintomas, a frequência e a gravidade deles, além da investigação de outros aspectos relacionados à saúde do paciente.

Exame físico

Durante o exame físico, pode ser solicitado ao paciente uma simulação da posição de evacuação, o que pode facilitar a detecção do prolapso. Também é possível a realização de exames de toque para identificar mais detalhes sobre o problema.

Colonoscopia

Em alguns casos, pode ser recomendada uma colonoscopia ou uma sigmoidoscopia para avaliar o interior do cólon e do reto em busca de outras condições que possam estar contribuindo para o prolapso.

Exames de imagem

Também pode ser necessário realizar exames de imagem, como ressonância magnética (RM) ou defecografia, para obter uma visão mais detalhada da anatomia do reto e do assoalho pélvico.

Quais são os fatores de risco?

Os fatores de risco, de modo geral, são similares às causas do problema. Eles incluem:

  • envelhecimento;
  • parto vaginal, especialmente parto múltiplo ou de crianças grandes;
  • constipação crônica;
  • esforço excessivo durante a evacuação;
  • doenças do colágeno, como síndrome de Ehlers-Danlos;
  • histórico familiar de prolapso retal;
  • obesidade;
  • cirurgia pélvica prévia, como histerectomia.

Qual é o tratamento?

Confira, agora, algumas das abordagens terapêuticas para o problema!

Alteração no estilo de vida

Aumentar a ingestão de fibras e líquidos para prevenir a constipação é sempre uma boa ideia, além de evitar esforços excessivos durante a evacuação.

Fisioterapia do assoalho pélvico

Exercícios para fortalecer os músculos do assoalho pélvico podem ajudar a melhorar o suporte muscular e a função.

Uso de medicamentos

Algumas medicações podem ser prescritas para tratar sintomas associados, como incontinência fecal.

Cirurgia

Em casos mais graves ou quando outras opções não são eficazes, procedimentos cirúrgicos, como reparo do prolapso retal, podem ser considerados. Isso pode envolver diferentes técnicas cirúrgicas, como a cirurgia de ressecção ou a fixação de tecidos.

Há alguma forma de prevenir o problema?

Sim, algumas medidas podem ajudar na prevenção do prolapso retal:

  • manter uma dieta rica em fibras e beber bastante água para prevenir a constipação;
  • evitar esforços excessivos durante a evacuação;
  • realizar exercícios regulares para fortalecer os músculos do assoalho pélvico;
  • manter um peso saudável;
  • tratamento adequado de condições que podem aumentar as chances de desenvolvimento do prolapso.


A sua abordagem importa!

Como podemos ver, o prolapso retal não é um problema muito frequente. No entanto, ele pode acontecer e, caso isso ocorra, você deve estar preparado. Agora que você já sabe lidar com a situação, não deixe de avaliá-la sob uma ótica humanizada e, claro, capacitada.

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