Embolia gasosa arterial cardíaca

Difíceis de serem identificadas inicialmente, devido à sua natureza silenciosa, as patologias arteriais representam um desafio para a comunidade médica. Elas podem obstruir a circulação sanguínea e gerar complicações graves. Dentre as mais comuns estão a aterosclerose, doença arterial coronariana e trombose arterial. Apesar de não ser tão recorrente, a embolia gasosa arterial cardíaca é um potencial risco em procedimentos médicos invasivos, exigindo vigilância constante.

O embolismo, causado pelo contato de gás oxigênio com os vasos sanguíneos, apresenta um risco alto de morte, tendo em vista que pode evoluir para isquemia ou infarto do miocárdio rapidamente. Quer saber mais sobre esse problema? Neste post, vamos abordar quais são os fatores de risco e como tratar os pacientes para minimizar as suas complicações diante dessa situação. Confira!

O que é o quadro de embolia gasosa arterial cardíaca?

A embolia gasosa arterial cardíaca é descrita como a presença de ar nas artérias do coração, formando bolhas que impedem que o sangue flua normalmente para este órgão. Essa condição compromete os tecidos do miocárdio, em decorrência da falta de irrigação.

É importante ressaltar que há dois tipos de embolia gasosa: embolia gasosa venosa e embolia gasosa arterial. A primeira ocorre quando o ar está presente no fluxo venoso sistêmico e, posteriormente, se desloca em direção ao ventrículo direito e à circulação pulmonar.

Já a segunda se dá quando o gás oxigênio atinge a circulação arterial, o que traz um grau mais elevado de risco de morte do que o embolismo venoso. Isso porque, o ar pode causar a isquemia de órgãos vitais, como o coração e o cérebro.

Quais são as possíveis causas?

Considerada bastante grave, a embolia gasosa pode ser causada por diferentes procedimentos que podem levar ar na circulação sanguínea. Um dos principais desencadeadores de problema são os procedimentos médicos invasivos, como cateterismos cardíacos, ressecção de tumores, cirurgias do coração ou manipulação de veias, nos quais pode ocorrer a introdução de ar acidental na corrente sanguínea.

As práticas médicas não invasivas também podem ocasionar o embolismo gasoso, como a aplicação de remédios ou vacinas por meio de seringa, e a realização de exames de imagem utilizando contraste.

Há casos em que o problema também acontece após lesões traumáticas, como acidentes que envolvem órgãos vasculares, fraturas ósseas ou ferimentos penetrantes, que possibilitem a passagem de ar para a circulação.

Além disso, as atividades recreativas, como mergulhos subaquáticos profundos sem o uso de equipamentos adequados, como mergulho livre, podem expor a pessoa ao risco de embolia gasosa.

Quais são os principais sintomas?

Os sintomas apresentados embolia gasosa arterial cardíaca são distintos conforme o local obstruído e a sua gravidade, o que inclui desde confusão mental até parada cardiorrespiratória. Descubra, a seguir, quais são as manifestações clínicas mais comuns em pacientes que desenvolvem esse quadro.

  • Pulmonares: a entrada de ar na circulação pode gerar dispneia (falta de ar) com 100% de incidência, som de sucção e reflexo de suspiro. Nesse caso, os sintomas pulmonares podem ser percebidos a partir de taquipneia (aumento anormal da frequência respiratória), sibilo (chiado produzido durante a respiração), estertores (ruídos produzidos durante a respiração), e insuficiência respiratória.
  • Cardíacos: é comum que haja dor torácica subesternal acompanhada de taquicardia, hipotensão, murmúrio, também conhecido como ‘’roda de moinho’’, manifestações de insuficiência cardíaca e choque.
  • Neurológicos: em termos neurológicos, o paciente pode apresentar sensação de morto iminente, tonturas, mudanças de estado mental, déficits neurológicos focais, perda de consciência e coma.
  • Na pele: pode haver embolia sobre os vasos superficiais, que raramente ocorre nos locais em que há êmbolos gasosos maciços, além de livedo reticular (estado de marmorização da pele).

Como o quadro é diagnosticado?

Para diagnosticar a embolia gasosa é necessário realizar uma avaliação clínica ampla, com o suporte de exames de imagem para a identificação e confirmação da presença de bolhas de ar na circulação.

Todavia, como o ar é absorvido rapidamente pela corrente sanguínea, pode ser difícil identificá-lo durante a execução do exame por imagem. Sendo assim, o diagnóstico do quadro se baseia, sobretudo, no índice de suspeita e na exclusão de outras condições.

Quando há uma suspeita elevada de embolia gasosa arterial, o médico deve solicitar alguns exames específicos em caráter imediato, como hemograma completo, radiografia do tórax, creatinfosfoquinasa, peptídeo natriurético cerebral, troponina I ou T sérica, e eletrocardiograma (ECG).

Se existem sinais de ar intracardíaco, o ideal é encaminhar o paciente para a realização de um ecocardiograma transtorácico (ETT) ou de um ecocardiograma transesofágico (ETE).

Quais são os fatores de risco?

Pacientes que passaram por procedimentos cirúrgicos ou têm doenças do coração têm um risco aumentado de complicações graves diante do diagnóstico de embolia gasosa arterial cardíaca. Saiba quais são esses fatores de risco:

  • doenças cardíacas preexistentes, como arritmias cardíacas, que podem aumentar a probabilidade de complicações graves;
  • histórico de embolias anteriores, o que indica um risco aumentado de recorrência;
  • cirurgias cardíacas recentes ou procedimentos médicos cardíacos invasivos;
  • lesões traumáticas que comprometem a integridade dos vasos sanguíneos e permitem a entrada de ar na corrente sanguínea;
  • qualquer condição subjacente que predisponha a formação de embolias, como coagulopatias ou doenças autoimunes.

Como tratar o paciente com embolia gasosa arterial cardíaca?

O tratamento da embolia gasosa deve ser rápido, o que se deve à velocidade com que o quadro pode evoluir para complicações graves. Acompanhe quais são os procedimentos médicos de emergência a serem adotados para tratar os seus pacientes.

Avalie a estabilidade das vias aéreas, respiração e circulação

A primeira coisa a se fazer é verificar se o indivíduo necessita de terapia definitiva, como a retirada de ar do átrio direito, uso de oxigênio hiperbárico ou massagem cardíaca.

Coloque o paciente em posição supina

Em situações de embolia gasosa arterial, o paciente deve ser colocado em posição supina, deixando-o de costas, com o rosto voltado para cima.

Adote terapias de suporte

Antes mesmo da confirmação do diagnóstico, é importante iniciar terapias de suporte, como ventilação mecânica, oxigênio de alto fluxo, vasopressores, ressuscitação volêmica, e suporte avançado de vida cardíaca.

Aplique medicamentos intravenosos

Possibilite o acesso intravenosos para que o paciente receba medicamentos intravenosos ou vasopressores, com o objetivo de restabelecer o fluxo sanguíneo suficiente para os tecidos do corpo, processo que fornece oxigênio e nutrientes essenciais para a sua recuperação.

Como evitar esse problema?

Tomar medidas de prevenção rigorosas durante abordagens terapêuticas invasivas que envolvam a circulação sanguínea é essencial para evitar a ocorrência de embolia gasosa.

Para tanto, é preciso checar todos os equipamentos que entram em contato com o sangue, como cateteres, eliminando qualquer ar potencialmente presente. Também é imprescindível fazer a monitorização contínua da pressão arterial e da saturação de oxigênio durante esses procedimentos para detectar qualquer alteração de forma precoce.

Ademais, é crucial educar o paciente, especialmente aqueles com predisposição para embolia gasosa, sobre os riscos associados a essa condição. Isso ajuda a conscientizá-los sobre a importância de evitar atividades que possam desencadear esse quadro, como mergulhos profundos sem o equipamento de descompressão adequado.

A embolia gasosa arterial cardíaca é uma condição perigosa, que pode ser fatal se não for identificada e tratada imediatamente. A partir da pronta intervenção é possível controlar os sintomas e impedir danos a órgãos vitais, como o coração. A melhor maneira de prevenir o problema é aumentando o rigor em práticas médicas invasivas.


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