Efeitos da maconha: entenda seus malefícios a longo prazo

A maconha, também conhecida como cannabis, é uma das drogas mais amplamente utilizadas em todo o mundo. Seu uso, em grande parte, é associado a fins recreativos, mas também é usada por algumas pessoas com finalidades medicinais. 

No entanto, dentre os efeitos da maconha estão uma série de consequências negativas para a saúde física e mental, visto que esta não é uma substância isenta de riscos. Neste texto, exploraremos os malefícios e consequências a longo prazo do consumo de maconha, apresentaremos dados sobre seu consumo no Brasil e no mundo, e discutiremos as estratégias que os médicos podem adotar para ajudar pacientes a se livrarem deste vício.

Efeitos da maconha: malefícios

O consumo de maconha é uma realidade global, com uma história que remonta a milênios. Atualmente, é uma das drogas mais consumidas no mundo, e a legalização parcial ou total em diversos países tem contribuído para um aumento significativo em seu uso.

Em muitos lugares, a maconha é percebida como uma substância relativamente inofensiva, mas é preciso ter cautela em sua utilização, pois há dados científicos que indicam o contrário.

Veja a seguir alguns efeitos maléficos do uso da maconha:

  • Impacto na saúde mental: o consumo regular de maconha está associado a um aumento do risco de transtornos psiquiátricos, como a síndrome amotivacional, depressão, ansiedade e esquizofrenia. A principal substância psicoativa da maconha, o delta-9-tetraidrocanabinol (THC), é responsável pelos efeitos psicoativos e pode prejudicar a função cognitiva, especialmente em adolescentes, cujos cérebros ainda estão em desenvolvimento.
  • Dependência e síndrome de abstinência: contrariando a ideia de que a maconha não causa dependência, estudos mostram que uma parcela significativa dos usuários regulares desenvolve a síndrome de dependência. A abstinência de maconha pode incluir sintomas como irritabilidade, insônia, perda de apetite e ansiedade.
  • Problemas respiratórios: a fumaça da maconha contém substâncias tóxicas que podem prejudicar os pulmões, aumentando o risco de bronquite crônica e outros problemas respiratórios.
  • Prejuízo nas funções cognitivas: o uso contínuo da maconha pode afetar a memória, a aprendizagem e o desempenho acadêmico e profissional.
  • Aumento do risco de acidentes: outro possível efeito da maconha é o de prejudicar a coordenação motora e o tempo de reação, aumentando o risco de acidentes de trânsito e outras situações perigosas.

Consumo de maconha no Brasil e no mundo

No Brasil, o consumo de maconha é uma realidade persistente, e dados indicam que o país possui uma das maiores taxas na América Latina. No entanto, a substância continua sendo ilegal, o que cria desafios adicionais em relação à prevenção e ao tratamento do uso problemático.

A legalização da maconha tem avançado em diversos países, como Canadá e alguns estados dos EUA, com o objetivo de regular o mercado e desencorajar o uso ilegal. Estas políticas têm gerado debates e é importante analisar os resultados a longo prazo em relação aos impactos na saúde pública e na sociedade como um todo.

Uso da maconha no Brasil

Segundo o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD), realizado em 2019, aproximadamente 9,5% da população brasileira já experimentou maconha pelo menos uma vez na vida. A prevalência do uso naquele ano estava em torno de 3,2%.

O LENAD também mostrou que a idade média de início do uso da maconha no Brasil era de cerca de 18,2 anos.

A maconha é ilegal para uso recreativo no Brasil, mas em 2015 foi aprovada uma lei que autoriza o uso medicinal da cannabis sob prescrição médica para tratamento, por exemplo, de quadros de depressão e ansiedade.

Uso da maconha no mundo

Globalmente a maconha é uma das substâncias ilícitas mais amplamente utilizadas no mundo. De acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas das Nações Unidas de 2020, estima-se que cerca de 4% da população global entre 15 e 64 anos tenha usado maconha pelo menos uma vez no ano anterior à pesquisa. Isso equivale a aproximadamente 200 milhões de pessoas.

Vários países ao redor do mundo têm alterado suas políticas em relação à maconha. Em 2013, o Uruguai se tornou o primeiro país a legalizar a produção, venda e uso da maconha para fins recreativos. No Canadá, em 2018, a maconha tornou-se legal para uso recreativo em todo o país. Diversos estados dos Estados Unidos também legalizaram a maconha para fins recreativos.

A prevalência do uso de maconha varia significativamente de um país para outro. Por exemplo, no Canadá, após a legalização, a taxa de uso aumentou para cerca de 16% da população adulta em 2019. Nos Estados Unidos, a legalização em alguns estados também resultou em um aumento do uso, mas as taxas variam de acordo com o estado.

Além do uso recreativo, muitos países estão permitindo o uso medicinal da maconha para tratar condições médicas específicas, como dor crônica, epilepsia, câncer, entre outras.

Estratégias de tratamento para o uso problemático de maconha

O tratamento do uso problemático de maconha deve ser abordado de forma holística, considerando os aspectos físicos, psicológicos e sociais da dependência. Aqui estão algumas estratégias que médicos e profissionais de saúde podem adotar para ajudar pacientes a se livrarem do vício em maconha:

  • Avaliação e diagnóstico: o primeiro passo é realizar uma avaliação detalhada para determinar a gravidade do uso problemático e identificar quaisquer transtornos mentais coexistentes, como depressão ou ansiedade.
  • Intervenções comportamentais: terapias comportamentais, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), podem ser eficazes para ajudar os pacientes a identificar padrões de uso problemáticos e desenvolver habilidades de enfrentamento.
  • Apoio social: o apoio de amigos e familiares é fundamental no processo de recuperação. A terapia familiar pode ser uma ferramenta valiosa para fortalecer os laços e criar um ambiente de apoio.
  • Tratamento farmacológico: em alguns casos, medicamentos podem ser prescritos para ajudar a controlar sintomas de abstinência e reduzir os desejos pela droga.
  • Prevenção de recaídas: estratégias de prevenção de recaídas, como identificar gatilhos e desenvolver planos de enfrentamento, são essenciais para manter a abstinência a longo prazo.
  • Apoio contínuo: o tratamento do uso problemático de maconha muitas vezes é um processo contínuo. A continuidade do acompanhamento médico e terapêutico é fundamental para evitar recaídas.
  • Programas de redução de danos: em algumas situações, programas de redução de danos podem ser uma alternativa eficaz para pacientes que não estão prontos para a abstinência completa. Isso pode incluir estratégias para reduzir os riscos associados ao consumo, como a educação sobre a droga e o uso de formas mais seguras de consumo.

Médicos precisam estar cientes dos efeitos da maconha

Embora a maconha seja frequentemente percebida como uma droga relativamente inofensiva, os malefícios e as consequências a longo prazo de seu consumo não podem ser ignorados.

A dependência de maconha pode ter sérios impactos na saúde física e mental, prejudicar a qualidade de vida e afetar o desempenho acadêmico e profissional. No Brasil e no mundo, o consumo da droga é uma realidade que requer atenção tanto das políticas públicas quanto dos profissionais de saúde.

É importante destacar que o tratamento da dependência de maconha é possível e eficaz, mas exige abordagens individualizadas e um compromisso tanto do paciente quanto dos profissionais de saúde. A prevenção do uso problemático, por meio da educação e da conscientização, também desempenha um papel fundamental na redução dos impactos negativos da maconha na sociedade.

Em última análise, a compreensão dos efeitos da maconha, em especial os maléficos, e o desenvolvimento de estratégias de tratamento eficazes são essenciais para ajudar aqueles que lutam com o vício a recuperar sua saúde e qualidade de vida.

No entanto, é necessário reconhecer também que a maconha é uma importante fonte de canabidiol (CBD), substância com amplo potencial de uso medicinal para o tratamento de diversas condições de saúde. Por isso, a comunidade científica deve estar aberta a pesquisar não apenas os malefícios, como também os possíveis benefícios advindos dos efeitos da maconha – mais especificamente do CDB.

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