É possível fazer prova de título sem ter feito residência médica?

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Durante os últimos semestres da graduação em medicina e no período de recém-formado, é comum se preocupar com o caminho a seguir para continuar se capacitando e entrar no mercado de trabalho. O percurso mais procurado — e, consequentemente, mais concorrido — pelos egressos das escolas médicas é a residência. Sem dúvida ela é a modalidade mais concorrida, porém, não é a única maneira de se obter o título de especialista. Nesse contexto, a prova de título se faz presente.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) reconhece o médico como especialista a partir da aprovação nesse exame, sendo que cada sociedade de especialidade médica tem sua prova reconhecida pela Associação Médica Brasileira (AMB). Dessa forma, sim, é possível fazer a prova de título sem ter feito residência médica. Então, quais são os pré-requisitos para realizar a prova e obter o título em caso de aprovação? Entenda tudo sobre o assunto neste post que preparamos!

A importância da prova de título para o médico

Diante do mercado de trabalho desafiador e competitivo da medicina, obter o título de especialista é um passo muito importante no sucesso da carreira do profissional. Desse modo, estudo e dedicação são essenciais para realizar a prova de título. O exame é oferecido anualmente e via edital, sendo possível escolher entre 54 especialidades reconhecidas pelo CFM, de acordo com a Resolução Nº 2.149/2016.

A regulamentação, além de aprovar a relação de especialidades e áreas de atuação médica, também dispõe que é possível se obter o título de especialista de duas maneiras. A primeira é por meio do programa estabelecido pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), e a segunda é representada pela prova de título referente a cada especialização, por exemplo, neurologia, reumatologia e dermatologia.

Pré-requisitos para realizar a prova

É importante ressaltar que existem pré-requisitos a serem atendidos antes de se submeter à prova de título, e cada edital apresenta seus critérios de elegibilidade. Veja os 3 pontos principais:

1. Ter um número de registro ativo no CRM

Ter o registro ativo no Conselho Regional de Medicina é de suma importância, uma vez que o médico deve ter se graduado para realizar o exame. Esse critério é obrigatório e deve ser atendido no ato da inscrição.

2. Ter concluído especialização médica reconhecida pela Associação Médica Brasileira

Os cursos de especialização na área médica são fornecidos por muitas instituições em todo o Brasil e apresentam como objetivo capacitar e complementar a formação dos profissionais de medicina. Ao final do curso e a partir dos conhecimentos adquiridos, o médico se submete à prova de título para ser reconhecido como especialista junto à AMB. Dependendo do programa, a duração é de 1 a 3 anos, com a carga horária mínima de 360 horas. Apesar de o termo ser um tanto quanto intuitivo, é importante lembrar que nenhum curso de especialização dá direito ao título de especialista.

3. Comprovação de tempo mínimo na especialidade escolhida

De acordo com a Resolução do CFM Nº 2.148/2016, é exigido que os editais de titulação prevejam a participação de profissionais da medicina que não se submeteram a programas de especialização ou residência médica. Assim, deve-se comprovar um tempo mínimo de atuação na área médica da especialidade referida. Nesse caso, a carga horária de aulas práticas da pós-graduação médica lato sensu pode ser aceita, dependendo do edital. Essa pós-graduação geralmente dura 2 anos e permite a qualificação do profissional com aulas teóricas e práticas, além de contribuir para o aperfeiçoamento da carreira médica em desenvolvimento.

Além disso, geralmente os horários são bastante flexíveis com aulas semanais ou quinzenais. Ótimo fator para quem mora no interior ou longe dos principais centros que oferecem os cursos. Os editais diferem entre si quanto ao peso desses critérios. Sendo assim, é interessante pesquisar e compreender o que cada sociedade de especialidade médica exige detalhadamente para se preparar da melhor forma possível.

Como se planejar para o exame?

Agora que você já entendeu a importância da prova de título e os pré-requisitos para realizá-la, vamos abordar algumas dicas do que fazer antes de se submeter à prova. De antemão, vale salientar que não é um exame fácil e que exige conhecimentos bastante específicos.

Planeje sua rotina de estudos

Sabemos que a rotina profissional de um médico recém-formado não é nada fácil. A maioria se desdobra entre plantões de diferentes horários, e encaixar horas de estudo no dia a dia atribulado não é uma tarefa fácil. No entanto, é preciso que o médico sempre tente conciliar os horários de estudo com muita dedicação e disciplina. Afinal, atualizar-se é primordial durante toda a trajetória médica, certo?

Tenha cautela ao escolher a especialidade

Hoje em dia o mercado de medicina está ficando concorrido, e é fundamental identificar quais são as áreas mais promissoras dentro do cuidado à saúde. É importante salientar que de nada adianta reconhecer o status ou vantagem financeira de especialidades que você não tenha afinidade. Tanto os cursos de especialização quanto os de pós-graduação duram um tempo considerável, e se identificar com o conteúdo teórico-prático é imprescindível.

Considere cursos preparatórios

Fazer a prova sem se preparar adequadamente, ou estudando os conteúdos somente em cima da hora não faz sentido. Apenas a aptidão para determinada especialidade não garante o sucesso do exame, uma vez que as questões podem ser práticas e/ou teóricas. Dessa maneira, é interessante considerar cursos que forneçam o suporte para aprimorar os conhecimentos. A pós-graduação é um exemplo de preparação e, nesse sentido, é importante buscar por instituições renomadas que sejam reconhecidas pelo Ministério de Educação (MEC).

Diante da pouca quantidade de vagas em relação à demanda que as modalidades de residência oferecem em todo o Brasil, muitos médicos não têm acesso ao programa. Além disso, outras questões podem interferir, como a distância até as instituições ou a dificuldade da prova de entrada. Assim, a prova de título se apresenta como uma oportunidade para os médicos que não têm esse acesso à residência serem reconhecidos como especialistas na área médica de interesse.

Agora que você já compreendeu que é possível fazer a prova de título sem ter realizado residência médica, confira nosso artigo completo sobre como se preparar para o exame!​

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