Conheça as principais causas de óbito cardiovascular no Brasil: insuficiência cardíaca, DAC e hipertensão arterial sistêmica. Entenda os sinais.
Você sabia que as doenças cardiovasculares são a principal causa de mortalidade no Brasil? No Dia Mundial do Coração (29/09), reforça-se a importância do cuidado cardiovascular.
Destacam-se a doença arterial coronariana (80,02/100 mil) e as cerebrovasculares (56,58/100 mil) como líderes de óbito no país, conforme dados nacionais.
1. Hipertensão arterial
A hipertensão arterial, popularmente chamada de pressão alta, é uma doença crônica que afeta cerca de 25% da população brasileira e está diretamente associada ao desenvolvimento de outras condições cardiovasculares, como DAC, insuficiência cardíaca e AVC. É uma doença silenciosa, pois frequentemente cursa de forma assintomática por anos.
No geral, é caracterizada por níveis elevados e sustentados da pressão arterial (≥140/90 mmHg em medidas repetidas). O diagnóstico exige aferições padronizadas e, quando possível, confirmação com MAPA ou MRPA.
Está relacionada, na maioria dos casos, a fatores modificáveis como alto consumo de sódio, obesidade, sedentarismo, álcool e tabagismo, além de predisposição genética.
Sintomas e tratamento
Os sintomas costumam surgir em fases mais avançadas ou em picos hipertensivos:
- Dores no peito;
- Cefaleia;
- Tonturas;
- Zumbido;
- Visão embaçada;
- Epistaxe.
O manejo envolve mudanças no estilo de vida e terapia farmacológica individualizada (como diuréticos, IECA, BRA, bloqueadores de canal de cálcio), conforme risco cardiovascular global.
2. Doença coronariana
Também conhecida como DAC, decorre principalmente da aterosclerose coronariana, com formação de placas lipídicas que levam à redução do lúmen arterial e limitação do fluxo sanguíneo.
A isquemia miocárdica ocorre quando há desequilíbrio entre oferta e demanda de oxigênio. Clinicamente, pode se manifestar como angina estável, instável ou evoluir para síndrome coronariana aguda (SCA).
Sintomas e tratamento
A dor torácica típica é retroesternal, em aperto, precipitada por esforço ou estresse e aliviada com repouso ou nitrato.
Características comuns:
- Irradiação para membros superiores, mandíbula ou dorso;
- Associação com dispneia, sudorese ou náuseas;
- Duração variável (minutos, geralmente).
A avaliação clínica deve considerar probabilidade pré-teste e pode envolver ECG, marcadores de necrose miocárdica e testes funcionais. Uma pesquisa da SBC aponta alta prevalência de dislipidemia, um dos principais fatores de risco modificáveis.


3. Doença cerebrovascular
O AVC resulta de interrupção do fluxo sanguíneo cerebral, levando a dano neurológico focal ou global.
O tipo isquêmico (mais frequente) geralmente decorre de trombose local ou embolia; o hemorrágico está associado à ruptura vascular, frequentemente ligada à hipertensão não controlada.
Sintomas e tratamento
Quadro súbito, com sinais focais:
- Hemiparesia ou hemiplegia;
- Afasia ou disartria;
- Alterações visuais;
- Ataxia ou vertigem;
- Cefaleia intensa (mais comum no hemorrágico).
O tratamento do AVC isquêmico é tempo-dependente, incluindo trombólise intravenosa e, em casos selecionados, trombectomia mecânica.
4. Doença arterial periférica
A DAP é manifestação sistêmica da aterosclerose, acometendo principalmente artérias dos membros inferiores. A redução do fluxo leva à claudicação intermitente, caracterizada por dor muscular ao esforço devido à isquemia transitória.
Sintomas e tratamento
- Dor em panturrilhas ao caminhar (melhora com repouso);
- Redução de pulsos periféricos;
- Em casos avançados, dor em repouso ou lesões isquêmicas.
O tratamento inclui controle rigoroso de fatores de risco, antiagregação plaquetária e, em casos selecionados, intervenção endovascular ou cirúrgica.
O infarto do miocárdio acarreta, anualmente, o custo de R$ 22,4 bilhões ao sistema de saúde no Brasil. Seguido de insuficiência cardíaca, com R$ 22,1 bilhões, hipertensão, R$ 8 bilhões e fibrilação atrial, R$ 3,9 bilhões.
5. Doença reumática cardíaca
A DRC é consequência de resposta autoimune à infecção por Streptococcus pyogenes, com acometimento preferencial das valvas cardíacas (principalmente mitral). Pode evoluir para valvopatias crônicas com impacto hemodinâmico significativo.
Sintomas e tratamento
- Febre;
- Poliartrite migratória;
- Cardite (sopros, insuficiência cardíaca);
- Coreia (em alguns casos).
O tratamento da febre reumática inclui antibiótico, anti-inflamatórios e profilaxia secundária prolongada com penicilina benzatina.
O Brasil registra cerca de 30 mil casos anuais. Quase ⅓ das cirurgias cardiovasculares realizadas no país se deve às sequelas da doença reumática cardíaca (DRC), a qual é um importante problema de saúde pública.
6. Cardiopatia congênita
A cardiopatia congênita corresponde a alterações estruturais cardíacas presentes desde o desenvolvimento embrionário.
Podem ser classificadas como cianóticas ou acianóticas, com repercussões variáveis.
Sintomas e tratamento
Em recém-nascidos:
- Cianose;
- Taquipneia;
- Dificuldade para mamar;
- Baixo ganho ponderal.
Em crianças maiores:
- Intolerância ao esforço;
- Infecções respiratórias recorrentes.
O tratamento varia conforme a gravidade e as características da cardiopatia congênita. Algumas são leves e curadas pelo próprio organismo com o passar do tempo.
No entanto, na maioria das vezes, as cardiopatias congênitas exigem o uso de medicamentos, correção por cateterismo e cirurgia ou, nos casos mais graves, transplante cardíaco.
Por que estudar Cardiologia é essencial na prática médica?
A cardiologia ocupa posição central na prática clínica devido à alta prevalência e impacto das doenças cardiovasculares na morbimortalidade global. Condições como hipertensão arterial, doença coronariana e insuficiência cardíaca exigem raciocínio clínico refinado, abordagem longitudinal e tomada de decisão baseada em evidências.
Além disso, o envelhecimento populacional e a transição epidemiológica ampliam a demanda por profissionais capacitados em diagnóstico precoce, estratificação de risco e manejo de doenças crônicas cardiovasculares. O domínio da cardiologia é, portanto, estratégico tanto para generalistas quanto para especialistas.
Para aprofundar conhecimentos e se atualizar na área, é fundamental contar com uma formação estruturada e alinhada às diretrizes atuais. Conheça as oportunidades de formação em cardiologia na Afya.
FAQ
Qual é a principal causa de mortalidade de origem cardiovascular registrada na população brasileira?
A principal causa é a doença isquêmica do coração, seguida pelas doenças cerebrovasculares. Essas condições concentram a maior parte dos óbitos cardiovasculares no país.
Quais são os fatores de risco modificáveis mais prevalentes para o desenvolvimento de infarto no Brasil?
Os principais fatores de risco modificáveis incluem hipertensão arterial, dislipidemia, diabetes, tabagismo, obesidade, sedentarismo, alimentação inadequada e consumo excessivo de álcool.
Como se caracteriza o quadro clínico típico de insuficiência cardíaca descompensada no pronto-socorro?
O quadro costuma incluir dispneia, ortopneia, congestão pulmonar, edema periférico e, em casos mais graves, sinais de hipoperfusão e sobrecarga volêmica.
Quais são as metas de pressão arterial preconizadas pelas diretrizes brasileiras para pacientes hipertensos?
De modo geral, as metas ficam abaixo de 140/90 mmHg para a maioria dos pacientes, com alvos mais rigorosos em situações selecionadas, conforme risco cardiovascular e comorbidades.
Como o estilo de vida moderno e os hábitos alimentares influenciam o aumento da doença arterial coronariana?
O sedentarismo, o excesso de peso e o alto consumo de alimentos ultraprocessados favorecem inflamação, dislipidemia e aterosclerose, aumentando o risco de doença arterial coronariana.
Quais são as manifestações clínicas iniciais da doença cardíaca chagásica crônica, ainda presente no país?
As manifestações iniciais podem ser assintomáticas ou incluir palpitações, arritmias, distúrbios de condução e, em alguns casos, sinais iniciais de insuficiência cardíaca.
Como diferenciar uma dor torácica de origem isquêmica cardíaca de uma dor de origem musculoesquelética?
A dor isquêmica costuma ser retroesternal, em aperto, relacionada ao esforço e pode irradiar para braço, mandíbula ou dorso. A dor musculoesquelética tende a ser localizada, reprodutível à palpação e piora com movimento.
Quais exames de rastreio cardiovascular devem ser solicitados anualmente a partir dos 40 anos?
Não existe um painel único obrigatório para todos os assintomáticos. Em geral, avaliam-se pressão arterial, glicemia ou HbA1c, perfil lipídico e estratificação de risco cardiovascular.
Como a fibrilação atrial aumenta o risco de complicações sistêmicas graves como o AVC isquêmico?
A fibrilação atrial favorece estase sanguínea no átrio esquerdo, principalmente na aurícula, o que facilita a formação de trombos. Esses coágulos podem embolizar para o cérebro e causar AVC isquêmico.
Quais são as principais estratégias de saúde pública vigentes no Brasil para combater as doenças cardiovasculares?
As principais estratégias incluem controle de hipertensão e diabetes na atenção primária, combate ao tabagismo, incentivo à atividade física, promoção de alimentação saudável e estratificação de risco cardiovascular.







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