Arm with crossed bandages forming a heart shape on the inner forearm of a person in a red shirt.

Doação de sangue: da importância histórica à atualidade

14/6/2022
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equipe afya educacao médica
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O processo de doação de sangue passou pela evolução e descobertas de cientistas renomados. Veja quais delas permitem que, hoje.

O sangue é um tecido vivo, composto por quatro componentes fundamentais — plasma, hemácias, leucócitos e plaquetas — e responsável pelo transporte de nutrientes e oxigênio pelo corpo. Por se tratar de material que não pode ser reproduzido sinteticamente, em situações em que um indivíduo necessita de sangue para sobreviver, é preciso contar com a ação voluntária de doadores.

Daí a relevância da campanha Junho Vermelho, que tem como objetivo incentivar a doação de sangue, principalmente com a chegada do inverno, período em que as doações tendem a diminuir ainda mais.

Vale saber, contudo, que a doação de sangue foi um processo que passou por evolução histórica e que, por esse motivo, hoje é capaz de levar ao salvamento de até quatro vidas. Quer entender mais sobre o assunto? Continue a leitura!

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Primeiros usos do sangue: o insucesso das transfusões heterólogas

A primeira vez que o sangue foi usado para tratamento de um paciente aconteceu na tentativa de melhorar a qualidade de vida de um jovem francês com problemas psíquicos, que andava nu pelas ruas de Paris. Assim sendo, o médico Jean Baptiste Denis injetou sangue de carneiro (transfusão heteróloga) no rapaz, a fim de que os distúrbios fossem controlados.

A ação, no entanto, resultou em óbito antes da terceira transfusão. Desse momento em diante, foram muitos os médicos e cientistas que se dedicaram a realizar transfusões heterólogas e fracassaram.

Até que, em 1778, os primeiros resultados positivos foram obtidos a partir da transfusão homóloga entre animais da mesma espécie. Esse foi o passo inicial para que, anos mais tarde, James Blundell obtivesse sucesso ao realizar uma transfusão homóloga direta entre sua paciente gestante com hemorragia pós-parto e o marido dela.

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Descobertas dos tipos sanguíneos, fator Rh e anticoagulantes

Além dos experimentos com relação à eficiência do uso sanguíneo e as evoluções que permitiram a realização de doações indiretas — feitas hoje por meio de bolsas descartáveis e estéreis —, outros avanços, como a descoberta dos tipos sanguíneos A, B, AB e O, além do fator Rh, foram essenciais para a evolução dos estudos e o uso dos componentes como ocorre hoje.

O feito é atribuído ao médico austríaco Karl Landsteiner, o que conferiu a ele a oferta de um prêmio Nobel de Medicina.

Doação, separação e tratamento: o que acontece depois da coleta do sangue

Embora pouca gente saiba, o sangue quase nunca é utilizado da maneira como é coletado. O mais comum é que ele passe por tratamento e seja separado em bolsas de hemocomponentes. Esse processo só é possível graças aos avanços e descobertas feitos ao longo da história por especialistas em hematologia e terapias transfusionais.

Continue a leitura para descobrir o caminho que o sangue percorre da doação à chegada ao receptor!

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Triagem

Ao chegar ao local de doação, o doador faz um cadastro com seus dados pessoais. Ali, podem ser realizados exames simples, como verificação de pressão arterial, temperatura, pulso e nível de hemoglobina.

Antes de realizar a doação de sangue em si, o doador passa por uma entrevista, responde a um questionário e tem uma amostra do sangue retirado, a fim de que o material possa ser encaminhado para análise de infecções sexualmente transmissíveis e outras doenças.

Além disso, é feita a tipagem sanguínea. Ela determina os fatores ABO e RH do paciente. Quando ele já é cadastrado no hemocentro, com tipagem certificada pela própria equipe, essa etapa é dispensada.

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Momento da doação

Nesse momento, o doador é encaminhado para uma sala específica. A pele do braço é limpa com um antisséptico para evitar infecções. É utilizada uma agulha estéril, que é inserida na veia do braço. A coleta de sangue geralmente leva cerca de 10 a 20 minutos, durante os quais são coletados aproximadamente 450 ml de sangue.

Após a doação de sangue, o doador deve descansar por alguns minutos e consumir líquidos e alimentos leves para ajudar na recuperação. É recomendável evitar esforços físicos intensos nas próximas 24 horas. Essas orientações devem ser passadas pelos profissionais envolvidos no processo.

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Processamento

Em seguida, vem a parte que poucas pessoas conhecem: a de processamento. Nela, o sangue coletado é centrifugado para separar os componentes principais: hemácias, plaquetas e plasma.

É também nesse momento que as amostras do sangue são testadas para detectar doenças infecciosas, como HIV, hepatites B e C, sífilis e outras. Esses testes garantem que o sangue transfundido seja seguro para o receptor e que a bolsa possa seguir sua jornada para a próxima etapa.

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Armazenamento

Aqui, as hemácias são armazenadas em geladeiras específicas a uma temperatura entre 1°C e 6°C, podendo ser conservadas por até 42 dias. As plaquetas, por sua vez, são mantidas em agitadores a uma temperatura entre 20°C e 24°C e têm uma vida útil de até 5 dias.

O subproduto que tem maior durabilidade é o plasma, que pode ser congelado a -18°C ou menos, com a possibilidade de ser armazenado por até um ano. Todo esse processo é feito em ambientes com temperatura regulada, para evitar a inviabilidade das amostras.

Lembrando que, além desses casos, há também os processos de doação direta, em que uma pessoa doa sangue diretamente a um paciente específico, citando seu nome no ato da coleta. Nesse caso, o armazenamento não é necessário, mas todos os padrões de segurança são seguidos rigorosamente. Exames de sangue são realizados para garantir que a amostra é segura e que não colocará o paciente em risco, sendo feitos com urgência quando necessário.

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Envio ao hospital

Quando um hospital necessita de sangue, ele envia uma solicitação ao banco de sangue. A partir daí, da mesma forma que acontece com medicamentos termolábeis, a amostra é transportada em condições controladas de temperatura, para garantir sua qualidade e segurança.

Em alguns casos, os hospitais já contam com seus hemocentros e espaço de armazenamento. Assim, a chegada do sangue é ainda mais rápida.

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Realização da transfusão

Após a chegada ao hospital, o sangue é novamente verificado para garantir que está em condições ideais para uso. Nesse momento, pode ser feito um teste de compatibilidade entre o sangue doado e o sangue do receptor, conhecido como prova cruzada, a fim de evitar reações adversas.

Em seguida, o sangue é transfundido ao paciente, um procedimento utilizado para tratar diversas condições, como anemia falciforme ou outros distúrbios do sangue, além de cirurgias complexas, câncer, entre outras. Antes da transfusão, o paciente é preparado, incluindo o monitoramento de sinais vitais (pressão arterial, pulso, temperatura e respiração) e constantemente monitorado durante o processo, para garantir a segurança e a eficácia da transfusão.

Uma agulha ou cateter é inserido em uma veia do braço do paciente. O sangue ou componente sanguíneo é conectado ao cateter por meio de um conjunto de infusão. A transfusão começa lentamente e tende a manter um ritmo mais lento ao longo do processo, para minimizar o risco de reações adversas.

Reações como coceira e febre podem ocorrer, assim como a sobrecarga, o que mostra a importância do cálculo adequado do volume sanguíneo a ser transfundido para cada paciente.

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Estoques esvaziados, uma triste realidade

Dados do Ministério da Saúde, de 2021, estimavam que, no Brasil, apenas 1,4% da população era doadora de sangue. Em 2023, as doações aumentaram significativamente, com mais de 100 mil bolsas a mais doadas em um período de nove meses, em relação ao mesmo intervalo em 2022. Esse aumento reflete os impactos da pandemia de COVID-19, que causou uma queda acentuada nos estoques de sangue em todo o país.

Durante a fase crítica da pandemia, as cirurgias eletivas foram suspensas, demandando remanejamento para um momento em que a crise de saúde estivesse mais controlada. No entanto, quando os hospitais reabriram suas agendas para esses procedimentos, as doações de sangue não acompanharam o aumento na demanda, dificultando a realização de algumas intervenções cirúrgicas.

De modo geral, embora o percentual de doadores esteja dentro dos parâmetros estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ele ainda está muito aquém do necessário. Apesar de as estimativas de crescimento serem positivas, é muito importante que as doações aumentem.

Por conta disso, os hemocentros, hospitais e órgãos de saúde estão sempre solicitando que as pessoas doem sangue. E o melhor: há alguns benefícios para quem se dispõe a fazer essas doações. Eles incluem:

  • direito à folga para funcionários públicos e trabalhadores do regime CLT;
  • atendimento preferencial em estabelecimentos como supermercados e outros, em alguns estados;
  • realização gratuita de hemogramas e outros exames (também em alguns estados).

Confira quais são as regras em seu estado ou município! Quem sabe não há benefícios esperando por você neste momento?

Destaca-se que também há um projeto de lei em curso com o objetivo de garantir isenção na inscrição de concursos públicos para quem é doador de sangue. Trata-se do Projeto de Lei 463/23. Vale a pena acompanhar a sua tramitação nos órgãos responsáveis.

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Requisitos básicos para ser um doador

Agora, é provável que você esteja se perguntando: afinal, quais são os requisitos para a doação de sangue? Como posso doar?

Continue a leitura para tirar essas dúvidas!

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Idade

Para doar sangue, é necessário ter, no mínimo, 16 anos. No caso de menores de idade, é obrigatório que os pais ou responsáveis os acompanhem até o hemocentro. Em algumas situações, uma autorização por escrito dos responsáveis será suficiente, permitindo que o menor faça a doação acompanhado de outro adulto.

A partir dos 18 anos, a doação é feita livremente. A idade máxima para doar sangue é de 69 anos (desde que o indivíduo tenha feito a primeira doação até os 60 anos).

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Peso

O peso mínimo para uma doação segura é de 50 kg. Por isso, pessoas de até 49 kg não podem fazer o procedimento.

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Saúde

É preciso que a saúde do doador esteja "ok" para fazer o procedimento. Assim, não é permitido estar com doente no momento de doar o sangue. Isso inclui anemia, hipertensão ou hipotensão arterial e aumento ou diminuição dos batimentos cardíacos e febre no momento da doação.

Além disso, apesar de não ser uma doença, mulheres grávidas ou que tiveram o parto há menos de 12 meses também não podem realizar a doação de sangue, pois isso poderia colocar em risco a saúde da mãe e do feto ou bebê.

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Sono e dieta

Antes de doar, é imprescindível dormir bem e se alimentar o suficiente. É recomendado fazer uma dieta leve, porém completa, e evitar alimentos gordurosos até 4h antes da doação.

Ainda, é importante se hidratar bastante. Como muito sangue é retirado do corpo, é provável que o doador se sinta mal caso não tome os devidos cuidados.

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Vacinas

Pessoas que receberam vacinas preparadas com vírus ou bactéria mortos, toxóide ou recombinantes podem doar sangue, mas devem respeitar um período específico após a aplicação da dose, conforme o tipo de imunizante. Para esclarecer dúvidas, é recomendável consultar o hemocentro mais próximo.

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Casos em que a doação de sangue é proibida

Além das pessoas que podem fazer a doação, há aquelas que, infelizmente, não cumprem os requisitos para esse procedimento.

De modo geral, não pode doar sangue quem:

  • teve hepatite após os 11 anos de idade;
  • tem evidência clínica ou laboratorial de infecções sexualmente transmissíveis, hepatites A, B ou C, doenças associadas ao vírus HTLV ou doença de Chagas ou Parkinson;
  • faz uso de drogas injetáveis;
  • teve malária;
  • foi submetido a transplante de órgãos ou de medula.

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A doação de sangue é um processo simples, mas fundamental para salvar vidas

Por isso, essa prática deve ser cada vez mais incentivada! E então? O que você está esperando para fazer a sua parte?

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