A Afya Educação Médica preparou uma série de artigos que tratam das dermatoses e tumores comuns na prática dermatológica, além de abordar os temas mais recentes em dermatoscopia. É a Dermatologia em Série IPEMED. Serão 8 posts no blog, divididos por temas, postados ao longo do mês de junho. Este é o primeiro post da série, escrito pela Dra. Thais Rodrigues, especialista e docente IPEMED. Boa leitura!
A definição de Nevo
A palavra nevo se origina do latim naevus, que significa impressão materna. O nevo é considerado um tumor benigno ou hamartoma de células névicas. Ou seja, um agrupamento de células névicas na epiderme e/ou derme. Essas células são similares ao melanócito, porém, podem ser diferenciadas por não apresentarem processos dendríticos, ter aspecto mais arredondado, citoplasma mais abundante, núcleos e nucléolos mais proeminentes.
Os nevos podem estar presentes desde a infância até a vida adulta, sendo mais comum na adolescência e involuindo por volta da 6ª década de vida. Crescem com o desenvolvimento corporal e regridem com o envelhecimento, sendo que 80% ou mais da população tem ou teve pelo menos um nevo melanocítico. O aumento gradual do número de nevos até a idade adulta e a constatação de sua ocorrência predominante nas áreas fotoexpostas sugerem, em alguns estudos, que a radiação ultravioleta possa contribuir para o surgimento e crescimento das lesões.
Na ectoscopia, os nevos se apresentam, em geral, como máculas ou pápulas pequenas, uniformes, homogêneas, com bordas regulares e simétricas. Histopatologicamente, apresentam 3 subtipos, de acordo com o processo de maturação. São eles:
- Juncional: mácula hipercrômica acastanhada a enegrecida;
- Composto: pápula hipercrômica com discreto ou evidente relevo;
- Intradérmico: pápula normocrômica, levemente hipercrômica ou eritematosa, podendo apresentar focos de pigmentação e pelos terminais.
Com o advento da dermatoscopia (microscopia direta da pele, epiluminescência, microscopia de superfície), tornou-se possível a observação de estruturas morfológicas das lesões pigmentadas não visíveis a olho nu, correlacionando, muitas vezes, características histológicas específicas. Isso garantiu à dermatoscopia um papel fundamental na avaliação semiológica em dermatologia, com boa sensibilidade e especificidade no diagnóstico de lesões pigmentadas. Visto isso, os nevos apresentam critérios dermatoscópicos principais, porém, outros achados de epiluminescência podem auxiliar no diagnóstico.
Critérios dermatoscópicos
Geralmente, os nevos melanocíticos comuns apresentam aspecto regular com padrões de rede pigmentar, de glóbulos ou estelares. Na periferia das lesões, há um apagamento lento das estruturas e, normalmente, com uma única cor ou até 2 cores, diferentemente do melanoma, que geralmente se apresenta com várias tonalidades de color.
- Rede pigmentar regular ou típica

- Áreas amorfas homogêneas de coloração marrom
- Glóbulos e pontos

- Padrão estelar
- Cor de distribuição regular e uniforme e apresentam-se de forma simétrica
- Área amorfa
- Vasos em vírgula


Outros achados dermatoscópicos
- Pseudo-aberturas foliculares: encontradas comumente nas ceratoses seborreicas, também podem estar presentes nos nevos melanocíticos comuns. São estruturas arredondadas, ovais ou irregulares de cor marrom, amarelada ou enegrecida.
- Pseudo-rede regular: encontradas nas lesões melanocíticas da face, queratoses actínicas, seborreicas e lentigos solares. Ocorrem por retificação da epiderme, em que a aparência de falsa rede se dá pela presença dos óstios foliculares e das glândulas sudoríparas.
- Rede pigmentar alargada: encontrada, principalmente, nas lesões melanocíticas atípicas, sendo importante critério. Porém, pode ser encontrada nos nevos melanocíticos adquiridos comuns localizados nas áreas de dobras, couro cabeludo e glúteos.
Padrões dermatoscópicos
Na dermatoscopia dos nevos melanocíticos adquiridos comuns, geralmente, encontramos um dos seguintes padrões dermatoscópicos:
- Padrão dermatoscópico reticular: encontrado nos nevos melanocíticos juncionais. Esse padrão tem aspecto de favo de mel à observação dermatoscópica.


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